A RECOMENDAÇÃO DO ANJO Conta-se que, na presença de experientes amigos, o espírito que se candidatava a novo corpo na Terra, ouvia-lhes as sábias e justas recomendações: - Meu filho – falou um instrutor –, se deseja vencer nas lutas do mundo, não se afaste do Dever de cada dia... Atender à obrigação é o alicerce da felicidade! - Perseverança! – exclamou antigo companheiro. – Esta é a chave para a vitória que almeja... Ah, devo tudo o que sou à minha capacidade de determinação! - Concordo – disse um terceiro –, mas, de minha parte acrescento: desenvolva a virtude da Paciência, pois, sem ela, perseverar no cumprimento do dever é quase impossível... Uma senhora que, até então, permanecera calada, opinou com extremo cuidado: - Tenho para comigo que o Silêncio nos é extremamente útil ao êxito em qualquer empreendimento de natureza espiritual... Sei disto por mim mesma, que consegui tudo vencer sem, ao menos, quando chamada a falar, erguer o tom da voz! Em seguida, outra, de aparência mais jovem, emendou: - Recomendaria a você que não se esquecesse da Oração... Ah, meu amigo, a prece foi sempre o meu maior apoio nas horas de aflição!... E os conselhos se multiplicavam, através dos votos que, sinceramente, eram formulados ao espírito que, numa caderneta, tudo ia anotando, circunspecto. - Meu irmão – exprimiu-se um jovem de transcendente leveza –, a Renúncia! Sem que saiba renunciar, ninguém triunfa no campo do apego e das tentações... - Renúncia, no entanto – ponderou um senhor de cabelos grisalhos –, inclui a necessidade de Abnegação... Sem negar a si mesmo, o homem será vitimado pelo egoísmo!... - Outra coisa de relevância – replicou venerável dama de mãos pequenas e luminosas –, é a prática da Caridade, responsável pelo exercício de todas as virtudes precedentes aqui lembradas pelos nossos irmãos... - Sim, concordo – redarguiu uma entidade em cujo peito, à altura do coração, esplendia maravilhosa luz –, mas sem o Perdão, principalmente às ingratidões recebidas, tudo fica muito mais difícil... Talvez, por isto, para que jamais o olvidássemos, o Perdão foi o último ensinamento que Jesus nos legou!... Neste instante, porém, na Dimensão Espiritual em que se reuniam, surgindo de improviso, diminuto foco de luz foi tomando delicada forma. Instintivamente, todos se afastaram e permitiram que um círculo se fizesse, no centro do qual o espírito de elevada hierarquia, aos poucos, se materializasse. Sem saber explicar o motivo, o espírito candidato à reencarnação e todos os demais presentes se sentiram tomados por súbito sentimento de alegria que, naturalmente, os envolveu em contagiante vibração de paz. Após saudar a todos com abençoado sorriso nos lábios, o espírito angelizado se aproximou e falou com espontaneidade: - Todas as recomendações que foram transmitidas a você são de grande significado... Anote-as sim e faça força para memorizá-las! Se me permite, no entanto, desejo que ao final da preciosa lista, você acrescente a minha fraterna recomendação, por indispensável complemento a todas as virtudes que aqui foram enumeradas. Ante a expectativa que se fez natural, a entidade que de tão alto descera, recordou importante estratégia que, de tão humana, quase sempre os homens dela se esquecem para superar as suas pelejas do cotidiano. - Bom Humor! – frisou o espírito com simpatia. – Porque o caminho para os Cimos não é feito apenas de dores e lágrimas!... E sem mais nada dizer, ao se despedir sempre sorrindo, todos, então, souberam que, naquele momento, eles haviam recebido a visita do Anjo de Alegria!... · Feliz Natal a todos e 2012 repleto de bênçãos. INÁCIO FERREIRA Uberaba – MG, 13 de dezembro de 2011. NOTA DO MÉDIUM: De comum acordo com o autor espiritual, este Blog estará de volta no próximo mês de março.
Escrito por Dr. Inácio Ferreira às 05h24
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ALGUMAS SUGESTÕES PARA MELHOR ESTUDAR UM LIVRO ESPÍRITA Irmãos e irmãs: Jesus nos abençoe. Apresentamos hoje, de maneira sucinta, algumas sugestões nossas para mais bem estudar um livro espírita, apreendendo o seu conteúdo. 1º - Não estude Espiritismo em apostilas – estude diretamente nos livros. 2º - Não tenha pressa em chegar ao fim de uma obra, porque uma obra bem estudada vale por dez mal estudadas e por outras dez tão somente lidas. 3º - Esteja sempre com uma caneta nas mãos, destacando sentenças e efetuando anotações à margem – no próprio livro, não tem importância! 4º - Sobre determinados temas, não hesite em consultar outras obras que possam enriquecer o seu aprendizado – mesmo não espíritas! 5º - Se não entendeu o assunto, leia-o de novo e torne a lê-lo, recorrendo, inclusive, à prece que possa auxiliá-lo em sua melhor compreensão. 6º - Na primeira oportunidade, troque ideias com amigos de sua confiança sobre os textos que não lhe ficaram suficientemente esclarecidos. 7º - Ter um dicionário ao lado sempre ajuda, e muito. 8º - Procure refletir sobre o que está sendo estudado – sempre que possível, procure extrapolar o texto – não é proibido! 9º - Confronte os capítulos anteriores com os posteriores, e vice-versa. 10º - Não tenha dó de seu livro e, sobretudo, não tenha preguiça, pois, caso contrário, o seu livro espírita será apenas um livro a mais em sua bela estante. Em seguida, vamos apresentar um pequeno texto extraído do livro intitulado “Sementeira de Paz”, de Neio Lúcio, psicografado por Chico Xavier, editado pelo “Vinha de Luz – Serviço Editorial”. Uma obra fantástica, contendo mensagens inéditas que Chico psicografou nas décadas de 46 a 48, em Pedro Leopoldo. Reunião do dia 3 de março de 1948, na página que se nomeou “A Vida na expressão da Eternidade”: “Nem todos aqui guardamos a capacidade de memorização absoluta do passado remoto. Alguns milhões de mentes desencarnadas não chegam a perquirir nem mesmo os fenômenos da existência penúltima, em face dos abalos experimentados de uma à outra desencarnação.” Agora estudemos o texto, enumerando algumas conclusões: - nem todos os desencarnados guardam lembranças nítidas de suas últimas existências – ficam registradas apenas em seu subconsciente. - a questão é tão complexa que milhões de espíritos sequer chegam a ter lembranças de sua “existência penúltima”, ou seja, de uma sua existência mais recente. - “abalos experimentados de uma à outra desencarnação”... O que significa? Atravessar de uma Dimensão à outra, para a maioria dos espíritos, é um problema que afeta a memória. - os espíritos não levam para a Terra reminiscências do Plano Espiritual. Vocês já notaram isto? - certos espíritos sequer voltam ao Plano Espiritual conservando lembranças mais claras de sua derradeira existência na Terra. - o Mundo Espiritual, pois, para certos espíritos, é mais novidade que o Mundo Físico, que, para eles, é maior ponto de referência de sua própria existência. Está aí o exemplo que nós queríamos dar, refletindo apenas e tão somente sobre duas frases dentro de mensagem repleta de ensinamentos e revelações. Poderíamos, sim, continuar a explorá-las, efetuando outras ilações de caráter doutrinário, e, mais que doutrinário, filosófico, não obstante, esperamos que vocês façam o resto. Um abraço. Inácio Ferreira Uberaba – MG, 6 de dezembro de 2011.
