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MEDIUNIDADE NA INTERNET
- Blog do Dr. Inácio Ferreira -
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ENTREVISTA COM FERNANDO DE LACERDA, MÉDIUM PORTUGUÊS DA OBRA “DO PAÍS DA LUZ”

 

- Fernando, inicialmente, precisamos agradecer-te pela cortesia em receber-nos em terras lusitanas, dizendo-te de nossa admiração pelo trabalho que, na condição de médium, deixaste como legado aos espíritas de todo o mundo.

- Se há agradecimentos a fazer, eles, evidentemente, me pertencem, porquanto o Brasil foi a pátria que, de maneira generosa, me acolheu quando, por razões já superadas, tivemos que atravessar o Atlântico, buscando outras plagas.

 

- Sabemos, no entanto, que, no Brasil, não encontraste, da parte dos companheiros de Ideal, o apoio que esperavas encontrar.

- Não obstante, tive o que necessitava e o que merecia. Creio hoje que jamais deveria ter saído de Portugal, pois a tarefa que me estava designada cumprir estava e continua aqui, aonde, de acordo com os Desígnios Superiores, pretendo regressar.

 

- E voltar, ainda na condição de médium?...

- Caso o Senhor assim mo determine, não hesitarei em retomar a liça mediúnica, que, intimamente, apenas me proporcionou bênçãos e alegrias. Aqueles momentos de contato com os Amigos Espirituais, que se manifestavam pelas nossas faculdades, foram os melhores de minha pobre existência em minha última romagem terrestre.

 

- Mágoas?!...

- Absolutamente! Nenhuma! Gratidão e reconhecimento – eis o de que está repleto o meu coração.  A luta sempre é muito árdua, contudo, se o Divino Mestre a ela não se esquivou, quem somos para a ela nos esquivarmos?!

 

- Acreditas que as obras de tua lavra mediúnica estejam sendo aproveitadas quanto deveriam?! De paralelo ao seu inegável conteúdo espiritual, no campo da literatura elas são um primor – páginas assinadas por Eça de Queirós, Camilo Castelo Branco, Alexandre Herculano, Victor Hugo, Antero do Quental, João de Deus... Inclusive, Allan Kardec, em 1907! Confesso que, ainda no corpo, eu me deleitava com tais comunicações – e mais que deleitar-me, instruía-me!...

- Com a tua permissão, responderei a esta questão com as palavras que o Apóstolo Paulo grafou em sua Primeira Epístola aos Coríntios, capítulo 3, versículo 6: “Eu plantei, Apolo regou, mas foi Deus quem deu o crescimento.” – aliás, sempre quem dá o crescimento é Deus! Ainda, se me consentes resposta mais longa, recorro às inspiradas palavras ditas por Gamaliel, em “Atos dos Apóstolos”, 5 – 38, quando tomou, diante do Sinédrio, a defesa dos cristãos: “... afastai-vos destes homens e deixai-os seguir em paz. Pois, se a obra ou o propósito deles for de origem meramente humana perecerá. Se, todavia, proceder de Deus não conseguireis jamais impedi-los...”

 

- Como avalias o chamado Movimento Espírita, na atualidade?!

- Obra dos homens, feita para os homens, e, como é natural, passível de erros e acertos – infelizmente, por vezes, mais erros do que acertos. Todavia, sou de um tempo em que os adversários da Causa a combatiam de fora para dentro, e não de dentro para fora.

 

- Alguma recomendação de tua parte aos nossos irmãos de Ideal, que pugnam por um mundo melhor?...

- Que continuem lutando, porquanto a luta, na superação de nós mesmos, está apenas começando! Que combatam, principalmente, o personalismo em si – esse monstro devorador dos espíritos mais bem intencionados, mas ainda não suficientemente determinados na conquista da verdadeira grandeza.

 

- Ainda há pouco, conversando contigo, disseste algo que me soou como benéfica advertência... O problema maior do Espiritismo?...

- Ah, sim! Trata-se de um pensamento meu, e não sei se poderá ser útil aos nossos confrades. Dizia-te que, segundo minha limitada observação, o problema maior do Espiritismo, na atualidade, está no lado detrás da mesa, e não no lado da frente, junto ao público...

 

- Poderias, neste sentido, esmiuçar o teu pensamento?...

- Creio que o Espiritismo vivenciado para cá da mesa de reuniões, nos Centros Espíritas, seja um entrave ao avanço de sua Mensagem Libertadora, pois, então, o Espiritismo deixa de ser Consolador, para ser Dogmatizador! Desejo, porém, efetuar ressalvas, porque, felizmente, não é situação que se generalize – há exceções, e essas exceções é que ainda conseguem contrabalançar as ações que tendem desvirtuar a Doutrina de sua finalidade precípua.

 

- Mais uma vez, agradecemos por te colocares à nossa disposição nesta rápida entrevista. Muitos irmãos de Ideal, presentemente encarnados, andavam, como andam, desejosos de te ouvirem a palavra.

- Entretanto, lamento que, seja a quem for, eu não esteja à altura de dá-la! Espero que o I ENCONTRO INTERNACIONAL DOS AMIGOS DE CHICO XAVIER E SUA OBRA, a ser proximamente realizado em Lisboa...

 

- No dia 6 de setembro! E tal ENCONTRO, conforme sabes, será realizado dos Dois Lados da Vida... Haverás de ser um dos conferencistas convidado a falar ao público desencarnado – lá mesmo nas dependências da Faculdade de Medicina Dentária!

- Sim, espero que seja exitoso, porque, no que pesem as muitas dificuldades para a sua consecução, a Obra é do Cristo – não é nossa! E pertencendo a Ele, não tenho dúvidas de que, dos Dois Lados da Vida, alcançará os seus elevados propósitos.

 

INÁCIO FERREIRA

 

 

Porto, Portugal, na noite de 22 de agosto de 2015.

 

(Página recebida pelo médium Carlos A. Baccelli)

 

 



Escrito por Dr. Inácio Ferreira às 11h18
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DESUNIR, NÃO; SEPARAR, SIM!

 

Realmente, não temos, como, aliás, nunca tivemos o propósito de, em hipótese alguma, incentivar a desunião em nossas fileiras doutrinárias – contudo, se não nos move a intenção de estabelecer conflitos, não nos omitimos, quanto não nos omitiremos, sob qualquer pretexto, no que diz respeito ao testemunho da Verdade, ensejando, a partir de nossa própria gleba interior, a difícil separação do joio e do trigo.

Lamentamos, profundamente, os que, neste sentido, não concordam com o nosso modo de ser e de pensar, continuando, não obstante, a evocar para nós o direito de ser o que somos, arcando, claro, com os evidentes mal entendidos – que, para nós, prejuízos não são! – da clara posição que, perante os nossos postulados, escolhemos adotar.

Para mim, chega de condescender com o erro e a mentira, com os quais – acredito – todos nós já condescendemos excessivamente em existências pregressas.

De minha parte, portanto – eis que repito à saciedade –, não estabelecerei conchavos doutrinários, objetivando a mais ampla aceitação do possível conteúdo de nossas obras de natureza mediúnica.

De há muito, felizmente, não mais estamos a disputar aplausos e encômios, ainda tão a gosto daqueles que estimam desfrutar dos prestígios mundanos.

Em nome de uma pretexta caridade não me calarei, e nem recuarei, porquanto, para espíritos do meu entendimento, não há caridade maior do que ser sincero e transparente na defesa dos Princípios que nos conferem paz à consciência.

Impossível servir-se a Deus e César!

O Cristo nos conclama ao “sim, sim; não, não”!

Que os nossos detratores dos Dois Lados da Vida, saibam que, Dos Dois Lados da Vida, não haveremos, com a graça de Deus, de repetir os equívocos que cometemos quando, com o intuito de agradar aos poderosos, terminamos por assumir grave responsabilidade na deturpação do Cristianismo.

Por minha culpa, não acontecerá ao Espiritismo o que ao Cristianismo fizemos acontecer.

