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MEDIUNIDADE NA INTERNET
- Blog do Dr. Inácio Ferreira -
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CHICO COMPLEMENTA KARDEC?!
 
Temos repetido, à saciedade, que a Obra Mediúnica de Chico Xavier complementa a Obra de Allan Kardec, todavia, carecemos de melhor refletir sobre o significado do verbo complementar.
Alguns dicionaristas atribuem ao termo complementar o significado de “completar”, “concluir”, e, neste sentido, cremos que, em se tratando de Doutrina Espírita, ele não esteja bem posto, quando, com ele, se pretende dizer que Chico completa Kardec, porque, em verdade, a Obra Xavieriana, se é o legítimo desdobrar da Codificação, não a conclui.
Sendo o Espiritismo, como escreveu o Codificador, “a ciência do infinito” (“Introdução ao Estudo da Doutrina Espírita”, em “O Livro dos Espíritos”, item XIII), ele nunca poderá ser complementado, ou completado.
A extraordinária Obra Mediúnica devido à lavra de Chico Xavier representa, pois, com mais propriedade, um acréscimo ao conteúdo do Pentateuco, que, em seus Postulados, há de sempre ampliar-se.
Efetuamos semelhante reflexão porquanto, igualmente, não podemos, em termos de Revelação, considerar qualquer obra espírita, de autor encarnado ou não, como sendo definitiva.
Em louvor à Verdade, carecemos dizer que nós, os desencarnados, apenas nos situamos no “andar de cima” do edifício habitado pelas criaturas humanas em suas diversas condições evolutivas, sendo que o fato de sermos inquilinos do “andar de cima” não nos habilita a tudo saber, por vezes, nem do próprio pavimento em que nos encontramos alojados.
Se, em relação aos encarnados, alguma visão mais ampla nós possuímos da paisagem que quase nos é comum, ela ainda se nos mostra extremamente limitada, num permanente convite à exploração de seus vastos horizontes.
Assim, precisamos dizer que, embora esteja em a Natureza, conforme os Espíritos Superiores disseram a Kardec, e, portanto, seja tão antigo quanto à própria Criação Divina, o Espiritismo, em termos de Conhecimento possui característica dinâmica, progressista, que se remete ao Futuro. Aliás, quando se refere ao Advento do Consolador, que é o Espiritismo, Jesus utiliza o verbo “conhecer” no Futuro do Presente: “Conhecereis a Verdade...”, ou seja: vós conhecereis...
Ele, o Cristo, nos disse que conheceríamos a Verdade, sendo que, com certeza, estava se referindo à Verdade relativa, e não Absoluta, que somente a Deus pode pertencer. Não obstante, pelo que se depreende mesmo o conhecimento relativo da Verdade seria capaz, qual o é, de promover a nossa libertação da ignorância.
Conhecimento algum, em qualquer campo do Saber, deve ser considerado definitivo.
Em termos de Conhecimento Espírita, a Obra Mediúnica que os Espíritos escreveram através de Chico Xavier, representa um “passo adiante”, definindo, em seus contornos doutrinários, o Espiritismo como sendo a Restauração do Cristianismo. Contudo, a jornada evolutiva a ser empreendida pelo espírito é extremamente longa e laboriosa, e perante o vertiginoso avanço da Ciência, o campo do Conhecimento Espírita, a partir de Allan Kardec e Chico Xavier, permanece aberto aos estudiosos.
O Pentateuco não se complementa com a Obra Xavieriana, ou Emmanuelina, mas, sem dúvida que se atualiza e se enriquece com ela, de vez que, a ficarmos apenas e tão somente com o Pentateuco, adotaríamos a mesma postura dos religiosos ortodoxos, em seu fanatismo, ou mesmo dos cientistas não adeptos da tese evolucionista de Darwin, ou de quem se queira atribuí-la que não ao célebre autor de “A Origem das Espécies”.
Sinceramente, repugna-me ao espírito o enfatizar-se ser o Espiritismo uma doutrina pronta e acabada e que nós, os espíritas, no corpo ou fora do corpo, sejamos criaturas, que já tudo saibamos a respeito da Vida além da morte, da qual, praticamente, ainda somos quase todos analfabetos. 
 
INÁCIO FERREIRA
 
Uberaba – MG, 29 de agosto de 2016.



Escrito por Dr. Inácio Ferreira às 08h01
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ESTRANHO, NÃO?!