Escrito por Dr. Inácio Ferreira às 05h13
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SOLICITAÇÃO DE AMIGOS
Alguns amigos nos têm escrito, solicitando com sinceridade: - Dr. Inácio, prefiro quando o senhor escolhe temas edificantes para abordar no Blog... - Peço ao senhor que, deixando o Movimento Espírita para lá, nos traga mais informações do Mundo Espiritual... - Desenvolva conosco temas de estudo, Doutor?!... Esqueçamos as polêmicas... Creio ter a obrigação de dizer aos irmãos e irmãs que nos escrevem que, particularmente, concordo com vocês. Para mim, seria mesmo bem mais fácil e cômodo tratar apenas e tão somente de temas amenos, que não suscitassem aborrecimentos. Peço a vocês, no entanto, que se coloquem no meu lugar, na condição de espírito que guarda plena consciência de muito já ter contemporizado com o erro, em vidas que já se foram. Eu não sei se vocês estão lembrados da resposta que São Luís, no capítulo X, item 21, de “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, deu a Kardec, quando ele perguntou: “Haverá casos em eu convenha se desvende o mal de outrem?” – “É muito delicada esta questão e, para resolvê-la, necessário se torna apelar para a caridade bem compreendida. Se as imperfeições de uma pessoa só a ela prejudicam, nenhuma utilidade haverá nunca em divulgá-la. Se, porém, podem acarretar prejuízo a terceiros, deve-se atender de preferência ao interesse do maior número. Segundo as circunstâncias, desmascarar a hipocrisia e a mentira pode constituir um dever, pois mais vale caia um homem, do que vierem muitos a ser suas vítimas. Em tal caso, deve-se pesar a soma das vantagens e dos inconvenientes”. Então, realmente, eu fico sem saber qual a pior atitude: alegando caridade, ser omisso e indiferente perante certos equívocos, ou, com a fraternidade possível, não deixar de expressar o próprio pensamento a respeito desta ou daquela questão que, por exemplo, envolva o futuro da Doutrina... Por que será que Jesus, no Sermão das Bem-Aventuranças, terá recomendado àqueles que o ouviam: “Seja, porém, a tua palavra: Sim, sim; não, não. O que disto passar, vem do maligno”?! No livro do “Apocalipse”, capítulo 3, versículo 16, está escrito: “Assim, porque és morno, e nem és quente nem frio, estou a ponto de vomitar-te da minha boca...”. Coisa terrível, ser vomitado da “boca” do Senhor, não é?! Então, sinceramente, eis como eu penso: ninguém quer prender o marginal, mas acha que ele deve ser preso! Quando, porém, o policial prende marginal, muitos aparecem para dizer: - “Coitadinho, não precisava ser algemado... Vocês viram o jeito com que ele foi jogado dentro do camburão?! Isto é falta de humanidade... Policiais mal preparados, truculentos...”. O problema é que muita gente, a fim de não assumir responsabilidade, quer fazer justiça com a justiça dos outros, falando mais ou menos assim: - “Ah, ainda bem que não fui eu... Fulano vai para o inferno, mas eu vou para o Céu!...”. Sinto dar a você que assim imagina uma informação da qual, evidentemente, você não vai gostar: não vai, não! Você não irá para o Céu! A boa notícia é que, com certeza, também não irá para o inferno! Não sendo quente nem frio, o perigo é ser vomitado – não se sabe onde!... Deixando a brincadeira de lado – sim, porque espírito que se preza não pode ter senso de humor! –, permitam que eu lhes diga o seguinte: ninguém precisa tratar o marginal com desumanidade, mas ele precisa ir para a cadeia! Eu não seria tão hipócrita, ao ponto de aparecer aqui e dizer a vocês que não desejo ver todos os traficantes de drogas na cadeia! Todo o sequestrador na cadeia! Todo estuprador na cadeia! Todo corrupto na cadeia! Desejo, sim, e com aquelas esferas pesadas amarradas nos tornozelos, quebrando pedras por um bom tempo!... Compreendam que eu já passei daquela fase de escrever ou de falar para agradar, para “sair bem na foto”, para que as pessoas me achem bonzinho, ou para que continuem a ler os meus livros... Prometo, sim, me comportar, mas sempre que tiver algo a dizer, reivindico para mim o direito de fazê-lo! Humildemente, aceito e registro todas as solicitações dos irmãos e das irmãs que, com certeza, estão querendo me poupar de constrangimentos, mas, nisto tudo, há algo que não pode ser esquecido: eu preciso estar bem é com a minha consciência!... O que acham, ou deixam de achar de mim, com todo o meu apreço aos que comigo se preocupam, sinceramente, é irrelevante!... INÁCIO FERREIRA Uberaba – MG, 29 de novembro de 2011.
Escrito por Dr. Inácio Ferreira às 08h29
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OS BRAÇOS DO MUNDO ESPIRITUAL Sim, meus irmãos, são vocês os braços do Mundo Espiritual sobre a Terra! Não há nada mais belo, pois, que vê-los se movimentando, em solidariedade, no amparo uns aos outros. São de médiuns assim que necessitamos, para que, unidos, possamos construir um futuro melhor para a Humanidade. Aqui, onde nos encontramos, procuramos proceder da mesma maneira, em relação às ideias que nos chegam dos Planos Superiores, inspiradas por aqueles que já não mais pertencem ao mundo da forma que ainda nos caracteriza. Entrelaçando, pois, ideias e, sobretudo, braços operosos no Bem, é que lograremos concretizar os nossos sonhos de felicidade comum. Erguer braços ao Céu, não apenas em manifestação de fé, através da prece, mas, sobretudo, para fazer com que o Céu desça a Terra e se torne realidade entre os homens. Nenhuma tarefa de amor é desprezível! O verdadeiro santo é aquele que, estando a um passo da Plenitude, ao ouvir o clamor de quem sofre, não hesita em retroceder e, de novo, mergulhar nos abismos escuros da dor a fim socorrê-la. Por este motivo, não acreditem que os Espíritos Superiores estejam desfrutando de um jardim de delícias, esquecidos dos corações que soluçam na retaguarda... Não! Desde que o Cristo “desceu” do trono de sua glória e se corporificou sobre a Terra, espírito algum, por mais elevado, possui suficiente moral para se conservar indiferente àqueles que não conseguem lhes acompanhar os passos em sua sublime ascensão. Assim, quanto puderem, incorporem as inspirações que, das Esferas Resplendentes, lhes vertem em cascatas de luz, e mãos à charrua! Não acreditem que a Terra, para que possa se transformar no mundo melhor que todos nós esperamos seja de maneira diferente... Promoção espiritual não se faz por decreto! Anjos não aparecerão sobre as nuvens, fazendo soar os seus clarins e procedendo a leitura de bulas divinas que ordenem a extinção do mal entre as criaturas... A revolução promovida pelo verdadeiro amor, que é aquele que Jesus nos ensinou, há de começar de baixo para cima, pelos exemplos de abnegação dos espíritos que compreenderem que somente “a lei de amor substitui a personalidade pela fusão dos seres; extingue as misérias sociais. Ditoso aquele que, ultrapassando a sua humanidade, ama com amplo amor os seus irmãos em sofrimento!” Bem-aventurado, portanto, o que podendo fazer o que considera pouco, busca fazer o que faz com grandeza! A Caridade, como escreveu Meimei, pela mão abençoada de Chico Xavier, tem o tamanho do coração. Bem-aventurado o que doa um livro, uma palavra, um sorriso... Bem-aventurado o que efetua uma visita ao doente, profere uma oração ao pé de seu leito e lhe transmite um passe! Bem-aventurado o que, não raro, à luz do lampião, abre as portas da casa espírita humilde e se dispõe a ler as páginas do Evangelho para os seus humildes frequentadores! Bem-aventurado o que, percebendo chegar o Natal, data em que comemoramos o nascimento do Salvador, se coloca em ação nas campanhas das cestas básicas que, em nome Dele, e em honra Dele, haverão de ser distribuídas, muito mais no sustento da fé do que no alimento de estômagos famintos! Bem-aventurado, enfim, o que não permanece na expectativa de soluções mágicas para os problemas que atormentam a Humanidade, e, não podendo trabalhar como mestre-de-obras na construção do Reino Divino, que, devagar, se levanta, toma a lata de massa sobre os próprios ombros e, na condição de anônimo servente, se sente feliz por cooperar com os pedreiros!... Meus irmãos, não esperemos do próximo a iniciativa que compete a nós! Não nos esqueçamos de que, tendo nascido como criança indefesa em meio à hostilidade dos homens, no começo de seu ministério, Jesus era sozinho, e até agora, passados mais de dois mil anos, não desistiu de nós, que, infelizmente, ainda não nos decidimos a segui-Lo de uma vez para todo o sempre!... INÁCIO FERREIRA Uberaba – MG, 22 de novembro de 2011.