Se, infelizmente, valorosos companheiros de Ideal, notadamente no corpo carnal, estimam a política rasteira de bastidores, em mil tramas levianas e irresponsáveis, disputando um pretenso poder, que, em Espiritismo, não existe, tomamos a liberdade de alertá-los de que, muito breve, serão exortados a prestar contas de suas ações e... intenções! Ainda hoje, ou amanhã, a desencarnação haverá de submetê-los ao confronto consigo mesmos, perante o qual nada – e ninguém! – poderá valê-los!

Se os nossos escritos mediúnicos, aqui e alhures, estão a incomodá-los, rasguem-nos! Atirem-nos à primeira lata de lixo que lhes estiver ao alcance das mãos, porque não escreverei uma só linha que necessite de negociar com os interesses desse ou daquele grupo!...

Aqui, estando neste momento, na cidade do Porto, em Portugal, ao lado de tantos amigos do Mais Além, preocupados com os rumos do Espiritismo no Brasil e em Portugal, não mais desejando cansá-los com a minha arenga de espírito tão sofredor quanto o mais sofredor de qualquer um de vocês, ocorre-me repetir o derradeiro verso do notável Poeta que, de maneira estoica, lutou contra a escravidão, Castro Alves, em seu imortal “Navio Negreiro”:

 

Fatalidade atroz que a mente esmaga!

Extingue nesta hora o brigue imundo

O trilho que Colombo abriu nas vagas,

Como um íris no pélago profundo!

Mas é infâmia demais! Da etérea plaga,

Levantai-vos, heróis do Novo Mundo!

Andrada! Arranca esse pendão dos ares!

Colombo! Fecha as portas dos teus mares!

 

Levantai-vos, pois, heróis do livre pensar!

Não vos deixeis subornar pelos lobos em pele de ovelhas, aos quais, com incisivas palavras, Jesus repreendeu:

“Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! Pois que fechais aos homens o reino dos céus; e nem vós entrais e nem deixais entrar aos que estão entrando.”

 

INÁCIO FERREIRA

 

Porto, Portugal, 20 de agosto de 2015.

 

 

 

 

 

 

 

 



Escrito por Dr. Inácio Ferreira às 15h37
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FÉRIAS SEM FÉRIAS

 

Irmãos e irmãs: Jesus nos abençoe.

Qual, por vezes, acontece, a partir desta semana, estaremos rumando para o Velho Mundo, a fim de, na companhia aqui de nosso confrade, participar do I ENCONTRO INTERNACIONAL DOS AMIGOS DE CHICO XAVIER E SUA OBRA, a ser realizado em Lisboa, Portugal, no próximo dia 6 de setembro.

Também, como não poderia deixar de ser, aproveitaremos o ensejo para a realização de vários contatos com amigos portugueses já domiciliados na Vida Maior, entre eles Laurentino Simões e Eduardo de Mattos, que por lá haverão de serem os nossos cicerones.

Portanto, durante, aproximadamente, um mês, vocês haverão de se verem livres de mim, nas páginas deste Blog – de mim e de nosso Eurícledes Formiga, que, igualmente, seguirá conosco integrando a nossa pequena e humilde caravana de servidores do Cristo, que, reconhecendo o nosso lugar, nos colocamos além dos últimos da fila.

Por razões óbvias, deixamos de fazer semelhante anúncio antes, porque, afinal, carecemos de nos preservar de certas vibrações antagônicas, com as quais, aliás, sempre temos lidado desde a nossa primeira viagem à Europa.

Tranquilizem-se. Está tudo em paz. O pessoal rodeia, mas não se aproxima, e, cá entre nós, é bom que não se aproxime mesmo, porque a influência de Moisés sobre mim, e sobre o médium, ainda é muito grande – infelizmente, ainda é maior que a do Cristo! Estamos, nós dois, muito longe de possuir vocação para a cruz!...

Em nosso périplo, exclusivamente doutrinário, percorreremos várias cidades – algumas anteriormente já percorridas e outras, ainda não –, em visita a grupos de anônimos irmãos de Ideal que, enfrentando inúmeras dificuldades, muito estão fazendo pela nossa Causa.

Portugal continua sendo a nossa esperança de que, um dia, o Espiritismo possa regressar à Europa, de onde, a bem dizer, foi expurgado. Em território menor que o de Israel, a Doutrina, em sua feição de Cristianismo Redivivo, vem lutando para que as trevas não a empurrem de vez para as águas do Atlântico...

Sempre que nos é dado visitar os grupos espíritas em Portugal, muito nos emocionamos, porque, realmente, é de comover-nos às lágrimas o anseio dos espíritos que, lá, encarnados e desencarnados, pretendem a sua definitiva libertação espiritual – libertação, inclusive, do jugo opressor que alguns integrantes da própria Doutrina querem lhes apor por cabresto.

Não obstante, estamos agora esperançosos a partir dos novos ventos que começam a soprar no Movimento Espírita Brasileiro – lufadas que prometem se estender a outros países, saneando os miasmas que, a partir do Brasil, sobre eles foram espalhados, contaminando a atmosfera.

Aguardemos.

Tenho a impressão de que Jesus, encontrando tempo para se lembrar dos “Vaticanos”, muniu-se de um chicote e, novamente, num daqueles Seus surtos divinos, revirou, ou ainda está a revirar, as mesas dos cambistas. Roma e Brasília, ultimamente, estão me deixando em positiva expectativa – e, quando me refiro a Brasília, não estou fazendo qualquer alusão direta ao Planalto, que breve estremecerá, não deixando restar pedra sobre pedra. Afinal, chega de bandalheira!...

Prometo a vocês que, de Portugal, entre uma cidade e outra, se eu puder usar um notebook (viram que chique!), não os deixarei completamente sem os meus incômodos semanais.

O coitado do nosso amigo aqui, se por lá não desencarnar, há de voltar morto – Mortinho Ferreira da Silva! (Ferreira de minha parte e Silva, da parte do Manoel Roberto) – e, ainda por cima, tem espírito na fila querendo escrever! Quem sabe, noutra encarnação, a gente possa voltar a Terra, copiando o deus Shiva em versão modernizada: mil mãos para escrever, mil bocas para falar e... um só ouvido para não escutar tantas besteiras!

Orem por nós, mas, por garantia, desde já, estou orando para mim e recomendei ao médium que também orasse para si mesmo!

Até quando Setembro vier...

Saudades de vocês – muitas saudades!...

Aguentem as pontas!...

Vigiem as portas do templo!...

Os vândalos estão rondando!...

 

INÁCIO FERREIRA

 

Uberaba – MG, 10 de agosto de 2015.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 



Escrito por Dr. Inácio Ferreira às 05h30
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“LIBERDADE DE CONSCIÊNCIA”

 

Com o título acima, por mais que oportuna, transcrevemos hoje, em nosso Blog, a lúcida palavra de Irmão José, inserida na obra “Segundo ‘O Livro dos Espíritos’”, publicada pela Editora “Didier”, da cidade de Votuporanga, São Paulo – obra, igualmente, psicografada pelo médium do qual nos valemos em nosso singelo esforço do Mundo Espiritual à Terra.

INÁCIO FERREIRA

*

Qual é o resultado dos entraves postos à liberdade de consciência?

- Constranger os homens a agirem de maneira diversa do seu modo de pensar, o que é torná-los hipócritas. A liberdade de consciência é uma das características da verdadeira civilização e do progresso.

(“O Livro dos Espíritos”, questão 837)

 

O Espiritismo, que nasceu por consequência da liberdade de pensar, que o homem adquiriu à custa de ingentes sacrifícios, ao longo dos séculos, não poderia ser uma doutrina que a ela se opusesse.

A liberdade de pensamento é a que confere dignidade ao gênero humano.

Os que se fizeram arautos de ideias renovadoras para a mente humana, a fim de que a criatura saísse da barbárie para o princípio de civilização, sempre pagaram elevado tributo à ortodoxia e à intolerância.