 

Vocês já repararam?!...

De nossos considerados companheiros de ideal espírita-cristão, creio, que, sinceramente, sem nenhuma exceção:

Os que mais estimam polemizar...

Os mais teóricos e que se julgam mais sabedores de Espiritismo...

Os que ocupam cargos de uma suposta liderança dentro do Movimento...

Os que, consciente ou inconscientemente, incentivam o elitismo...

Os mais ortodoxos...

Os que mais falam em “pureza doutrinária”...

Os que controlam as páginas da imprensa espírita e se consideram “donos” de jornais e revistas...

Os menos vinculados às obras assistenciais...

Os que menos se preocupam com a necessidade de reforma íntima...

Os que mais disputam no campo da mediunidade...

Os que mais bajulam...

Os que mais fazem política de bastidores...

Os que mais difamam os confrades...

Os que exigências fazem até mesmo para a realização de uma simples conferência...

Os que não querem falar em Centros Espíritas pequenos...

Os que se preocupam com currículo, inclusive com viagens realizadas ao Exterior...

Os que trocam uma amizade de longos anos pelo poder...

Os que menos se candidatam a serem médiuns passistas...

Os que menos visitas fazem aos doentes acamados...

Os que menos cultivam o hábito da oração...

Os que não sujam o carro de poeira na periferia...

Os que combatem a distribuição de sopa nos Centros...

Os que afirmam que Caridade é assistencialismo...

Os que são mais invejosos do esforço alheio...

Os que, com facilidade, rotulam aos outros de obsidiados...

Os que acusam os médiuns de mistificadores...

Os médiuns, em geral, que adoram aplausos e elogios...

Os que dirigem os Centros com autoritarismo...

Os que são pouco fraternos e solidários...

Os que apenas querem “receber” Mentores, e, consequentemente, nada querem com os espíritos sofredores...

Os excessivamente preocupados com dinheiro...

Os que não sabem se apresentar na tribuna com simplicidade...

Os que, ainda que veladamente, fazem insinuações maledicentes sobre o esforço alheio...

Os que não saem da Internet para difundir calúnias...

Enfim, os que, de maneira sistemática, criticam a tese de que Chico Xavier tenha sido a reencarnação de Allan Kardec, não hesitando, para tanto, em atacar o moral de seus irmãos de fé espírita...

Vocês já reparam?!...

Estranho, não?!...

Prestem atenção: todos esses não são dos mais empenhados seguidores das LIÇÕES DE VIDA DO MÉDIUM CHICO XAVIER?...

São os que menos falam em suas Obras psicografadas...

São os que menos o citam em palestras...

São os que quase nunca procuraram estar, pessoalmente, com ele...

São eles também que, inclusive, menos falam em Jesus Cristo!...

Vocês já reparam?!...

Estranho, não?!...

Muito estranho!...

 

INÁCIO FERREIRA

 

Uberaba – MG, 22 de agosto de 2016.

 

 



Escrito por Dr. Inácio Ferreira às 05h35
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“CARNE TERRESTRE”

(A propósito da Reencarnação no Mundo Espiritual)

 

O livro “Nosso Lar”, de André Luiz, psicografado, em 1943, por Chico Xavier, é, deveras, surpreendente. Cada vez que temos oportunidade de lê-lo com atenção, as suas páginas nos descortinam novas revelações sobre a vida no Mundo Espiritual, com informações sobre as quais, numa leitura ligeira, havíamos passado por cima, sem atentarmos para a sua importância e transcendência.

É o caso, por exemplo, do que se encontra inserido no capítulo 7 – “Explicações de Lísias” –, numa simples conversa de André Luiz com o filho de Laura, que haverá de hospedá-lo em sua residência na referida cidade espiritual.

No 7º parágrafo, Lísias, em seu diálogo esclarecedor, considera: “A morte do corpo não conduz o homem a situações miraculosas (...). Todo processo evolutivo implica gradação. Há regiões múltiplas para os desencarnados, como existem planos inúmeros e surpreendentes para as criaturas envolvidas de carne terrestre.”

A referência à “carne terrestre” nos leva, naturalmente, a refletir acerca da existência de uma carne que não é terrestre, mas, sim, de natureza espiritual!

Aliás, toda palavra do vocabulário humano não passa de nomenclatura, que, segundo os Espíritos, é muito limitada para que seja utilizada em assuntos do Mundo, ou Planeta, Espiritual para a Terra.