Escrito por Dr. Inácio Ferreira às 05h20
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VOCÊS ME DESCULPEM! Vocês me desculpem, mas precisamos nos esforçar para, em nosso Movimento, acabar com esta história de médium afetado, orador afetado e dirigente espírita afetado. O assunto é tão sério que, tendo muita vontade de brincar – utilizando, por exemplo, em vez do termo “afetado”, o verbo “infestado” –, prometo que não vou. Carecemos, urgentemente, de combater a idolatria, o incensamento, enfim, a adulação a certos companheiros, que, infelizmente, com ela se comprazem, e quanto! Não façamos isto, porque estamos concorrendo para criar perigosas ilusões na cabeça de muita gente de valor, inclusive de jovens seareiros que despontam promissores, e que, sendo comuns, completamente perdidos começam a se achar... Ora, o espírita é uma pessoa qualquer – pode não ser vulgar, e deve procurar não ser, mas é um ser humano, passível de cometer os mesmos equívocos que outros cometem, e até piores. Infelizmente, o Movimento Espírita está se perdendo em meio a tanta pompa e circunstância... É confete e serpentina em excesso, em carnaval que dura o ano inteiro! Essa história de que fulano é médium, orador ou líder espírita, e, por isto, deva ser tratado com deferência, está passando das medidas – isto é coisa de quem chegou ao Espiritismo e não cresceu! Parece até que médium espírita, por mais famoso, não come e não bebe, não assua o nariz e não vai ao banheiro. Reconheço que, infelizmente – de novo! –, muitos médiuns fazem questão de sustentar este “oba, oba” em torno de si. Gostam de ser rodeados e bajulados, formando um séquito à sua volta – reminiscência do tempo em que, com certeza, foram barões ou duques, ou recalque por nunca terem possuído um título de nobreza! Outra coisa: médium, seja ele qual for, não está em constante contato com os Espíritos Superiores. Sobre a Terra, o único médium espírita em tempo integral foi Chico Xavier! O resto, meus amigos, vê de vez em quando, escuta de vez em quando, sente de vez em quando – pelo menos, em relação aos Espíritos Superiores! Agora, no que tange àqueles que se encontram nos primeiros degraus de baixo da Escala, não, pois eles estão por aí na condição de comensais dos encarnados, se imiscuindo, e se promiscuindo, nos assuntos da vida cotidiana. Vocês, companheiros de Ideal, necessitam de parar de formar seletas mesas nos Congressos e Simpósios que organizam... O Espiritismo surgiu para fazer alguma diferença, e não para fazer igual! Parem de ler currículos dos oradores convidados, e mesmo de ovacioná-los, como se fossem deuses do Olimpo! Na revivescência do Evangelho, a Doutrina Espírita é mensageira de novos paradigmas para a Humanidade. Em vez de aplausos e deferências a esse ou àquele irmão que vem se destacando pelo seu trabalho em prol da Causa, oremos para que ele persevere e para que, sobretudo, não venha a ser mais uma vítima do melindre, da vaidade e do elogio. Outra coisa: acabem com a chamada sala “Vip” nos Congressos... O que é isto?! As salas “Vips” dos cristãos primitivos eram as catacumbas e as arenas do martírio! Como é que, com tantas distorções, o Espiritismo conseguirá reviver o Cristianismo dos tempos apostólicos?! Vocês me desculpem, mas muita gente está fazendo tudo errado! Eu conheço um médium que, depois que foi chamado de “grande”, praticamente enlouqueceu... Vocês conhecem aquela história da mulher que queria tomar passe com Chico Xavier? O Chico andava muito ocupado e, naquele exato momento, não pode atendê-la. Mais tarde, ela o procurou no Centro, o destratou na frente de todo mundo, perguntando o que ele achava que era... Eu sei que a mulher o “descascou”. E, depois, disse a ele assim: - “Agora, seu cachorro, eu vou sentar ali no banco e você vai me dar um passe...” Sinceramente, eu acho que essas irmãs “possessas” andam fazendo falta ao Movimento – porque ninguém anda mais tendo coragem de chamar os médiuns, oradores e líderes espíritas de “poodle”, e colocá-los em seu devido lugar! Vocês me desculpem a piada. Confesso que resisti quanto pude! Um abraço. INÁCIO FERREIRA Uberaba – MG, 15 de novembro de 2011.
Escrito por Dr. Inácio Ferreira às 05h08
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A BEM DA VERDADE Com indispensável espírito de crítica à Doutrina que professamos, a fim de que não venhamos a incorrer no equívoco do dogmatismo, analisemos as obras do chamado Pentateuco Kardeciano. O LIVRO DOS ESPÍRITOS: extraordinária obra que encerra os Princípios Básicos, inamovíveis do Espiritismo, e que, em seus fundamentos, jamais será ultrapassada. Não obstante, em sã consciência, não podemos afirmar que encerre toda a Verdade, que, em seu natural dinamismo, sob a ótica da Fé Racionada, sempre haverá de acompanhar as luzes do entendimento humano. O LIVRO DOS MÉDIUNS: trabalho excepcional e sem precedentes na história do Espiritualismo, através do qual o Codificador, por assim dizer, regulamentou, de maneira ética, o intercâmbio entre os Dois Planos da Vida. Todavia, mais direcionado para a orientação da mediunidade de natureza psicográfica, e publicado em 1861, não contém informações mais abrangentes sobre os vários aspectos mediúnicos da atualidade. O seu mérito indiscutível foi o de, principalmente, separar mediunidade de obsessão, concedendo cidadania aos médiuns que, até então, eram considerados na condição de alienados mentais. O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO: das obras que constituem o Pentateuco, em nossa sincera opinião, é sempre a mais atual, de vez que, apoiando-se nos ensinamentos de Jesus, enfeixam as “palavras de Vida Eterna”, com aplicação prática indispensável à evolução do espírito. Dos livros da Codificação, contrariamente ao que dizem certos críticos, consideramos que, sob o aspecto doutrinário, ele seja mesmo o único a não exigir necessários desdobramentos. O CÉU E O INFERNO: este quarto volume da Codificação Espírita nos conduz ao limiar da vida do espírito no Mundo Espiritual, e, da época em que foi escrito até agora, tem importância fundamental para o melhor conhecimento de como funciona a Lei de Causa e Efeito. Nele, Allan Kardec abriu espaço para o depoimento dos habitantes comuns da Vida além da morte, com o propósito de que a visão dos homens sobre ela não se restringisse à opinião dos Espíritos Superiores. Importante ensaio para as revelações que, cerca de um século depois, caberia a André Luiz, através da mediunidade de Chico Xavier, dar legítima continuidade. A GÊNESE: das Obras consideradas básicas, talvez seja, pela sua própria natureza, a menos completa, porque, com um enfoque mais científico da Criação, esteve e está sujeita às constantes descobertas no que tange à maior aproximação da realidade concreta, principalmente do seu capítulo VI ao X! Em alguns trechos destes referidos capítulos, têm-se a participação espiritual de Galileu Galilei, pela mediunidade do jovem astrônomo Camille Flammarion, que, nos conceitos exarados, não hesitou em declarar a relatividade de seus conhecimentos. Assim sendo, diz-nos o bom senso que não se deve limitar o conhecimento do Espiritismo apenas e tão somente a Allan Kardec, sumariamente rotulando de antidoutrinário o que não esteja explícito nas obras de sua lavra. Por outro lado, isto não significa dizer que toda revelação proveniente do Mundo Espiritual, através desse ou daquele médium, deva ser acatada e incorporada à Doutrina, sem que, antes, passe por criteriosa análise dos estudiosos e pesquisadores. Para mim, particularmente, e para inúmeros espíritos de minha condição, a Obra mediúnica realizada por Chico Xavier, representa, pois, um avanço no conhecimento espírita como um todo, com destaque para os livros de autoria de Emmanuel e André Luiz, que, por sua vez, se fizeram intermediários de elevados Instrutores. Passados já 154 anos do lançamento de “O Livro dos Espíritos”, sob pena de estagnação doutrinária, e injustificável ortodoxia, em matéria de Espiritismo não podemos nos ater apenas e exclusivamente a Kardec, embora ele se constitua para nós em valioso ponto de partida e inquestionável referência. É chegado o momento de o Espiritismo, como filosofia interessada no conhecimento pleno da Verdade, sem, no entanto, jamais abdicar da figura do Cristo, interagir com outros ramos do conhecimento humano, estabelecendo com todos eles indispensável conexão. Não devemos – é o meu ponto de vista – continuar propagando que tenhamos no Espiritismo um “Kardecismo”, quando, em verdade, o que nele temos é o Cristianismo em sua mais pura essência! Que não nos falte, portanto, o indispensável discernimento para não fanatizarmos em Kardec, como se o Espiritismo, a partir de Kardec mesmo, mais nada tivesse para nos oferecer. INÁCIO FERREIRA Uberaba – MG, 8 de novembro de 2011.