O Cristo foi vítima do fanatismo religioso da época em que viveu entre os homens.

Antes Dele, Sócrates, na Grécia, foi sentenciado à morte, acusado de perverter a juventude ateniense.

Depois Dele, Jan Huss, precursor da reforma protestante que se consumaria com Lutero, condenado pelo Concílio de Constança, foi queimado vivo, em 6 de julho de 1415.

Adentrando, porém, o Terceiro Milênio da Era Cristã, não obstante as inegáveis conquistas da Humanidade no campo da liberdade de expressão, ainda se sente no ar o odor nauseante das fogueiras que a Inquisição acendeu na Idade Média.

É mesmo uma questão de sobrevivência doutrinária defender-se, aos adeptos do Espiritismo, o direito de livre manifestação do pensamento, embora nem sempre se possa com eles concordar neste ou naquele ponto de suas opiniões.

A partir do instante em que os espíritas transformarem o Espiritismo em uma doutrina cerceadora, com imposições dogmáticas aos seus seguidores, tenhamos a certeza de que o Espírito do Cristo dele emigrará.

Acima, pois, de nossas naturais divergências doutrinárias, é preciso que, entre nós, prevaleça a fraternidade.

Sob o pretexto de se defender uma suporta pureza doutrinária, ninguém deve se esquecer de que o instrumento ideal para tanto é a própria vivência dos postulados que abraça.

Não há argumento mais convincente que o do exemplo.

Sem o entrechoque das ideias, não se chega ao denominador comum que a Verdade patrocina a todos quantos, sinceramente, por ela procuram e se interessam.

Ouçamos a palavra inspirada de Gamaliel, junto ao Sinédrio, quando os Apóstolos estavam sendo julgados: “Dai de mão a estes homens, deixai-os; porque, se este conselho ou esta obra vem dos homens, perecerá; mas, se é de Deus, não podereis destruí-los, para que não sejais, porventura, achados lutando contra Deus.”

Que todos nos acautelemos, para que a ninguém estejamos induzindo à hipocrisia, ao modo dos antigos doutores da lei, que o Cristo advertiu com severidade: “Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! porque fechais o Reino dos Céus diante dos homens; pois, vós não entrais nem deixais entrar os que estão entrando”...

Que não nos convertamos em pedras de tropeço no caminho de quem quer que seja, por simplesmente dele discordarmos sob a pauta de nossos interesses pessoais, atentos ao que os Espíritos Superiores disseram a Kardec, em resposta à pergunta de número 838, de O Livro dos Espíritos: “As crenças reprováveis são as que conduzem ao mal”.

 

IRMÃO JOSÉ

 

 

 

 



Escrito por Dr. Inácio Ferreira às 05h22
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NOTÍCIAS DE CHICO XAVIER

 

São muitos os amigos que nos solicitam enviar notícias de Chico Xavier – interpelam-nos por carta, ou através de nossas atividades doutrinárias na companhia do médium, em suas andanças pelo Brasil e Exterior.

- Onde estará o espírito de Chico Xavier?

- O que Chico Xavier se encontrará fazendo no Mundo Espiritual?

- Em que cidade espiritual Chico Xavier fixou residência?

Perguntas semelhantes a estas são formuladas por muitos irmãos e irmãs de Ideal, não por mera curiosidade informativa, mas por carinho para com o grande Médium, que, na Vida de Além Túmulo, é reverenciado por todos nós, os desencarnados, na condição de mestre do espírito – um dos maiores que já pisou o chão da Terra!

Chico é um dos Ministros do Cristo, um dos poucos espíritos que tomam assento ao Seu lado – não importa se à direita, ou à esquerda, do Divino Amigo!

Todavia, como não haveria de ser, pois que tal não faz parte da natureza dos Espíritos Superiores, ele não se encontra na contemplação – trabalha ainda mais, dos Dois Lados da Vida, continuando no seu laborioso afã de iluminar os caminhos de encarnados e desencarnados.

O trabalho não cessa e é intenso, posto que grande parte da população desencarnada, ainda vinculada à evolução do orbe terrestre, revela a mesma necessidade de despertamento espiritual que os homens que mourejam no corpo carnal.

Vocês não fazem ideia do tamanho da ignorância que, igualmente, sobrevive à chamada “morte”! O Mundo Espiritual, ou melhor, o Planeta Espiritual, que forma um “cinturão” ao redor da Terra, se encontra, igualmente, em colapso!

Portanto, na condição de Médium e de Profeta, o nosso Chico Xavier, prossegue envidando esforços em todas as partes do mundo, em suas regiões consideradas materiais e noutras consideradas etéreas, procurando libertar consciências – tarefa árdua, que sempre acontece individualmente, e não coletivamente.

Chico, caso fosse fixar residência em alguma das múltiplas Moradas da Casa do Pai, certamente, muito haveria de se distanciar de nós – no entanto, ele assumiu compromisso com o Senhor de, incansavelmente, trabalhar pela espiritualização da Humanidade. (Estamos evitando empregar o termo “evangelização”, porque, temos certeza, o próprio Chico nos repreenderia por isto, afirmando que ele nada é para evangelizar a quem seja!)

De quando a quando, conforme, inclusive, já tivemos oportunidade de fazer referência na obra “Trabalhadores de Última Hora”, de nossa lavra, sabemos notícias dele se movimentando nas regiões inferiores do Plano Espiritual – nas que se situam mais proximamente a Terra, chegando, por vezes, a se estenderem às suas entranhas geográficas.

Desde muito, possuidor do “dom da ubiquidade”, Chico, no entanto, se faz sentir, através de seu pensamento, em quase toda parte onde se localizem seareiros com suficiente boa vontade e amor no coração – daí explicar-se o porquê de vários médiuns lhe registrarem a presença em muitos lugares ao mesmo tempo e lhe captarem a inspiração.

- Ele continua preocupado com os destinos da Doutrina Espírita? – indagou-nos uma senhora. E respondemos a ela agora: - Claro que continua, porém, preocupado com os destinos da Doutrina na sua feição Esclarecedora e Consoladora, na missão precípua que lhe cabe de reviver o Cristianismo!

Os Espíritos Superiores não são sectários – difundir o Espiritismo é difundir o Cristo, e não Kardec.

Enfim, aos que, porventura, se mostrem desejosos de uma resposta mais precisa, atualmente, o “quartel-general” de Chico Xavier nos arredores da Terra, não é a cidade de “Nosso Lar”, que ele visita com relativa frequência, mas sim a cidade de São Paulo no Espaço, da qual, igualmente, ele foi um dos fundadores.

(Aos espíritas uberabenses e pedroleopoldenses, embora o seu imenso carinho por Pedro Leopoldo e Uberaba, sinto informar que ele não “mora” em nenhuma das duas cidades!)

 

INÁCIO FERREIRA

 

Uberaba – MG, 27 de julho de 2015.

 

 

 

 



Escrito por Dr. Inácio Ferreira às 05h24
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VOCÊS JÁ VIRAM?!

 

Creio que, de espírito batedor que eu sempre fui, e ainda sou, esteja virando espírito perguntador – deve ser influência do Codificador!

A pergunta desta semana, que, de fato, me intriga, é a seguinte: vocês já viram algum companheiro de ideal espírita-cristão, verdadeiramente consagrado à prática da Caridade, dedicando-se a crítica sistemática contra outro confrade de nossas lides doutrinárias?!

De minha parte, confesso que não.

Sempre que me deparo com um crítico, maledicente e contumaz, do esforço de servir em alguém, constato, sem dificuldade alguma, que esse nosso irmão pode ser considerado muito mais um teórico do Espiritismo, do que propriamente um adepto que se preocupe com a vivência cotidiana de seus Princípios.

Vocês concordam, ou acham que esteja exagerando?!

Sinceramente, eu nunca percebi, por exemplo, um espírita que seja sopeiro, passista, faxineiro no Centro Espírita, costureiro, benfeitor dos mais pobres, aficionado leitor das páginas de “O Evangelho”, amante da oração do “Pai Nosso”, seguidor dos exemplos de Chico Xavier, etc. – eu nunca detectei um desses companheiros de Doutrina a se esmerarem na crítica destrutiva contra quem quer que fosse!