Segundo os estudiosos, a “dedução consiste em se chegar a uma verdade particular e/ou específica a partir de outra mais geral ou abrangente.” Portanto, em Lógica, aprende-se também raciocinando por “dedução”. Aliando Fé e Razão, o Espiritismo é Lógica pura!...

Quando Lísias, no diálogo com André Luiz, refere-se à “carne terrestre”, ele, naturalmente, nos enseja a raciocinar por dedução, sendo-nos, portanto, lícito admitir a existência de carne não terrestre...

Logo, de acordo com o pensamento de Aristóteles, que é considerado o “pai” da Lógica, o corpo espiritual, ou perispírito, igualmente, é feito de carne!

Continuando a raciocinar, sendo o perispírito, ou corpo espiritual, constituído de carne – uma simples nomenclatura –, o termo “reencarnação”, empregado para o espírito que renasce em diferentes Mundos Espirituais, não é fora de propósito.

Aliás, o que é carne?! Você já se fez semelhante pergunta?! Ao comer, por exemplo, um pedaço de carne o que você está comendo?! Nada mais e nada menos, imaginando comer carne, você está “comendo” água, proteína, gordura, minerais e carboidratos. E “comendo” proteína você está “comendo aminoácidos”, ou seja, moléculas atômicas de Carbono, Oxigênio, Hidrogênio e Oxigênio. Então, aquela picanha assada que você adora degustar não é mais do que um composto químico quartenário, que, às vezes, pode conter até Enxofre.

Então, é isso aí. Os ferrenhos contestadores da Reencarnação no Mundo Espiritual, além de não estarem bem informados a respeito de Espiritismo – não leram sequer “Nosso Lar”, ou se leram, não conseguiram lhe penetrar a essência – me parecem não saber nada de Química.

Paciência, fazer o quê?! De minha parte, também confesso que muito pouco sei da ciência do irlandês Roberto Boyle – eu mal conheço a fórmula química da água!...

Negar-se, pois, a tese da Reencarnação no Mundo Espiritual, por não se admitir que os átomos possam, igualmente, sobreviver ao fenômeno da “morte”, voltando a se unirem no Mais Além, para constituírem uma espécie de carne celeste, é não conseguir raciocinar por “dedução” e nem por “indução”.

Aliás, noutro capítulo de “Nosso Lar”, o de número 9 – “Problema de Alimentação”, André Luiz chega, inclusive, a se referir à grave questão de tráfico de alimentos na cidade espiritual, envolvendo, principalmente, alimentos proteicos.

Se para bom entendedor, uma palavra basta, e para péssimo entendedor toda palavra é inútil, vamos parando por aqui, esperando que os que menos tiverem a cabeça feita (nada tem a ver com o significado de “cabeça feita” na Umbanda ou no Candomblé) na teimosia e na “política” doutrinária, ponham-se a pensar, porque, afinal, as únicas cabeças que não foram feitas para pensar são as do alfinete, do parafuso e do prego.

 

INÁCIO FERREIRA

 

Uberaba – MG, 15 de agosto de 2016.

 

 

 

 



Escrito por Dr. Inácio Ferreira às 05h20
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FAÇO QUESTÃO

 

Faço questão:

Que o sangue que corre em minhas veias seja a mistura de todas as raças...

Que a minha pele seja policromática...

Que a tua dor, ou a tua alegria, seja minha também...

Que os meus sonhos sejam os mesmos que os teus...

Que a tua crença em Deus seja o meu altar...

Que a tua voz por justiça encontre eco na minha...

Que a tua luta seja aquela que luto...

Que o meu corpo seja um pedaço do teu e a tua alma o complemento da minha...

Faço questão:

De ser homem e de ser mulher...

De ser criança e de ser velho...

De falar em todas as línguas, mesmo naquelas que já morreram...

De aprender contigo um pouco do muito que não sei...

De juntar-me a ti na rebeldia de derrubar muros e fronteiras...

De sofrer as discriminações que sofres...

De mendigar o pão que mendigas...

De ter nascido do ventre humilde e pobre que te gerou...

Faço questão:

Que os teus medos sejam os meus...

Que a minha felicidade não exista sem a tua...

De não seguir à frente, deixando-te ficar...

De ser um refugiado como és...

De não consentir que me ames em vão...

De dividir contigo o meu pão...

De sentir-me abraçado por teus braços...