Escrito por Dr. Inácio Ferreira às 05h23
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BRAVO?! EU?!... Não, minha filha, não me interprete mal. Eu não sou assim tão bravo com os espíritas, e com os médiuns, mesmo porque não disponho de autoridade moral para tanto. Reconheço, sim, qual seja o meu lugar, e me coloco lá entre os últimos da fila. O meu problema, talvez, seja excesso de zelo. Tenho visto tanta gente se desviar do bom caminho!... Prefiro (eu não gosto desta palavra, mas vou empregá-la) pecar por extrapolar em meu afeto, que me omitir. Alguém, em nosso Movimento, precisa fazer o papel de “advogado do diabo”, concorda?! Na falta de coragem de outros para tanto, que este alguém seja eu, que a nada aspiro. Não me importa que, sendo incompreendido, desperte a antipatia de muitos. Reconheço, por outro lado, que há quem se esconda sob o manto da falsa humildade. Sinceramente, eu não estou preocupado em ir para o Céu de uma só vez, como há quem ache que isto acontecerá com ele, ou com ela. A não ser para pedir a proteção do Alto, eu nunca penso “para cima” – eu só penso “para baixo”, porque a lei da gravidade espiritual de meus carmas não me deixa ilusões quanto a viver nos Mundos Superiores. Aliás – olha aí! –, os espíritas estão muito enganados a este respeito, porque a realidade não é bem como a gente imagina, com “Nosso Lar” de portas escancaradas, etecetera e tal. Quando eu me refiro aos espíritas, se você me permite, estou me incluindo, certo?! Bom ou mau, eu me considero um adepto da Doutrina, que amo por ser do Cristo, e não por ser de Kardec. Reconheço que, às vezes, eu me excedo, mas como o irmão mais velho que enxerga o perigo a que o irmão mais novo está se expondo. Se, realmente, eu fosse bravo com os espíritas, eu diria como Chico Xavier, que, certa vez, em um de seus momentos de expulsar os vendilhões do templo, falou a quem desejasse ouvir: - “O Espiritismo é uma doutrina maravilhosa... O que a estraga, são os espíritas!” Vocês não conheceram o homem, quando tomado por justa indignação... Sabe, minha irmã, a gente não pode contemporizar – nem com a gente mesmo! E tampouco, claro, ser intolerante. Vê como é difícil?! Graças a Deus, uma das coisas que eu nunca aprendi foi mentir! Não gosto de mentira e não topo gente mentirosa! Acho que, no passado, já menti muito, e chega! Prefiro, também como dizia Chico, ser uma besta espírita do que um espírita besta. Então, sem muitas palavras e mais explicações, o negócio é esse aí. Espírito é gente – eu sou gente! Essa história de todo espírito ser Mentor, é balela! Conversa de médium mentiroso, que quer fazer cartaz à custa de Guia! E, sendo gente como me reconheço ser, você não há de me negar o direito de opinião – o que tenho escrito para a Terra, simplesmente, é a minha opinião! Os meus livros estão aí, nas prateleiras – apesar da censura – da CENSURA ESPÍRITA, pode?! Seria cômico, se não fosse trágico. CENSURA ESPÍRITA, meu Deus?! Antes de ficar realmente possesso, acho que vou parar. Você sabe do que esta turma está mesmo precisando: de algumas palmadas nas nádegas! Êta, criançada peralta, metida a intelectual!... Estão no “jardim da infância”, e se consideram acadêmicos... Muito obrigado pela oportunidade e... não me queira mal! Com o meu calmo e afetuoso abraço, INÁCIO FERREIRA Uberaba – MG, 1º de novembro de 2011.