Sempre que tenho oportunidade de lidar com alguma crítica – não a mim, que estou consciente de que mereço todas elas –, analisando o currículo de vida de seus autores, observo que lhes sobra excessivo tempo ocioso na encarnação e que, praticamente, são quase todos nulos no campo das atividades de assistência aos mais desvalidos...

Eis o que, ultimamente, eu tenho me desdobrado para tentar compreender.

Por que será que os que, com sinceridade, se empenham em sua própria renovação íntima, não se encorajam a atirar pedras sobre os outros?! Será que, talvez, seja por que já lograram alcançar mais profundo conhecimento a respeito de si?!...

Tendo a responder afirmativamente a questão que eu próprio formulo e tomo a liberdade de endereçar aos amigos deste Blog.

Para mim, dentro de nossa Universidade, que, na revivescência do Evangelho, é o Espiritismo, existe uma escola de dissidência ética, encabeçada por cultores de uma falsa intelectualidade – escola que, infelizmente, tem feito vários seguidores, criando problemas sérios para a nossa Doutrina de Paz e Amor.

Interessante que os maiores críticos de meu conhecimento pertencem a tal escola, que não é a de Chico Xavier!

Vocês já repararam isto?!

Façam uma enquete silenciosa a respeito, e vejam a que escola pertence, por exemplo, os oradores intolerantes e mal educados, vaidosos e exigentes, e os médiuns elitistas que, no Movimento, incrementam os cursos pagos, chegando à desfaçatez de falarem em “investimento” – sim, “investimento”... bolso deles!

Não sei, não.

Acho que os espíritas, que anelamos ser sinceros profitentes da Fé, precisamos, urgentemente, efetuar um retorno às nossas origens – aos caminhos que, sacrificialmente, foram trilhados pelos pioneiros do Espiritismo!

Em vez de nos lançarmos a uma disputa de Conhecimento, vamos nos lançar a uma disputa de Bondade! Quem consegue perdoar mais, esquecer mais agravos, auxiliar mais, servir mais, aproveitar mais o tempo na prática do Bem aos semelhantes?!...

Aliás, eu vou dizer a vocês que o Conhecimento tem sido por demais desconhecido de nós outros, que, equivocadamente, achamos que Conhecimento seja apenas e tão somente informação, nada, portanto, tendo a ver com formação.

Quem sabe, também faz a hora... de ser melhor!...

 

INÁCIO FERREIRA

 

Uberaba – MG, 20 de julho de 2015.

 

 

 

 

 



Escrito por Dr. Inácio Ferreira às 05h27
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PENSAMENTOS MÓRBIDOS

 

Quando eu me encontrava mais encarnado do que me encontro agora, atendendo a diversos pacientes em meu consultório de médico psiquiatra – que muito pouco sabia, e ainda muito pouco sabe de Psiquiatria –, não raro, os que eram considerados mais normais, ou seja, os que não careciam de internação imediata, faziam-me certas confissões de estarrecer.

Falo em estarrecimento, mas, em verdade, eu nunca me alarmei muito com a condição da criatura humana, que, em termos evolutivos, não se coloca assim muito à frente dos animais, não.

- Doutor – confessavam-me muitos deles –, eu me imagino esganando a fulano com as minhas próprias mãos – sinto vontade de enforcá-lo, pois é o que ele merece... E, em mim, tal pensamento é recorrente – de vez em quando, eu me pego descarregando toda a minha ira sobre a garganta dele...

- Em meus devaneios – diziam-me outros –, sonho em descarregar a minha arma contra o peito daquele imbecil, que não perdoo – ele me humilhou, como se eu fosse qualquer... Constrangeu toda a minha família, e a minha honra tinha que ser lavada com sangue...

- Já pensei em contratar alguém para dar cabo daquela mulher, que me tomou o marido – falou-me uma senhora. – Quase todos os dias eu penso nisto... Tenho ódio dela – um ódio terrível!...

E ao longo de décadas, ouvindo confissões semelhantes, vocês podem imaginar o que, por vezes, registrava, tanto de homens quanto de mulheres:

- Doutor, eu sonho que estou estuprando... É uma coisa terrível! Sinto prazer nisto!...

- À noite, os meus sonhos são de pura devassidão... Tenho vergonha de contar ao senhor tudo o que faço, quando estou sonhando... Sexo desregrado com menores de idade – eu não poupo nem crianças!...

Muitos deles choravam e falavam em suicídio, e outros já estavam entregues ao alcoolismo.

A situação era difícil.

Certa vez, um pedófilo, ao me procurar, disse que estava com a arma engatilhada em casa, aonde chegaria e atiraria contra a própria cabeça – eu seria a sua última esperança.

Conversei, conversei, conversei... Receitei medicamentos... Falei em Deus, em imortalidade, na consequência do suicídio para o espírito... Sugeri internação por uns dias... Ele agradeceu, foi embora e, depois de oito meses, acabou por se matar. Fiquei sabendo através do jornal da cidade... Ele não voltara a se consultar comigo.

E os que, mentalmente, planejavam golpes financeiros nos familiares, em questões de herança?!

E os que, aparentando ser sociáveis, mal conseguiam conterem-se em seus ímpetos de agressividade reprimida?!

E os egoístas ao extremo – o egoísmo é uma das piores doenças que conheço! –, que se escondiam para que não fossem molestados pelos mendigos nas ruas?! – Doutor, eu chego a mudar de calçada – tenho asco de pedinte! Uma moeda para mim é muita coisa – eu não acho certo ajudar a ninguém! Essas Instituições assistenciais alimentam a malandragem...

Não creiam, meus amigos, que a coisa tenha mudado muito, não! Tristemente, a morbidez de nossos pensamentos fala de nossa grande miséria espiritual – do nosso primitivismo moral!

Só mesmo apelando para a Misericórdia do Senhor, pedindo forças para que, pelo menos, a tentação nunca nos saia da esfera dos pensamentos, pois, caso contrário... Meu Deus, que loucura!

E tem gente que ainda se acha completamente sano! Tais pensamentos enfermiços, contudo, são capazes de nos assaltarem até mesmo em meio a uma oração...

Um comerciante, meu amigo e paciente, me dizia:

- Doutor, para eu terminar um Pai Nosso sem pensar em coisas ruins é o maior sacrifício... Começo a rezar e o meu pensamento foge por tantos caminhos... Eu fico com vergonha da prece! Como continuar orando assim?!...

- Meu caro – eu respondia –, o lírio nasce no charco... Não desista! Os sãos não precisam de médico! Todos nós somos doentes da cabeça, uns mais, outros menos... Se você não orar, a coisa piora!...

 

INÁCIO FERREIRA

 

Uberaba – MG, 13 de julho de 2015.

 

 

 

 

 

 



Escrito por Dr. Inácio Ferreira às 05h08
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O QUE VOCÊS ACHAM?!...

 

Vocês já imaginaram se, com a ocorrência natural da desencarnação, as coisas, do ponto de vista social, para os espíritos, continuassem sendo sempre as mesmas?!

Se, por exemplo, o rico continuasse sendo rico, e o pobre, sendo pobre?! O poderoso ostentando poder, e o subalterno, prosseguisse na subalternidade?! A vítima de preconceito ainda vítima de preconceito, e o seu algoz, em qualquer campo do relacionamento humano além da morte, persistindo na condição de criatura preconceituosa?!

Não obstante, embora, neste sentido, muitas sejam as considerações a serem feitas, quando o espírito deixa o corpo carnal, algumas posições sociais, felizmente, se invertem.