De nos unirmos às plantas e aos bichos...

Faço questão:

Que saibas que, também, sou morador de rua...

Sou travesti...

Sou prostituta...

Um biscate qualquer...

Um esmoler sem nome...

Sou o menino drogado dali da esquina...

O homem caído mais adiante...

A mulher ultrajada...

Enfim, desde que eu possa ser teu irmão,

Ou tua irmã,

E que tu meu irmão,

Ou irmã, possa ser,

O que quiseres que eu seja

Faço questão de ser!...

 

INÁCIO FERREIRA

 

Uberaba – MG, 8 de agosto de 2016.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 



Escrito por Dr. Inácio Ferreira às 05h21
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“... AO DARES UM BANQUETE...”

 

Falando aos discípulos, logo após ter entrado num sábado na casa de um dos principais fariseus para comer pão, Jesus foi incisivo: “Antes, ao dares um banquete convida os pobres, os aleijados, os coxos e os cegos...”

O Mestre, ao que se percebe, indiretamente, recomendou que os hipócritas fossem deixados de lado, ou seja, não deveriam ser convidados à mesa.

Notemos, ainda, que o convite deveria ser direcionado aos reais necessitados, e não aos que aparentassem humildade, inclusive, fazendo constar de Sua lista proibitiva os amigos, os irmãos, os parentes, os vizinhos ricos...

Os convidados para o banquete, a fim de que não tivessem meios de retribuir – com lisonja, elogio barato, amizade interesseira, etc –, deveriam ser os pertencentes às classes menos privilegiadas em todos os aspectos.

Repetindo, ele não recomendou que os invejosos e os maledicentes, os que se julgam poderosos e os orgulhosos fossem chamados para banquetear-se conosco na intimidade de nossa casa.

Aliás, noutra passagem, a da Parábola da Festa de Núpcias, o rei, ao se deparar com um “penetra” na festa de casamento de seu filho, por ele não estar trajando a túnica nupcial, mandou que os seus servos simplesmente o colocassem para fora da cerimônia...

Tais conjeturas, com base nas severas advertências do Senhor, fazem-me lembrar de um episódio contado por Chico Xavier, quando, evidentemente, ele ainda se encontrava encarnado.

Desencarnara o presidente de certa Instituição Espírita. No passado, haviam eles mantido estreita relação de amizade, inclusive epistolar, até que, por questões que agora não nos compete mencionar, romperam com o seu relacionamento de vários lustros.

Desencarnado, logo após desembaraçar-se de seus comprometimentos cármicos mais imediatos, o referido presidente, viajando pelo Espaço, veio ter à cidade de Uberaba, profundamente arrependido de determinadas posturas adotadas por ele em relação ao médium e ao seu trabalho.

Queria conversar com Chico e pedir-lhe desculpas, ou, para falar mais claramente, perdão! Deixara que o cargo lhe subisse à cabeça, e embora os relevantes serviços prestados à Causa, colocara os pés pelas mãos. Agira de modo arbitrário e elitista.

Um dos espíritos colaboradores da equipe de Emmanuel, sempre de plantão na residência de Chico, informou-lhe que fulano de tal, que permanecia do lado de fora da casa, desejava entrevistar-se com ele.

A resposta do devotado médium, que, à época, houvera sido bastante menosprezado, não se fez esperar:

- Diga a ele que agora, infelizmente, não posso, e que eu só voltarei a conversar com ele no Mundo Espiritual!...

Embora todos os seus títulos, o presidente da renomada Instituição não seria admitido à ceia de luz, da qual, diariamente, na residência de Chico Xavier, os pobres, os aleijados, os coxos e os cegos participavam sem nenhuma restrição.

Passados quase quinze anos da desencarnação de Chico, sinceramente, de minha parte, não sei se o nosso ilustre confrade, em espírito, já conseguiu se avistar com o nosso Codificador, que, como não poderia ser diferente, sempre andou com a sua agenda muito ocupada.

Diante do exposto, sinto informar que, embora sendo eu muito pobre para oferecer um banquete em minha residência, os hipócritas jamais se sentarão à minha mesa para comer arroz e feijão comigo.

Todavia, igualmente, informo que as portas de meu domicílio espiritual estarão sempre abertas aos amigos sinceros, que, desde já, sintam-se convidados para, um dia, se dignarem vir comer de meu pão em minha companhia e de meus bichanos.