Escrito por Dr. Inácio Ferreira às 05h15
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MARAVILHOSA LIÇÃO As obras da lavra espiritual de André Luiz, pela mediunidade de Chico, conforme temos enfatizado em várias ocasiões estão repletas de maravilhosos ensinamentos, que, quando destacados do texto em que estão inseridos, ganham ainda maior beleza e significado. Cremos que seja assim que o aplicado estudioso da Doutrina deve proceder, inclusive, em relação às Obras Básicas, procurando entender o porquê da pergunta proposta por Kardec e a resposta que os Espíritos lhe forneceram. No livro “Obreiros da Vida Eterna”, no qual nos deparamos com interessante estudo envolvendo o processo da desencarnação, André Luiz, no capítulo XI, transmite o interessante diálogo que teve oportunidade de presenciar entre o Dr. Bezerra de Menezes e Adelaide Câmara. Adelaide Câmara, que igualmente se vale do pseudônimo de Aura Celeste, dotada de várias faculdades mediúnicas, foi uma das pioneiras do Espiritismo no Brasil, tendo vivido na cidade do Rio de Janeiro, onde fundou um orfanato-escola. Depois de uma vida laboriosa, de extrema dedicação à causa do Evangelho, Adelaide, que estava prestes a desencarnar, estava recebendo assistência de diversos Amigos Espirituais, ligados à Casa Transitória “Fabiano de Cristo”. Fazendo parte daquela equipe socorrista estava André Luiz, que, na personalidade do Dr. Carlos Chagas, também havia vivido no Rio de Janeiro, e fora seu contemporâneo. Através de sua notável clarividência, Adelaide percebe a presença do Dr. Bezerra de Menezes junto ao seu leito e, com ele, entabula precioso entendimento telepático, no qual sobram lições para encarnados e desencarnados. Mostrando-se algo pesarosa por ter que deixar a instituição que fundara – o Asilo Espírita “João Evangelista” –, ela registra estas sábias ponderações do Dr. Bezerra: - “Ó Adelaide! compreendo seu devotamento materno à obra de amor que lhe consumiu a vida. Entretanto, você está cansada, muita cansada e Jesus, Médico Divino de nossa alma, autorizou o seu repouso. Confie a Ele as penas que lhe oprimem o espírito afetuoso. Deponha o precioso fardo de suas responsabilidades em outras mãos, esvazie o cálice de sua alma, alijando amarguras e preocupações. Converta saudades em esperanças e desate os elos mais fortes, atendendo a ordem divina.” Do texto acima, se me permitem, gostaria de colocar em evidência dois tópicos: 1 – a desencarnação de Adelaide, por méritos pessoais inegáveis, havia sido autorizada pelo próprio Cristo. 2 – ela necessitava, inclusive, desapegar-se da tarefa, depondo “o precioso fardo de suas responsabilidades em outras mãos”. Analisemos, em seguida, o que se ressalta na sequência do diálogo entre os dois, quando o Dr. Bezerra acrescenta: “Sua grande batalha está terminando. Você é feliz, minha amiga, muito feliz, porque seu espírito virá condecorado de cicatrizes, depois de resistir ao mal durante muitos anos, como sentinela fiel, na fortaleza da fé viva... (...) Quanto aos serviços confiados por algum tempo à sua guarda, estão fundamentalmente afetos ao Cristo, que providenciará as modificações que julgue oportunas e necessárias. Baste a você o júbilo do dever bem cumprido.” Destaquemos do segundo texto outros dois pontos: 1 – “seu espírito virá condecorado de cicatrizes” – que expressão! Quanta diferença com muitos “colecionadores de títulos”, no Espiritismo! Quanto, infelizmente, estamos nos perdendo na vaidade, pela qual, antes de desencarnar, muitos espíritas e médiuns têm se preocupado, inclusive, em criar uma Fundação em torno de seu nome, a fim de que, a posteriori, continuem a serem lembrados! 2 – a obra do Bem, originariamente, pertence a Jesus Cristo! Ninguém é “dono” de coisa alguma: centro espírita, mediunidade, tarefa assistencial, livro, editora e, muito menos, da Verdade!... De minha parte, digo a vocês que eu tinha certo apego à minha biblioteca, onde possuía um acervo histórico que supunha pudesse vir a ser útil para a Doutrina – obras raríssimas, até mesmo em inglês e francês, que, aos poucos, fui adquirindo. Depois de me ver livre do corpo, pela desencarnação, o maior favor que recebi na Vida Espiritual foi o que me proporcionou a minha esposa, que eu sempre tive mais à conta de uma filha muito querida. Ela, praticamente, me “desencadernou”, ou seja: dissipou quase tudo, em doações a pessoas que, mais tarde, devem ter vendido aqueles volumes como papel para reciclagem!... É isto aí. Um grande abraço. INÁCIO FERREIRA Uberaba – MG, 25 de outubro de 2011.
Escrito por Dr. Inácio Ferreira às 05h00
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INFELIZMENTE Reconheço que o assunto é desagradável, mas, por outro lado, igualmente reconheço que há necessidade de que seja abordado. Infelizmente, é muita gente que em vez de fazer profissão de fé no Espiritismo, vem fazendo do Espiritismo profissão. Não estou querendo me referir àqueles companheiros que estão à cata de dinheiro, muitas vezes pensando apenas na obtenção do pão de cada dia para os seus filhos. Desejo, principalmente, me referir a quantos, não tendo o menor escrúpulo em ser desonestos, ludibriam conscientemente considerável número de pessoas imaturas e sem discernimento. À semelhança de lobos em pele de ovelhas, cometendo os maiores despautérios, eles despontam em todos os campos de atividade doutrinária. Não raro, são médiuns e tribunos consagrados, que mentem no Brasil e no Exterior, prevalecendo-se de seus supostos dons mediúnicos e de sua extrema habilidade em manipular os que exploram em sua boa fé. São dirigentes e divulgadores personalistas, que, a pretexto de defender a pureza da Doutrina, tomam decisões arbitrárias, impondo a sua vontade aos demais integrantes do grupo. Tomando de assalto determinadas instituições que não fundaram, costumam colocar para fora delas os que consideram por empecilhos às suas pretensões de poder. A fim de que não sejam desmascarados em suas escusas intenções, atiram para todos os lados, articulando falsas acusações contra os que ousam enfrentá-los de peito aberto. Distorcem os fatos e as palavras, e, com a maior naturalidade, atribuem a sua versão das palavras e dos fatos aos espíritos que elegeram por seus mentores, como se entidades espirituais de elevada hierarquia, em se lhes submetendo aos caprichos rasteiros, com eles entrassem em contato quando bem entendem e desejam. Isto, evidentemente, não é Espiritismo, e os espíritas sinceros, através da opinião, devem se opor a tal estado de coisas, sob a pena de, mais cedo ou tarde, virem a responder por indiferença e omissão. Sim, se isto compraz a eles, aqui o digo em alto e bom som: prego a desobediência civil no Movimento Espírita! Prego a contestação à autoridade reivindicada por quantos se arvoram em pretensos líderes do Movimento! Prego contra a censura às obras espíritas sejam elas de cunho claramente mediúnico, ou não! Prego a não aceitação do elitismo, pela hierarquização silenciosa que se esboça a partir de certos órgãos unificadores! Prego contra a falta de ética daqueles que roubam ideias e confeccionam livros à custa da inspiração e da transpiração alheias! Denuncio os que camuflam os seus desvios psicológicos, atirando lama sobre a honra dos outros! Se isto, no entanto, não lhes bastar, eu vou mais além: prego contra a ausência de sinceridade e de idealismo que vem imperando no campo doutrinário, e que se agravou, assustadoramente, desde o desenlace de Chico Xavier... Sim, porque, enquanto Chico se encontrava na Terra, ocupando aquele abençoado corpo que se desgastou no trabalho do bem genuíno, os que hoje mostram as suas garras, então recolhidos à sua insignificância, se continham em seu atrevimento e insensatez. Os espíritas sinceros carecem, pois, rapidamente, de dar um basta à idolatria! Chega de se incensar os médiuns, quase todos eles, talvez os mais conhecidos, merecedores de compaixão pelo que estão aprontando no Movimento! Em minha modesta opinião, o Movimento Espírita chegou a uma encruzilhada perigosa! O futuro da Doutrina está em jogo! Muitos espíritas, não por falta de conhecimento, mas por falta de fraternidade real, estão acabando (claro, trata-se de mera força de expressão) com o Espiritismo! Por tal motivo, eu prego, ainda, a independência dos Centros Espíritas – a sua autonomia moral e administrativa! Considero-me, eis que o digo, um espírita independente, porque, no dizer de Chico Xavier, se, um dia, para ser espírita, precisar beijar a mão de alguém, ou de prestar obediência a algum órgão doutrinário, eu deixo de ser espírita e vou tentar ser cristão. E não adianta que me rotulem de mistificador, porque partindo de quem, habitualmente, parte, isto para mim é elogio. O meu nome é Inácio Ferreira e eu não lhes devo absolutamente nada! INÁCIO FERREIRA Uberaba – MG, 18 de outubro de 2011.