Vocês se recordam da página intitulada “Uma Realeza Terrestre”, que Kardec fez inserir no capítulo 2, de “O Evangelho Segundo o Espiritismo”?! Neste comunicado, assinado por “Uma Rainha de França”, em Havre, no ano de 1863, ela considerou: “Rainha entre os homens, como rainha julguei que penetrasse no reino dos céus! Que desilusão! Que humilhação, quando, em vez de ser recebida aqui qual soberana, vi acima de mim, mas muito acima, homens que eu julgava insignificantes e aos quais desprezava, por não terem sangue nobre! Oh! Como então compreendi a esterilidade das honras e grandezas que com tanta avidez se requestam na Terra!”

Que felicidade a dela, não é?! A de ter perdido a coroa e, com ela, a ilusão! Sim, porquanto, muitos espíritos são punidos no simples fato de continuarem cristalizados, às vezes, por séculos, nas ideias que os levaram a cometer tantos equívocos na Terra – enredam-se na teia que teceram para enredar aos semelhantes!

Vocês já refletiram na maneira pela qual um ditador sanguinário é recebido, ou, por outra, efetua a sua reentrada no chamado Mundo Espiritual?! Não vamos nomear a quem seja, mas o que vocês, irmãos de Doutrina, teriam a dizer quanto ao que acontece, por exemplo, a um ditador desses países da África, do Oriente Médio, ou mesmo da América do Sul?!...

Em sua opinião, com os conhecimentos doutrinários de que dispõem presentemente, prosseguiriam eles a comandar legiões de desencarnados, à feição de Gregório, espírito ao qual André Luiz se refere no livro “Libertação”?! Ou, por vezes, segundo a Lei de Causa e Efeito, de imediato, de perseguidores passariam à condição de perseguidos?!...

De minha parte, digo-lhes o seguinte: Bem-aventurados os que, nesta ou qualquer outra Dimensão em que a Vida se desdobre, têm oportunidade de cair do pedestal em que se entronizaram com a sua ignorância! Bem-aventurados os que de injustos passam à condição de, aparentemente, injustiçados, e de opressores que foram a de oprimidos, que são!...

Contudo, sobre a Terra ou além dela, mais lamentável e grave é a situação do espírito que de injustiçado passa a injustiçar, e de humilhado passa a humilhar – porque demonstra que nada conseguiu aprender com o sofrimento, e, portanto, se faz candidato potencial a sofrimento maior ainda.

Quem já passou fome e nega um prato de comida ao faminto, perante a Lei Divina, é muito mais culpável do que aquele que o nega sem nunca ter tido oportunidade de passar pela experiência do faminto.

Refletindo um pouco mais além, num processo obsessivo que se instale de quem é a maior desventura: a do espírito obsessor, que ainda não está sofrendo com o choque de retorno, ou o obsidiado que, talvez, já esteja colhendo o resultado de suas inconsequentes atitudes?!

Creio, porém, que, com tais perguntas a esmo, eu esteja a divagar em excesso...

Deixarei, pois, a palavra com os nossos irmãos internautas, num questionamento síntese:

Vocês admitem que um delinquente possa continuar a delinquir na Vida de além-túmulo?! A ser um marginal não apenas para os que se encontram encarnados, mas também, e agora, em face de sua nova situação, principalmente, para os que estão desencarnados?!...

 

INÁCIO FERREIRA

 

Uberaba – MG, 6 de julho de 2015.

 

 

 

 

 

 



Escrito por Dr. Inácio Ferreira às 05h11
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CARTA À MÃE DE UM JOVEM SUICIDA

 

Minha senhora, a sua carta, relatando o suicídio de seu único filho, tocou o meu coração – o seu veemente apelo a Deus para que dele cuide aonde quer que ele se encontre!
- “Estamos sofrendo muito. A dor é irresistível. Foi de forma trágica. Ele era estudante de Psicologia. Caiu de um prédio... Estamos desesperados. Ajude-nos, pelo amor de Deus!”
E, em sua grande dor, acrescenta:
- “Quando for da permissão do Pai, se possível, desejo uma psicografia de meu filho. Só vou me sentir melhor quando eu souber como ele está? Como foi que aconteceu? Por quê?...”
Ainda não pude – o tempo foi curto para mim, pois a sua carta me chegou ontem às mãos – localizar o nosso D. – mas, assim que possível, claro que tudo farei para auxiliar ao seu filho como se meu filho fosse.
Não se entregue ao desespero, minha irmã, pois, os nossos filhos, antes de serem nossos, pertencem a Deus, e Deus é Pai de Infinita Misericórdia e Bondade.
Eu não sou da teoria do chamado “Vale dos Suicidas”, que, imagino, talvez, possa existir para os espíritos extremamente revoltados, que, não necessariamente, tenham, num momento de insanidade, cortado o fio da existência no corpo carnal – espíritos que praticam crimes muito mais graves, porque, direta ou indiretamente, ocasionam o mal a centenas e milhares de pessoas.
Se existisse um “Vale” específico para os suicidas, por que não haveria outro, muito mais profundo e tenebroso, para os traficantes, para os estupradores, para os ditadores sanguinários, para os políticos corruptos que desviam recursos da Saúde e da Educação, atravancando o progresso moral e intelectual dos espíritos que voltam a Terra pela bênção da reencarnação?! E, nesta linha de raciocínio, a Vida além da morte seria apenas e tão somente constituída de “Vales”, você não acha?! Um Mundo Espiritual repleto de “buracos” infindos, nos quais pudéssemos nos ocultar envergonhados da própria consciência!...
Para mim, os suicidas não são criminosos – são doentes! Que crime o seu D., de apenas 25 de idade, poderia ter cometido?! – um rapaz que já estava cursando o último ano de Psicologia?! Talvez, ele não tenha suportado o confronto consigo mesmo, não é?! A nossa realidade íntima, quando não nos preparamos para enfrentá-la, é sempre dura em demasia, e, sem a companhia de Jesus Cristo, ninguém deveria se arriscar a melhor conhecê-la.
Evidente que não podemos aprovar atitudes assim, porque, caso contrário, no mundo todo, seriam muitos que, sem motivação para continuar lutando, praticariam o autoextermínio, e ninguém morre! Quer estejamos no corpo ou não, a Vida continua sendo sempre a mesma Vida!...
O seu menino, por certo, já percebeu que agiu com extrema imaturidade, impondo a vocês dois, os seus pais, o peso de um sofrimento que, realmente, somente Deus poderá aliviar, e, ao longo do tempo, fornecer-lhes a devida compreensão de tamanha dor.
Mas não se preocupe, imaginado que, transformado em gênio demoníaco, ele possa estar vagando por aí, ou, então, passados três meses do gesto impensado, preso ainda ao organismo em estado de putrefação, assistindo aos vermes lhe devorarem as entranhas do corpo do qual ele próprio deliberou sair...
Os bons samaritanos também existem deste Outro Lado da Vida! Além do egoísmo humano, a Caridade é sempre mais Caridade!
Não poderíamos encorajá-los às tarefas de amor ao próximo na Terra, mantendo aqui, no Mundo Espiritual, os nossos braços cruzados.
O seu filho receberá tratamento adequado – de acordo com o que a situação requer, ele será hospitalizado e convenientemente tratado, de possíveis sequelas da queda em seu corpo espiritual, mas, sobretudo, dos conflitos que dentro dele se instalaram de maneira patológica.
Não vamos aqui falar da ação de espíritos obsessores, que possam ter agido, induzindo o nosso menino a se lançar de tão grande altura – creio que do 9º andar, não é?!
Receba com o seu esposo o meu carinho de irmão, e procurem vocês dois fortalecerem-se na fé, não consentindo que a prova que estão atravessando os induza à descrença e à amargura, ocasionando-lhes maior estrago ao espírito.
Não se sintam órfãos de filho, pois a orfandade, de filhos e de pais, somente existe para os pais e os filhos que ainda não aprenderam a amar ao próximo como a si mesmos.
 
INÁCIO FERREIRA
 
Uberaba – MG, 29 de junho de 2015.



Escrito por Dr. Inácio Ferreira às 07h56
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A IMPORTÂNCIA DA BONDADE

 

Em nossas páginas deste Blog, ao longo do tempo de sua existência, temos abordado diversos assuntos – alguns – reconhecemos – até mesmo de natureza polêmica, procurando, sobretudo, provocar os pensamentos.