 

INÁCIO FERREIRA

 

 

Uberaba – MG, 1 de agosto de 1016.



Escrito por Dr. Inácio Ferreira às 05h12
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FRATERNA CONVOCAÇÃO

 

O Espiritismo, em sua característica progressiva, necessita avançar, mesmo porque, a menos que queira se nivelar às doutrinas secularmente estacionárias, não lhe sobra alternativa.

Avançar, sem perder, é claro, a sua condição de Consolador, pois, sem o Evangelho, ele será apenas e tão somente um repositório de belas elucidações de natureza filosófica.

Mais do que conhecer, o homem carece de amar.

A Humanidade, nos tempos atuais, está a revelar o que o progresso material, por si só, pode representar para ela no que tange ao perigo de autodestruição.

Neste sentido, endereçamos fraterna convocação aos adeptos espíritas de mente arejada, que não se prendem a dogmas e ortodoxias.

A Codificação Espírita, que se complementa nas obras mediúnicas da lavra de Chico Xavier, carece de prosseguir se desdobrando, estabelecendo conexões, sobretudo, com a Ciência.

A expressão atribuída a Kardec de que o Espiritismo haverá de ser científico, ou não sobreviverá, não precisa ser de sua lavra para ser autêntica.

Na Introdução de “O Livro dos Espíritos”, porém, ele consignou com meridiana clareza que “o Espiritismo é a ciência do Infinito”.

Mais do que médiuns na psicografia de obras que, em geral, apenas reafirmam os seus Princípios Básicos, a Doutrina está necessitando de estudiosos e pesquisadores, enfim, de pensadores encarnados que lhe ampliem os conceitos.

O Espiritismo, em seu aspecto científico, com uma ou outra exceção, não está se desenvolvendo por obra de seus seguidores.

Os “construtores” da Doutrina, em pequeníssimo número, estão sendo sufocados apenas pelos que sabem implodir o acanhado esforço dos que estão procurando algo acrescentar ao seu magnífico edifício.

Não é lícito que os encarnados permaneçam na expectativa de que toda a Revelação provenha dos desencarnados.

Carecemos de incentivar, em nossos Centros, maior diálogo em torno dos postulados doutrinários, não deixando que esses mesmos Centros percam a sua característica de escola.

O Movimento Espírita de difusão da Mensagem da Terceira Revelação, igualmente, precisa ser Movimento de Expansão do Pensamento Espirita em si mesmo.

Muitas perguntas permanecem sem respostas.

Pior: muitas perguntas sequer têm sido formuladas com receio das respostas que, para elas, possam ser obtidas.

André Luiz, através de Chico Xavier, disse que “a ortodoxia no mundo costuma ser o cadáver da Revelação”.

Não estamos, convém repetir, desconsiderando o valor da Mensagem Espírita, que, sobretudo, nos exorta à renovação íntima. Porém, até o presente momento, as pesquisas, por exemplo, sobre Reencarnação e Mediunidade, têm se mostrado excessivamente tímidas.

Os críticos de Doutrina agem movidos pelo “achismo” – opiniões pessoais que, não raro, ocultam intenções menores, esquecidos de que a Verdade não pode ser tomada de assalto.

Estamos, todavia, esperançosos na nova geração de espíritas, que, a pouco e pouco, naturalmente, há de substituir os que tendem à igrejificação do Espiritismo, com pretensão a seus “bispos” e “cardeais”.

Convocamos, pois, a todos os irmãos e irmãs de boa vontade, sem comprometimento com políticas doutrinárias de bastidores, a que nos unamos pela libertação do Pensamento Espírita, não consentindo na sua elitização e, muito menos, no “controle pessoal” que alguns encarnados querem ter sobre ele, esquecidos de que o “espírito sopra onde quer”!...

 

INÁCIO FERREIRA

 

Uberaba – MG, 25 de julho de 2016.

 

 



Escrito por Dr. Inácio Ferreira às 05h19
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DIFERENTES NÍVEIS DE OBSESSÃO

(OBSESSORES “PÉ DE CHINELO” E DE “COLARINHO BRANCO”)

 

Em “O Novo Testamento”, deparamo-nos com diferentes episódios de influenciação espiritual nociva, deixando evidentes que, de fato, são diferentes os níveis de obsessão que podem acometer as criaturas encarnadas, de acordo com a natureza dos espíritos que lhe são causadores.