Escrito por Dr. Inácio Ferreira às 05h10
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JESUS EXISTIU? Meu amigo, eu acompanhei com você, dias atrás, certa discussão em torno da existência histórica de Jesus Cristo, e, como é natural, tive também vontade de manifestar a minha opinião a respeito. Antes, porém, por imposição da consciência, devo, uma vez mais, deixar claro que, de minha parte, especular sobre assunto tão transcendente, é o mesmo que um grão de areia se atrever a definir o esplendor do Sol. No entanto, não tenho qualquer dúvida de que Jesus realmente existiu, embora sejam tão escassas as provas concretas que os homens costumam exigir para crer em tudo o que, de imediato, não conseguem admitir somente à luz da própria razão. Por que tenho certeza da existência histórica do Divino Mestre? Ora, isto é muito simples de responder, e, segundo penso, você concordará comigo sem maiores embaraços de natureza intelectual. Para mim, a prova inequívoca de que Jesus veio a Terra e, em carne e osso, caminhou entre os homens, está justamente na existência palpável do Evangelho! Cá entre nós, com todo o respeito que os Evangelistas nos merecem – Mateus, Marcos, Lucas e João –, eles não poderiam ser os seus autores! Aliás, sobre a face da Terra, nenhum outro homem, por mais sábio, poderia ser o seu Autor! Conforme eu não me recordo mais quem disse, se, porventura, os Evangelistas tivessem sido, eles mesmos, os autores do Evangelho, então, em vez de um só Cristo, nós teríamos quatro! Outro aspecto que, para mim, é fundamental sobre a crença no Cristo histórico, é que os Evangelhos, segundo você sabe, foram escritos em épocas distintas, muitos anos depois de sua crucificação. O Evangelho de Mateus, que foi o primeiro, teria sido escrito, em definitivo, cerca de 40 a 50 anos após o episódio do Calvário, e o de João, que foi o último, escrito a partir dos anos 80 da Era Cristã. Por alguns lustros a mais ou a menos, não vamos entrar em discussão de natureza matemática, certo? Neste sentido, a pergunta que se faz de imediato é a seguinte: como os Evangelistas, inclusive Marcos e Lucas, que não conheceram a Jesus, poderiam ser tão concordes entre si, ao ponto de seus registros se identificarem tanto, embora, claro, a notória diferença de estilo entre um e outro?! Refletindo com você sobre assunto tão comovedor – como nos faz bem falar no Cristo! –, ainda gostaria de argumentar com o que se segue. Nos anos 70, Jerusalém foi invadida pelos romanos e, de fato, não restou pedra sobre pedra... Quase todas as evidências históricas da existência de Jesus de Nazaré, por sagaz artimanha das Trevas, foram destruídas! Veja, por exemplo, o que, recentemente, aconteceu com o Espiritismo... Hoje, não fosse o túmulo de Allan Kardec, no cemitério de Père Lachaise, em Paris, o que teria restado do Espiritismo na França?! E note-se que, contrapondo-se aos mais de dois mil anos de Cristianismo, o Espiritismo tem pouco mais de século e meio de existência! Mesmo assim, você não ignora que, na madrugada do dia 2 de julho de 1989, tentou-se destruir o singelo dólmen onde repousam os restos mortais do Codificador e de Amélie Boudet, sua querida esposa. Então, meu filho, em linhas gerais, é isto. No que pesem todos os “atentados” que, ao longo de vinte séculos, o Evangelho vem sofrendo, inclusive com a tentativa de, seguidamente, se deturpar o verdadeiro sentido das palavras do Cristo, ele vem sobrevivendo, provando que, em verdade, de acordo com a percepção de Simão Pedro, as suas Palavras são de vida eterna! Quanto à sua indagação mental, se, na condição de espírito desencarnado, no Plano em que me encontro, eu já tive oportunidade de ver a Jesus, você me desculpe, mas não posso evitar o sorriso – para não dizer a gargalhada! Para ver a Jesus Cristo, não sei quantas vezes eu ainda terei que morrer “para cima”, e não “para baixo”, como, infelizmente, vem acontecendo de maneira sistemática, comigo e com quase a totalidade dos mortais, que não logramos nos emancipar do âmbito gravitacional do planeta Terra e adjacências... Para encerrar, digo a você que o respeito que Chico Xavier tinha, e continua tendo, pela figura de Jesus, era tamanho, que todo Jesus encarnado para ele era Jésus – isto mesmo: Jésus, com acento agudo no é, como Jésus Gonçalves, o companheiro que vivia num leprosário em Pirapintiguí. Chico, como sempre, tinha razão, porque, no Sanatório Espírita de Uberaba, onde permaneci internado, e internando, por mais de 50 anos, eu cansei de ver a diversos Jesuses que me procuravam, mas, para meu infortúnio, nenhum deles era natural de Nazaré!... INÁCIO FERREIRA Uberaba – MG, 11 de outubro de 2011.
Escrito por Dr. Inácio Ferreira às 04h51
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PERGUNTAS FEITAS A MIM Com base em algumas perguntas que me têm sido propostas, eu mesmo elaborei, em síntese, o pequeno questionário abaixo, que, sem qualquer pretensão, passo a responder. - Dr. Inácio, o que é mais essencial para os médiuns na Doutrina? - Estudar, trabalhar e, sobretudo, não inventar. - O que o senhor entende por “não inventar”? - Não extrapolar em sua própria condição mediúnica – não se acreditar um missionário, não se prevalecer da sua condição de médium para manipular as pessoas, enfim, não mentir! - O que está faltando ao espírita? - Não falta muita coisa – falta apenas vivenciar a mensagem que prega! Conforme dizia Chico, Jesus não nos solicitou tarefas difíceis, como, por exemplo, escalar o Everest... Ele apenas nos pediu que nos amássemos uns aos outros! - O que mais prejudica o Movimento Espírita? - A nossa soberba, a tola soberba dos espíritas! O elitismo, voltamos a repetir, é uma praga no Movimento. Nada mais ridículo que um espírita vaidoso! - O senhor acha que existe um grupo melhor que outro? - Nunca! O grupo que pensar assim deve se internar... Aviso, no entanto, que aqui no Hospital dos Médiuns, não temos mais vaga! - O que acha de um espírita que imagina saber tudo? - Uma piada! De minha parte, quero, uma vez mais, confessar a minha ignorância, e dizer: o que sei da Vida é quase zero! Só não digo que seja zero, porque o conhecimento espírita em minha vida obscura já é uma réstea de luz... - Como o senhor interpreta as suas obras mediúnicas? - Obras de um espírito colegial, que os críticos resolveram dar maior importância do que realmente têm. - O senhor tem se comunicado por aí, através de outros médiuns? - Tenho tentado... Eu não sou exclusivo de nenhum médium! - Considera-se um espírito irônico? - Considero-me um espírito alegre. Por quê?! Existe alguma proibição neste sentido?! Kardec proibiu a alegria?! Se ele proibiu, estou saindo... - É possível ser espírita sem ser espírita? - Sim. Só não é possível ser espírita sem ser cristão! - O que diria aos espíritas ortodoxos? - Não me provoque – não me tira do sério... Os espíritas ortodoxos comem arroz com feijão e vão ao banheiro, ou não?! - O senhor é o verdadeiro Dr. Inácio? - Certa vez, perguntaram a um filósofo: “Quem é o senhor?”. Ele respondeu: - “Se você puder me responder a esta pergunta, ficarei imensamente agradecido...”. - E o Dr. Ignácio?... - Sinceramente, nunca fui apresentado ao tal. - O senhor mora em “Nosso Lar”? - “Há muitas moradas na Casa do Pai”... Não, não resido em “Nosso Lar”. Moro num pequeno burgo, nas proximidades de Uberaba. Que pobreza, achar que só existe “Nosso Lar”, de cidade espiritual no Além! - O Espiritismo ainda vai crescer muito? - Temos esperança nisto... Mas reparemos que Jesus, ao se referir ao advento do Consolador, disse que nos enviaria “outro” Consolador! Espero, pois, que não tenhamos necessidade de “outro”, e mais “outro”... - O que estraga o Espiritismo? - Nós, os espíritas! Foram os cristãos que estragaram o Cristianismo! Os espíritas, em geral, precisam deixar de ser bobos... Desculpa-me, mas quem achar que não é bobo é o mais abobalhado, certo?! - Como o senhor gostaria de ver todo espírita? - De vassoura na mão, varrendo o chão e assoviando, feliz da vida!... INÁCIO FERREIRA
Uberaba – MG, 4 de outubro de 2011.