Conforme temos dito à saciedade, o Espiritismo, na revivescência do Cristianismo, é uma doutrina que, gradativamente, vem avançando, e há de avançar sempre – no que pese a posição excessivamente conservadora de certos confrades, que, talvez, tenham a função, inconsciente para eles, de não consentir que o seu avanço aconteça tão rapidamente que não permita, aos espíritos mais vagarosos, acompanhá-lo.

Hoje, no entanto, queremos ressaltar a importância de o espírito, esteja ele encarnado ou não, cultivar a bondade, em suas menores atitudes no cotidiano.

Chico Xavier, em determinada oportunidade, considerou com a propriedade de sempre: “Quem sabe pode muito; quem ama pode mais.”

Agostinho, o célebre Bispo de Hipona, um dos integrantes da Falange do Espírito Verdade, escreveu: “Ama e faz o que quiseres. Se calares, calarás com amor; se gritares, gritarás com amor; se corrigires, corrigirás com amor; se perdoares, perdoarás com amor. Se tiveres o amor enraizado em ti, nenhuma coisa senão o amor serão os teus frutos.”

A bondade é a expressão mais imediata do amor, acessível, em seu exercício, a todo e qualquer espírito que deseje começar a vivenciá-la em relação ao próximo.

Amar – pelo menos, digo isto em relação a mim, um pobre coitado! – é muito difícil – sinceramente, de minha parte, a não ser em Jesus Cristo, não sei a quem eu poderia apontar como sendo indiscutível modelo de amor.

Perdoem-me caso, porventura, vocês conheçam alguém que eu não conheça, e, sinceramente, gostaria de conhecer pela sua capacidade de amar.

Conheço inúmeros “saberetas” – dentro e fora do Espiritismo – muita gente de relativa cultura, erudição, que prima pela inteligência, que, às vezes, presume saber mais do que realmente sabe. Creio que, no que tange a real sabedoria, Sócrates, o pai da Filosofia, tenha feito quase todo mundo se calar, quando afirmou: “Só sei que nada sei.”

Entretanto – voltando ao assunto –, conheço muito pouca gente que notadamente se esforce no campo da bondade humana – não da Bondade Divina! Da bondade humana – repito.

Treinar a virtude da bondade, ou tal qualidade, na nossa impossibilidade atual de santidade, é algo que, de fato, deveria nos preocupar – cotidianamente. E isto se nos faz perfeitamente possível através de pequeninos gestos – mesmo porque de maiores gestos, talvez, não sejamos capazes.

Importante que procuremos reter conosco o conteúdo elucidativo de um livro, seja ele de ordem mediúnica ou não. Mas, importante também que, de todas as suas páginas, pelo menos um de seus parágrafos, ou uma de suas frases, nos inspire a sermos melhores do que somos.

Neste sentido, surge a CARIDADE – A ESCOLA DO CORAÇÃO!

Façamos a força que nos seja possível, até em certo revolver de entranhas, para vencer a enorme distância que nos separa de nossos semelhantes, pois ela ainda é muito maior do que pensamos.

Para começarmos, além de estendermos a moeda ao mendigo do semáforo, que, anonimamente, sempre nos aborda, na primeira oportunidade, perguntemos a ele o seu nome – e, em vez de fazermos mal juízo de sua condição de mendicante, tentemos nos penalizar de sua situação de carência material, e, muitas vezes, moral.

Em “O Evangelho Segundo o Espiritismo” – para estimulá-los a procurar o texto – aliás, como eu mesmo fiz – não vou dizer em qual capítulo –, há uma frase que ensina como os cristãos podem ser identificados: “Reconhecê-los-eis pelo perfume de caridade que espalham em torno de si.” Não sei por que, tal sentença sempre me remete a Chico Xavier, e, até hoje, fico me perguntando se o perfume que emanava ao seu redor pertencia mesmo a Scheilla!...

 

INÁCIO FERREIRA

 

Uberaba, 21 de junho de 2015.

 

 

 

 

 



Escrito por Dr. Inácio Ferreira às 05h58
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TRANSPARÊNCIA E VULNERABILIDADE

 

Muito difícil que, aos outros, alguém possa se mostrar qual é sem sofrer alguma espécie de retaliação.

Quase impossível que, emocional e intelectualmente, alguém se desnude sem receio de se revelar a uma sociedade repleta de preconceitos, e, a partir das religiões, extremamente moralista e castradora.

Compreensível, pois, que, até certo ponto, em relação às pessoas com as quais conviva, você adote uma postura de autodefesa – para, pelo menos, não ser comido vivo por elas.

Não estamos – óbvio – nos referindo a nenhuma espécie de máscara afivelada ao rosto, com a qual escolha viver sob tão rotineiro disfarce, que você próprio, mais tarde, não se reconheça, perdendo, assim, a sua identidade.

De muito poucos você poderia se aproximar na Terra ousando ser você mesmo, sem que recebesse rótulos alienantes – porque, infelizmente, poucos, ou pouquíssimos, são capazes de amar incondicionalmente – amar sem julgar, sem condenar, sem recriminar, sem humilhar, e até sem mais graves atitudes de violência. (como, por exemplo, atirar homossexuais do topo dos prédios, e, ainda, com as mãos cheias de pedras, esperá-los lá embaixo para, caso não tenham morrido da queda, acabar de assassiná-los)  

Não se trata de pessimismo, mas se você colocar o seu coração numa bandeja, entregando-o indiscriminadamente, correrá sério risco de ter os seus sentimentos espezinhados ou menosprezados – mesmo em se tratando de familiares consanguíneos próximos.

O que não se concebe, ou melhor, não se compreende, e deve ser algo inaceitável para você, é que, no intuito de dissimular a sua realidade interior, você viva enganando a si mesmo – mentindo a si próprio!

Crer-se virtuoso quando não seja, é uma ilusão terrível – das piores que pode acometer o espírito.

Não possuir, ou não se buscar possuir, consciência dos próprios limites, é estado de inconsciência dos mais doentios, que, inclusive, pode vir a ser causa de delírios e alucinações.

Você não tem a obrigação de deixar que, devassando-lhe as entranhas, os outros o conheçam, no entanto, tem, sim, a obrigação de se conhecer, sempre com maior lucidez, a partir da qual tenha condições de trabalhar as suas fragilidades e... superá-las.

Procure, pois, não desencarnar fazendo de sua vida uma mentira para você mesmo.

Não pense que a sua transparência possível no relacionamento com os semelhantes possa torná-lo frágil – as pessoas, em geral, para que se animem a fazer o mesmo, estão carecendo de exemplos de maior autenticidade.

Paulo, escrevendo aos Coríntios, no capítulo 12, versículo 10, grafou com perspicácia: “... quando sou fraco, então é que sou forte.”

Não nos esqueçamos do que nos ensina Jesus: carecemos de edificar a nossa casa íntima sobre a rocha da sinceridade, e não sobre a areia da falta de caráter.

O espírito, até quando erra, pode ser grande.

Fora com qualquer sentimento de autopiedade.

Preocupe-se com isto, não consentindo que, na ampulheta do tempo, um só dia escoe sem que, com o auxílio da consciência, você realize ainda que ligeiro exercício de transparência.

Não se habitue a enganar aos outros e a você – isso é um vício pior que cocaína!

A reconciliação que Jesus nos solicita buscar com os adversários é tão importante quanto à reconciliação que precisamos promover conosco – reconciliemo-nos, pois, conosco, na aceitação do que estejamos sendo, e sigamos adiante para que, um dia, venhamos a ser o que somos em nossa essência última.

 

INÁCIO FERREIRA

 

Uberaba – MG, 15 de junho de 2015.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 



Escrito por Dr. Inácio Ferreira às 11h17
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TRANSFIGURAÇÃO PSICOLÓGICA

 

O tema acima não é fácil de ser abordado – receio que, talvez, eu não me faça compreender. Mas, vamos lá.