Inicialmente, analisemos o episódio do obsidiado de Gadara, que vivia atormentado por uma “legião” de entidades infelizes que, inclusive, o obrigavam a viver entre sepulcros.

Os espíritos que atormentavam aquele homem, ao que tudo indica, eram os de mais baixa condição, tanto assim é que, segundo a narrativa de Lucas, “os demônios saído do homem, entraram nos porcos, e a manada precipitou-se despenhadeiro abaixo, para dentro do lago, e se afogou.” Os porcos, que alguns estudiosos afirmam não existir naquela região, eram considerados impuros pelos judeus, tendo Moisés, em Levíticos, capítulo 11, versículo 7, proibido que a sua carne fosse consumida: “Também o porco, porque tem unhas fendidas, e o casco dividido, mas não rumina; este vos será imundo.”

Os obsessores do possesso de Gadara, salvo melhor interpretação, viviam nas regiões subcrostais, ou seja, no interior da Terra – o que, através das obras de André Luiz, notadamente “Libertação”, nos será dado mais facilmente compreender. O vampirismo exercido por eles era da ordem mais primitiva, visto que, ao que nos parece, visavam, com exclusividade, sugar o princípio vital de sua vítima, fazendo pasto de seu corpo a fim de se saciarem em seus animalescos apetites.

Do episódio envolvendo o gadareno passemos, agora, a refletir em torno da controvertida tentação de Jesus, que, de acordo com Mateus, no capítulo 4 de suas anotações, teve como palco o denominado Monte da Quarentena, em pleno deserto.

O espírito tentador do Cristo revela-se ardiloso, possuidor de considerável capacidade intelectual, visto que chega a tentá-Lo com as letras das Sagradas Escrituras, argumentado ao transportá-Lo para o pináculo do templo: “Se és filho de Deus, atira-te abaixo, porque está escrito: Aos seus anjos ordenará a teu respeito que te guardem; e: Eles te susterão nas suas mãos, para não tropeçares nalguma pedra.” Ele cita os Salmos, no capítulo 91, versículos 11 e 12. Vejamos, pois, que o tentador, além da arte de sofismar, era versado nas Escrituras!...

Mais do que claro, pois, que, se os espíritos que perturbavam o gadareno vinham “de baixo”, o tentador de Jesus provinha “de cima”.

Os obsessores do homem gadareno se revelam totalmente desprovidos de poder para algo oferecer em barganha e, portanto, sequer tentaram “negociar” com o Mestre a sua permanência naquela situação degradante. Já o tentador do Monte da Quarentena, ao conduzir o Senhor ao cume de um monte muito alto, tenta suborná-Lo, dizendo ao mostrar-Lhe “todos os reinos do mundo e a glória deles.”: “Tudo isto te darei se, prostrado, me adorares.”

Não acreditemos, portanto, que todos os espíritos obsessores, que atormentam os homens na Terra, provenham das consideradas regiões inferiores do Mundo Espiritual, visto que, muitos deles, aquartelam-se em Dimensões, das quais, segundo André Luiz, em “Libertação”, “buscam, acima de tudo, a perversão dos processos divinos que orientam a evolução planetária.”

Obsessores “pé de chinelo”, em sua miséria, existem aos montes perambulando pelas ruas das cidades, atuando no campo da obsessão individual, no entanto, aqueles que podemos chamar de “colarinho branco”, que, dos homens encarnados e desencarnados, pontificam nas altas esferas, são os obsessores da coletividade.

Os obsessores do gadareno, embora obsessores fossem não deixaram de se aproximar com respeito do Divino Mestre, mas o outro, o tentador, se Lhe mostrou com toda a sua desfaçatez e ironia, destituído mesmo até da autocrítica de quem estivesse oferecendo tudo a Quem já era dono de tudo.

 

INÁCIO FERREIRA

 

Uberaba – MG, 18 de julho de 2016.   

 

 

 

 



Escrito por Dr. Inácio Ferreira às 05h25
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O “SUCESSO” DOS CRÍTICOS

 

Triste e lamentável que esse ou aquele companheiro de Ideal, para alcançar o que interpreta por “sucesso” no campo doutrinário tenha que recorrer a critica em torno do esforço alheio.

Irmãos e irmãs que, desconhecendo o próprio valor, ainda passível, claro, de desenvolvimento, buscam projeção tecendo maledicentes comentários sobre a produção literária de autores encarnados e desencarnados.