Escrito por Dr. Inácio Ferreira às 08h18
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“NÃO TE IMPORTES” Meus irmãos e irmãs, meditemos hoje, em nosso post semanal, na página que o venerável Irmão José, através do concurso do mesmo medianeiro, nos fez chegar do Mais Alto, sob o título que nos encima o presente comentário. Não te importes se o que procuras fazer, mesmo no bem, deixa muito a desejar. Todos nós estamos a caminho dela, porém ainda a considerável distância da luz da Perfeição. É natural, pois, que as nossas limitações e mazelas se reflitam em nossas atitudes. Todavia, como é belo observar o esforço de quem, não mais se acomodando no chão de seus erros, procura se levantar em espírito e seguir adiante. Não há palavras que definam a grandeza de um gesto pequenino daquele já compreendeu a necessidade de servir aos seus semelhantes. A virtude da bondade, tão natural nos espíritos redimidos, é um prodígio nos espíritos que lutam para se impor a si mesmos. O tamanho da batalha que vences decretará o tamanho de tua glória. De fato, como escreveu Paulo, em sua Epístola aos Hebreus, capítulo 12, versículo 12, nós carecemos de restabelecer “as mãos descaídas e os joelhos trôpegos”, a fim de seguirmos adiante. Não importa que, não raro, nos vejamos, sob o constante assédio do homem velho, simbolizando os nossos muitos erros e imperfeições, a nos induzir a quedas recorrentes... Que fiquemos tristes com as derrotas íntimas que experimentamos, quando justamente nos supúnhamos mais fortes... Que nos aborreçamos, por não conseguirmos nos livrar com tanta facilidade de inclinações que, praticamente, nos subjugam a vontade... Que as pessoas não saibam reconhecer o nosso esforço para acertar, quando nem sempre nos seja possível fazê-lo de maneira absoluta... Que, em vez de palavras de incentivo aos nossos propósitos de renovação, escutemos referências descaridosas em relação ao nosso passado de equívocos... Que haja um tanto de interesse menor em nossos sentimentos em relação às pessoas que auxiliamos, contra os quais, evidentemente, permanecemos nos opondo e nos opondo e nos opondo... Que a nossa caridade continue sendo um ato de vaidosa ostentação pessoal, ou mesmo da mentirosa demonstração de generosidade que não possuímos... Que, inclusive, na hora de nos dirigirmos a Deus, através da oração, imitemos os escribas e os fariseus de outrora, que Jesus censurou por não o fazerem com sinceridade... Importa, sim, que não desistamos de nós e que perseveremos, contando com o amparo do Cristo, no combate sistemático às nossas deficiências... Importa que, a cada dia, nos predisponhamos a ser melhores que na véspera, e persigamos, com determinação, os elevados objetivos espirituais da Vida... Importa que não nos deixemos quebrantar pela incompreensão alheia e pela intolerância de quantos nos rotulem de maneira pejorativa, quais fossemos portadores de contagiosa moléstia... Importa, hoje e sempre, que nos mantenhamos em nosso posto de serviço, conscientes de que não mais nos será lícito retroceder na caminhada que empreendemos... Importa, enfim, sobre todas as opiniões conflitantes a nosso respeito, o que nos diz a consciência e o que nos fala o próprio coração!... INÁCIO FERREIRA Uberaba – MG, 27 de setembro de 2011.
Escrito por Dr. Inácio Ferreira às 05h25
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CONVERSA QUE ESCUTEI Dias atrás, sem que eu quisesse, tive oportunidade de escutar a conversa entre dois amigos encarnados, que, depois de muito tempo, se reencontravam. Não pensem vocês que seja bisbilhoteiro, ou não tenha mais o que fazer neste Outro Lado da Vida. Acontece que, simplesmente, eu estava passando e as palavras deles, inadvertidamente, vieram parar em meus ouvidos. Como acredito que, talvez, semelhante diálogo lhes possa ser útil, dei-me ao imenso trabalho de prestar atenção no que estavam dizendo um ao outro, com o intuito de lhes transmitir a sua essência. - Há quanto tempo?! – disse o primeiro ao segundo, após se cumprimentarem. – Você saiu lá do Centro e não disse nada... É verdade que, inclusive, mudou de cidade?!... - Sim, agora estou morando fora de Uberaba. Não tive tempo de avisar a vocês de minha mudança e nem de lhes dar maiores explicações... - Não há de quê! – exclamou o primeiro, sem que o segundo lhe tivesse pedido desculpas. – Compreendo como são estas coisas... - Estive com vocês por quase 20 anos... - É verdade, é verdade! Dirigia a reunião e era o orador oficial de seu dia... Pena que, de repente, tenha ido embora! - Tive que acompanhar a esposa... Você sabe como é: os filhos do primeiro casamento dela moram lá... - Suponho, no entanto, que ainda esteja frequentando algum Centro, não?! - Olha, tentar, eu até que tentei. - Como assim?! – insistiu o primeiro. - Procurei um Centro e me ofereci como palestrante... - Você se expressa muito bem. - Mas eles não quiseram me dar espaço – explicou o segundo, desencantado. – Disseram que, antes, eu precisaria fazer um curso... - Um curso?! - Falaram que, no passado, deixaram um orador desconhecido assomar a tribuna e foi um desastre... - Acontece. - Cheguei a dizer a eles que me submeteria a um teste! - A um teste de oratória e conhecimento doutrinário?! – perguntou o primeiro, não acreditando no que escutava. - Mas nem assim e, então, eu fui embora... Estou em minha casa, lendo alguns livros como sempre, e meditando. A gente não pode parar, não é?! - Não, não pode e nem deve! - Se não dá de um jeito, tem que ser de outro... Os dois confrades se despediram e eu fiquei a pensar com os meus botões: por que motivo esse nosso irmão de Ideal, em vez de se oferecer para falar no Centro Espírita, não se ofereceu para nele trabalhar, ocupando-se de uma tarefa qualquer, por mais simples que fosse?! Por que, recém-chegado a um grupo novo, ele não se preocupou em demonstrar primeiro que era bom com uma vassoura nas mãos?! Por que, como dizia Chico Xavier, ele não procurou recomeçar do zero, dando mostras de sua boa vontade aos companheiros que, com razão, sem conhecê-lo, se espantaram com a sua reivindicação inicial?! Por quê?!... Ah, vocês sabem de uma coisa?! Eu devo mesmo estar ultrapassado, ou ter ficado sem paciência demais para lidar com certas situações terra-a-terra... Primeiro é esta história de curso, com a qual eu não concordo – daqui a pouco haverão de instituir cursos nos Centros Espíritas até para se proferir uma prece para quem esteja desencarnando... Segundo é a falta de discernimento deste irmão, que, afinal, acabou indo colher muito longe o que plantou muito perto – abandonar, sem a menor satisfação, uma atividade que, por quase 20 anos, era exclusivamente sua!... Infelizmente, no Espiritismo está cheio de gente assim: se oferecendo para falar e fugindo de trabalhar!... INÁCIO FERREIRA Uberaba – MG, 20 de setembro de 2011.