Você já tentou reparar numa pessoa encarnada como quem estivesse olhando para a sua essência espiritual, ou seja, para o espírito que se encontra preso àquele corpo, com a sua fisionomia externa mais ou menos definida?!

Claro que poderia fazer isto com você mesmo, olhando-se num espelho, bem dentro de seus olhos, tentando realizar uma ausculta de seus pensamentos mais recônditos...

Todavia, apenas para efeito de melhor entendimento do que pretendemos, quando você estiver andando pelas ruas procure olhar atentamente não somente para os traços fisionômicos daquele que, muitas vezes, lhe sorri, sem a mínima vontade de fazê-lo...

Por exemplo, numa cidade grande, qual São Paulo: você se aproxima para solicitar alguma informação de um transeunte desconhecido, e ele, de imediato, se retrai, chegando mesmo a esboçar certo recuo físico, temendo a sua presença estranha – teme ser agredido, assaltado... Se educado o bastante para lhe esboçar alguma resposta breve, mais que depressa ele se afasta de você!

Não é assim que acontece em algumas ocasiões?!

Mesmo nas cidades de menor porte – interioranas –, você, estando doente, procura atendimento médico numa UBS – quase sempre, quem lhe atende não se mostra sensível à sua dor – preenche uma ficha quase sem olhar para você, ou, o que já seria muita deferência, lhe dirigir qualquer palavra de conforto.

O espírito em evolução é um ser estranho – estranhíssimo! As suas reações psicológicas são as mais imprevisíveis, e, quase sempre, ditadas por um profundo egoísmo que o desfigura.

O espírito parece uma ameba, que, do lado em que é estimulada em seu corpo unicelular, emite um pseudópode – alonga-se, para, em seguida, se contrair, feito uma lesma gosmenta.

Transfigura-se constantemente – é um ser mímico, ainda sem cara definida, e mesmo individualidade – cheio de personalidades que se sobrepõem umas às outras, mas ainda em busca de sua identidade real.

Impressionante reparar um espírito, seja no corpo ou fora dele, agindo e reagindo segundo os seus interesses exclusivos – impressionante vê-lo dizendo uma coisa e pensando em outra, sendo que mesmo sobre o que esteja pensando não é o que ele verdadeiramente pensa!

Impressionante conversar com uma pessoa sem conseguir lhe ver a face – porque, por detrás de sua mímica facial, ela não se lhe mostra como é – com a sua mente a orbitar ao redor de aspirações que podem estar localizadas a centenas e centenas de quilômetros dali! (Disse-nos Jesus: “Onde estiver o teu tesouro, aí também estará o teu coração.” Quer dizer: onde estiver o seu interesse, estará o seu espírito.)

Inútil, pois, que alguém, ao se lhe identificar, mostre a carteira de identidade, com foto, nome, filiação, data de nascimento, etc e etc, porque ela não é nada daquilo – aquilo é apenas uma cobertura de glacê sobre um bolo, que pode, ou não, ser palatável...

Sei que também eu sou assim, e, por saber que assim sou, estranho a mim mesmo, em minha quase incontrolável volubilidade espiritual – algo que, por falar, gritantemente, de minha imperfeição, me entristece imenso.

Ah, como é difícil ser transparente – deixar de fingir ser o que não se é! Como é difícil ser fraterno, e não apenas aparentar fraternidade!...

Você já viu, numa chocadeira, um pintainho morto dentro da casca do ovo?! - aquele embriãozinho encolhido e feio, sanguinolento, parecendo um aborto da Natureza?!

É assim que, espiritualmente, ainda somos...

Dentro do ser humano, por enquanto, há muito mais da víbora, da pantera, enfim, do animal que ele já foi que do homem que ele precisa e deve ser.

Faça tal exercício, e, comigo, entristeça-se de nossa ainda tão miserável condição espiritual – a de quem sequer possui uma face definida!...

 

INÁCIO FERREIRA

 

Uberaba – MG, 8 de junho de 2015.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 



Escrito por Dr. Inácio Ferreira às 05h19
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MISSIVISTA CANSADA

Minha irmã.
Recebi a sua carta, na qual você me diz que se encontra muito cansada de viver na Terra...
- Dr. Inácio – resumo a sua missiva de quase três páginas –, viver aqui embaixo anda muito difícil – muita violência, muita indiferença, da parte das pessoas, em geral, para com os semelhantes, muito materialismo imperando em quase todos os setores da existência... Antes, eu tinha muito medo de morrer, de deixar este mundo, mas agora, praticamente, estou perdendo quase todo o meu apego a ele... Não sei se a Humanidade vai ter jeito, não! Sou viúva, tenho filhos, mas eles já se encontram criados, cuidando dos filhos deles, meus netos queridos. Eu já sou vovó, no entanto, quase ninguém liga para os idosos... Vivo sozinha, em minha casa, quase a maior parte do tempo, cuidando de pequeno jardim e de alguns vasos com samambaias e avencas. Tenho uma gatinha por companhia – uma gatinha e um cachorrinho vira-lata: eles se dão muito bem – chegam a dormir juntos! Os animais, seres irracionais, parecem se entender melhor que os homens, o senhor não acha?! Penso que onde o senhor vive, no Mundo Espiritual, existem menos problemas que na Terra – as pessoas são mais sinceras, transparentes e... amorosas.
Foi justamente neste trecho de sua carta, minha irmã, que eu resolvi, deste Outro Lado da Vida, colocar meu notebook mediúnico para funcionar, a fim de lhe enviar uma resposta – e também por que, escrevendo a você, acredito que o esteja fazendo a dezenas de outras pessoas com as quais me encontro em pendência epistolar. Sim, porquanto, infelizmente, por mais me esforce, não tenho conseguido por a minha correspondência em dia.
Não se equivoque, pois aqui, no Mundo Espiritual, não existem menos problemas que na Terra, não! Se a sua vontade de desencarnar estiver sendo motivada por isto, é melhor que você se demore por aí pelo tempo mais longo possível...
Aqui, minha cara, está cheio de gente desencarnada – homens e mulheres que, apesar da morte, continuam sendo as mesmas mulheres e os mesmos homens de sempre! Viram que não morreram e, com o propósito de festejar a própria imortalidade, resolveram deixar a sua vida seguir como dantes – continuam até duvidando da existência de Deus, e, pasme, a maioria transferiu a sua incerteza em relação à sobrevivência para a sua próxima etapa existencial...
Deixa-me explicar: quando encarnados, muitos duvidavam de que a vida pudesse prosseguir além da morte de seu corpo físico, e, agora, estando desencarnados, duvidam de que a vida possa continuar além da morte de seu corpo espiritual... Entendeu?! Se não, devo dizer a você que é complicado mesmo.
Não se aperreie, não, porque a Humanidade vai ter jeito, um dia! Quando será, com todo o respeito, creio que nem Jesus Cristo arriscaria um palpite... Aliás, o Divino Mestre, falando sobre a vinda do Filho do homem, quando findasse a “grande tribulação”, esclareceu: “Mas a respeito daquele dia e hora ninguém sabe, nem os anjos dos céus, nem o Filho, senão somente o Pai.”
Convém, pois, que pense que, se os seus filhos, e mesmo netos, não precisam de sua presença na Terra, a sua gatinha e seu vira-lata precisam, por que, caso você venha a desencarnar, quem haverá de adotá-los?! Quem haverá de cuidar de suas flores e de seus lindos vasos de avencas e samambaias, com os quais você procura tornar um pouco menos árida a paisagem moral deste mundo, em que uma bala de fuzil, feita pela mão do homem, vale muito mais que uma rosa, feita pela Mão de Deus?!...  
Não, não queira vir para cá agora, não! – você vai se decepcionar! Neste suposto “andar de cima” ainda faz muito barulho, quase tanto quanto neste “andar de baixo”, onde os ruídos apenas diminuem quando a lâmpada do Sol se apaga no firmamento, mergulhando a Terra em quase completa escuridão – se não fosse pela bênção da noite, os homens enlouqueceriam pelo grande barulho que fazem a si mesmos durante o dia!
Não se preocupe. Quando, pela Vontade de Deus, você vier para cá, haverá muitos jardins à espera de suas mãos de jardineira devotada e muitos bichanos e vira-latas, na expectativa do amor que você lhes possa dedicar.
De seu irmão menor –
 
INÁCIO FERREIRA
 
Uberaba – MG, 1 de junho de 2015.