Escrito por Dr. Inácio Ferreira às 05h25
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HISTÓRIA DE UM AMIGO MEU Sempre tive muitos amigos, mas este era diferente dos demais. Falava pouco, mas, quando abria a boca, na maioria das vezes, desagradava. Não escolhia hora e lugar para dizer o que pensava. Por tal motivo, ele mesmo não possuía muitos amigos. Na verdade, foi um incompreendido – até os companheiros que lhe eram mais chegados, costumavam duvidar do que ouviam de sua boca. Alguns de seus familiares o consideravam louco. Por não compactuar com a mentira, tinha ferrenhos adversários. Em várias oportunidades, tentaram corrompê-lo, mas ele nunca se deixou subornar. Não era homem de contemporizar com o erro. Não omitia opiniões. Não negociava com a Verdade. Por se ver tão perseguido, sequer possuía residência fixa. Ora dormia debaixo de uma árvore, ora passava a noite numa caverna. Sob injustas acusações, a sua prisão havia sido decretada por diversos juízes. Chegaram a alegar que ele tinha pacto com as Trevas... Que perturbava a paz e pervertia os bons costumes... Que incitava o povo à sedição... Que afrontava o poder constituído... Que, enfim, vivia fascinado e era extremamente perigoso!... Para muitos, não passava de hábil prestidigitador, que, inclusive, conhecia os segredos da sugestão sobre as mentes frágeis, às quais se impunha com facilidade. Frequentava prostíbulos e convivia com a escória moral da sociedade. Não se sabe à custa de que crianças e mulheres festejavam a sua presença... Efetivamente, parecia mesmo ser contraditório, pois, não raro, o viam participar de lautos banquetes, regados a vinho. Falava de paz, mas, empunhando um chicote, expulsou os vendilhões de um templo religioso – disseram que ele estava bêbado e possuído! Certa vez, sem falar muito, chegou a convencer conhecido homem rico a dar aos pobres quase tudo o que tinha. Sorria com a mesma espontaneidade com que chorava... Pranteando um amigo morto, cometeu o crime de lhe profanar o túmulo e fazê-lo reviver. De fato, era demasiadamente estranho, pois, numa ocasião, escandalizando os próprios seguidores, disse: “Eu sou o pão vivo que desceu do céu; se alguém dele comer, viverá eternamente...” Daquele dia em diante, “muitos dos seus discípulos o abandonaram e já não andavam com ele”. Coitado deste meu amigo, tão bem intencionado! Alimentava os famintos, limpava os leprosos, fazia andar os paralíticos... Não discriminava a quem fosse. Apenas não tolerava a ortodoxia da religião! Em minha opinião, ele provocou demais a turma dos moralistas... Vocês não hão de ver que, sem meias palavras, ele afirmou que as prostitutas os antecederiam no Reino dos Céus?! Faz muito tempo que morreu, no entanto, se fosse hoje, creio que ele terminaria do mesmo jeito que terminou, pois as coisas, de lá para cá, não mudaram muito, não. A única diferença é que, talvez, ele não fosse mais crucificado entre dois ladrões – o bando hoje é bem maior e seria extremamente difícil escolher somente dois, para que, junto com ele, fossem erguidos sobre um monte qualquer! E, depois, a cruz também, como instrumento de suplício, já está fora de moda! Este meu amigo que, suponho, seja igualmente amigo seu, depois de ser escarnecido e humilhado, em vez de morrer de braços abertos, suspenso do solo, nos subterrâneos de anônima penitenciária morreria sentado numa cadeira elétrica!... INÁCIO FERREIRA Uberaba – MG, 13 de setembro de 2011.
Escrito por Dr. Inácio Ferreira às 05h16
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“PIRÂMIDE” INVERTIDA Confesso a vocês que, desde muito, trago uma “pirâmide” engastalhada na garganta... Não, não se trata da pirâmide de Quéops, estendida no Planalto de Gizé, com os seus mais de cento e trinta metros de altura e dois milhões e trezentos mil blocos de pedra calcária! A “pirâmide” há que me refiro é muito maior que a Grande Pirâmide, uma das sete maravilhas do mundo. Desde quando se me atravessou na garganta, tenho feito força para engoli-la, a ver se a lanço num lugar escuso, mas, infelizmente, nada... Creio, no entanto, que, felizmente, tenha chegado o dia de eu expeli-la! Vou lhes contar como foi. Estava, inocentemente, numa tarde de sábado, em Uberaba, escutando a conferência de um expositor espírita sobre o Movimento de Unificação. Tudo corria relativamente bem, quando, tomando um giz e indo à lousa, ele cometeu um “atentado” contra a Geometria, desenhando uma pirâmide que mais parecia um trapézio... de circo! - Eis como se representa o Movimento de Unificação – disse enfático. – Na base da “pirâmide”, temos o Centro Espírita, e em seu ápice, a FEB – a “Federação Espírita Brasileira”! E prosseguiu, escrevendo siglas e mais siglas: - Nos lados da “pirâmide”, em nosso Estado de Minas Gerais, temos: a AME, o CEM, o CRE, o COFEMG, a UEM, o CFN... Em seguida, traduziu: - AME – Aliança Municipal Espírita; CEM – Conselho Espírita Municipal; CRE – Conselho Regional Espírita; COFEMG – Conselho Federativo do Estado de Minas Gerais; UEM – União Espírita Mineira; CFN – Conselho Federativo Nacional... Enquanto nós, os pobres mortais, tentávamos nos nortear entre tantos “Conselhos”, arrematou, apontando para o topo: - Aqui em cima, o Órgão máximo – a FEB, a Federação Espírita Brasileira!... Durante mais alguns minutos, discorreu sobre o chamado “Pacto Áureo”, celebrado no dia 5 de outubro de 1949, cuja proposta, mais que de Unificação, era e continua sendo de União entre os adeptos do Espiritismo. À época, ficara faltando uma sigla, porque o CEI – Conselho Espírita Internacional – ainda não havia sido criado! Ele surgiu em 28 de novembro de 1992! Quando o expositor uberabense, ligado então à Aliança Municipal Espírita, terminou de falar, ousei levantar o dedinho da carteira em que me encontrava naquele Jardim da Infância, e perguntei com certa timidez: - Professor, o senhor não acha que esta “pirâmide” está invertida? - Como assim?! – questionou quase de palmatória na mão. - O senhor não acha – tornei já me preparando para submeter-me àquela corrigenda medieval - que o Centro Espírita é que deveria estar lá em cima, no ápice da “pirâmide”, e a Federação Espírita Brasileira cá embaixo?... - Por que o senhor diz isto?! A “FEB” é a nossa Casa-Máter!... - Não sei – respondi. – É que eu fico pensando em Jesus, que lavou os pés dos discípulos... - Não tem nada a ver uma coisa com outra! - Ele também nos disse, no capítulo 9, versículo 35, do Evangelho de Marcos: “Se alguém quer ser o primeiro, será o último e servo de todos”! - Mas – retrucou -, os Órgãos unificacionistas existem em função dos centros espíritas... - Não é verdade! – exclamei. - Como, Doutor?! Eu não estou lhe entendendo... - O Centro Espírita “Uberabense” nunca foi auxiliado por nenhum Órgão de unificação, nem o “Sanatório”... Aliás, eu não conheço nenhum centro espírita em Uberaba que a “Aliança” tenha, efetivamente, auxiliado! E creio que isto, com uma exceção ou outra, seja em termos de Brasil, e não apenas no âmbito de nossa cidade!... - Por favor, seja mais claro. - Pois não, meu caro – retruquei. – Enquanto esta “pirâmide” que você desenhou não virar de cabeça para baixo, nós não vivenciaremos o verdadeiro espírito da Unificação! E arrematei, ocasionando certo mal estar no companheiro: - Não é o centro espírita que deve ir à “FEB”, mas a “FEB” é que deve vir ao centro espírita!... INÁCIO FERREIRA Uberaba – MG, 6 de setembro de 2011.
Escrito por Dr. Inácio Ferreira às 05h26
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