 

 



Escrito por Dr. Inácio Ferreira às 08h04
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MUITO DIFÍCIL

 

Difícil entender certos espíritas –

Em sua prepotência e arrogância intelectual...

Em seu menoscabo por irmãos de crença...

Em sua sistemática censura aos outros...

Em sua vaidade e personalismo...

Em seu desejo de monopólio no campo da livre opinião...

Em seu pessoal achismo...

Em seu pretenso saber doutrinário...

Em sua ambição de poder...

Em sua soberba espiritual...

Em seu vedetismo...

Eu não sei – para mim, sinceramente, tem muita coisa errada conosco, e fico pensando no que haveria de ser caso os espíritas, em vez de sermos, no Brasil, cerca de 2% de população, viéssemos ser a maioria populacional!

De minha parte, não tenho dúvidas de que faríamos pior do que os mais extremistas dos religiosos andam fazendo por aí.

Acenderíamos fogueiras...

Excomungaríamos...

Condenaríamos ao silêncio...

Perseguiríamos...

Rotularíamos...

Certa vez, em um de seus momentos de compreensível indignação, disse Chico Xavier: “O Espiritismo é uma doutrina maravilhosa, mas, infelizmente, são os espíritas que a estragam.”

Ele, como sempre, estava coberto de razão.

Mas, os espíritas que estragam o Espiritismo não são fulano e beltrano – somos eu e você!

Sim, porque a nossa tendência é a de sempre procurarmos a culpa em alguém, e não em nós mesmos.

Pode até ser que você não faça o mal, mas porque você silencia o bem, concede ao mal o seu endosso.

- Ah – talvez muitos digam –, mas eu sou um paladino da pureza doutrinária! Eu sou... – engrossa o pescoço e boqueja algo incompreensível.

Cuidado com tal sofisma, porque, não faz muito, os que se erigiram em paladinos da fé religiosa ficaram com as mãos sujas de sangue... Alguns chutaram imagens religiosas em programas televisivos... Outros, ainda hoje, explodem bombas a esmo, ceifando milhares de vidas... Mais outros empreendem sistemáticas campanhas difamatórias...

Espiritismo, meu caro, é você com a sua consciência, e mais ninguém!

Espiritismo é a porta estreita a que se referiu Jesus Cristo – de tão estreita que é, nem o seu guia espiritual poderá atravessá-la com você!

Espiritismo é cruz nos ombros sem nenhum cirineu por perto! – Jesus Cristo mereceu um, mas nós, com certeza, não merecemos nenhum.

Espiritismo é comprometimento individual com a Verdade – testemunho solitário na solidariedade!

Espiritismo é cansar a mão de quem nos bate na cara – muito embora, por vezes, a nossa vontade seja a de revidar com um direto no queixo de quem se julga com autoridade para nos espancar!

Ser espírita com um estilingue na mão é fácil – eu quero ver é ser espírita-vidraça!...

 

INÁCIO FERREIRA

 

Uberaba – MG, 24 de maio de 2015.

 

 

 

 

 



Escrito por Dr. Inácio Ferreira às 15h31
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CONSELHO DE ESPÍRITO CHULO

Há pouco, pelas mãos do médium, chegou-me uma das muitas cartas que tenho recebido da Terra... O amigo que me escreveu, assim resumiu a sua situação:
- Dr. Inácio, peço ao senhor um conselho... O Centro Espírita que frequento não me deixa fazer nada – ou melhor, os seus dirigentes não me deixam fazer nada! Não posso dar passes, não posso participar da reunião mediúnica – estou lá há mais de dez anos –, não me deixam sequer entrar na cozinha na hora da sopa, não me chamam para uma reunião de Diretoria... Limito-me a ser um simples espectador. Quero trabalhar, me sentir útil em alguma coisa, mas não me deixam... O motivo, segundo creio, foi por eu dizer que tenho simpatia pelas obras do senhor – de lá para cá, passaram a me olhar como se eu estivesse obsidiado... Se puder, oriente-me. Sou um tanto conservador, o Centro é perto de minha casa, frequento lá há muito tempo – a minha mãezinha, que já desencarnou, era médium passista lá... O que o senhor me diz? Por favor, não sei se merecerei a sua resposta. Abraço do amigo e admirador – José S.
Meu irmão, qual é de meu costume, vou ser curto e grosso: saia desse Centro... Não existe só ele, não! Desapegue-se! Um dia, você vai ter que deixar o próprio corpo... Procure outra Casa mais aberta para frequentar – uma Casa em que a mentalidade de seus diretores seja mais aberta, e, sobretudo, em que eles sejam mais fraternos – em que os seus diretores não preguem o que não praticam!
O ideal seria que você alugasse uma casinha pequena na periferia da cidade em que mora, e abrisse um novo campo de trabalho no qual conseguisse dar expansão ao seu ideal de servir – sem tanto patrulhamento ideológico.
Alugue um barracão, com um banheiro ou uma fossa sanitária, consiga algumas cadeiras e bancos, duas lâmpadas – uma no pequeno salão e outra na câmara de passes –, e, na parede externa do humilde prédio, escreva: Centro Espírita “Chico Xavier”!
Sobre a mesa, que pode ser de um metro por um metro, um vasinho de flores do campo e um exemplar de “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, outro de “O Livro dos Espíritos” – e, o mais importante, não se filie a nenhum órgão de Unificação, porque, caso contrário, dentro de algum tempo, você estará sendo inspecionado lá para saber se está agindo doutrinariamente correto...
Aparecerão alguns “generais” e “generalas”, sem divisa espiritual nenhuma, para ensinar a você como o passe deve ser dado, como o Estatuto deve ser escrito, como, enfim, na condição de soldado raso, você deve bater sentinela para eles...
Mande esse pessoal às favas – mande-os cuidar da própria vida!
Se tiver um dinheirinho sobrando, copia os ditos da placa que Chico Xavier, cansado dessa gente, mandou escrever e fixar numa das paredes internas do “Grupo Espírita da Prece”, em Uberaba: “Aqui, com o nome de Grupo Espírita da Prece”, funciona o Culto do Evangelho no Lar, do irmão Francisco Cândido Xavier, em casa de sua propriedade.”
O recado ficou mais do que claro: vão dar palpite na Casa de vocês, porque aqui é a “minha” Casa – aqui, em primeiro lugar, manda Jesus Cristo, e, depois, mando eu!
Faça isto, meu caro, pois, caso contrário, para você ter uma chance de trabalhar aí nesse Centro, você vai ter que esperar pela desencarnação dos “cabeças” da Diretoria – e tem gente que não morre de jeito nenhum! São múmias reencarnadas – receberam formol em excesso e ainda se acreditam vivendo debaixo de uma pirâmide!
Quanto ao seu carinho pelas nossas obras mediúnicas, digo a você que as escrevemos apenas e tão somente em função da maior divulgação das Obras Mediúnicas de Chico Xavier! Desafio que nelas alguém encontre qualquer ponto considerado antidoutrinário... Dizem que a sua linguagem é “chula” – ora, mais sendo eu um espírito chulo, queriam que a linguagem fosse como?!...
No mais, o meu carinho e a minha solidariedade. E não se esqueça do que disse Jesus aos seus discípulos: “Mas, onde quer que não vos receberem, saindo daquela cidade, sacudi o pó dos vossos pés...”
 
INÁCIO FERREIRA
 
Uberaba – MG, 18 de maio de 2015.

 

 

 



Escrito por Dr. Inácio Ferreira às 08h02
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