Sob o pretexto de defenderem a tão propalada pureza doutrinária, encomendam artigos de combate a terceiros, acovardados de oferecerem à própria cara a tapa, ou, então, numa explícita confissão de sua incapacidade intelectual para o fazerem por si mesmos.

Em meu tempo de espírito encarnado, eu também me deparei com semelhante mediocridade, quando, pretensos confrades, a fim de se abstraírem no anonimato em que viviam, careciam de malhar os artigos e livros que, para escrever, me requisitavam boa cota de tempo e consumo de fosfato.

Digo-lhes, no entanto, que nunca pude identificar em nenhum deles, nesses teóricos da Doutrina, a coragem, por exemplo, de se alistarem como voluntários numa Casa de Caridade para lavaram as sujas nádegas de pequerruchos órfãos e de pobres idosos abandonados pela família.

Nunca pude constatar, repito, em nenhum deles, o Evangelho do Cristo vivenciado na prática, posto que, quase sempre, efetuavam os seus comentários malsãos acomodados em suas poltronas giratórias, trancados em seus gabinetes, à distância daqueles que passam fome na periferia das cidades em que residem.

Nunca pude, verdadeiramente, avaliar-lhes o currículo moral, visto que, muitos deles, como relés “batedores de carteiras”, viviam de surrupiar o prestígio de confrades bem intencionados, na perseguição sistemática que lhes moviam através de sua boca caluniosa.

Habituei-me a eles e, por eles, desenvolvi certo sentimento de compaixão, por reconhecer-lhes a sistemática vocação para pigmeus do espírito, visto que, equivocadamente, sempre imaginaram que pudessem crescer à custa de amputar as pernas daqueles que sempre lhes inspiravam insuperável complexo de inferioridade.

Por isto, meu caro, não ligue maior importância ao que se disse e ao que se diz, ou, ainda, ao que se dirá, a respeito do trabalho que, em parceria, intentamos desenvolver sem o menor propósito de incomodar as consciências verdadeiramente tranquilas.

Somadas as nossas duas idades, eu e você, fora do corpo e no corpo, contamos com quase duzentos anos, e, portanto, não somos mais crianças capazes de se intimidarem com a história do “lobo mau”, que, mesmo depois de reencarnado, não desiste de devorar o “chapeuzinho vermelho”...

Esse pessoal, que se imagina “donos” da Doutrina, assalariados pelo não sei o quê e por quem não sei – e não quero saber! –, certamente, acredita que recuaremos ao seu simples bater de pé, quando, ao longo do tempo, já nos habituamos a trabalhar com a faca de afiadas baionetas espetada ao peito...

Se não os ignoramos aqui nestas linhas de hoje é porque sabemos que, furtivamente, às escondidas, eles nos leem, sistematicamente, todas as segundas-feiras, a fim de se ilustrarem em sua ignorância ou, então, para se perturbarem um tanto mais no sentimento de inveja, que, a pouco e pouco, os vêm consumindo pelas entranhas.

Coitados! Recomendamo-los em nossas orações, conforme eles mesmos vivem propalando, aos ferrenhos obsessores que nos perturbam, visto que até mesmo o direito de orarmos a Deus, nosso Pai de Infinita Misericórdia, eles nos retiraram.

Quanto a nós outros, meu caro, vamos para o teclado do computador porque, antes de você deixar a carcaça, temos o compromisso de continuar acordando os que estão dormindo, ou àqueles, que estando de olhos arregalados, sofrem com os inúmeros pesadelos que os acometem a qualquer hora do dia e da noite.

Antes, porém, de encerrarmos, recitemos a eles, aos nossos críticos contumazes, estrofes que o gênio de Castro Alves, de improviso, dedicou a uma dama que lhe havia desdenhado o convite para uma valsa:

“De nada vale o que tens

Que não me podes comprar;

Ainda que possuísses

Todas as pérolas do mar!

És fidalga? – Sou poeta!

Tens dinheiro? – Eu a completa

Riqueza no coração;

“Não troco uma estrofe minha

Por um colar de rainha

Nem por troféus de latão.”

 

Obs: Alguns historiadores atribuem a autoria dos versos de "Orgulhosa" ao poeta Trasíbulo Ferraz Moreira.

 

 

INÁCIO FERREIRA

 

Uberaba – MG, 11 de junho de 2016.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 



Escrito por Dr. Inácio Ferreira às 05h18
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REENCARNAÇÃO E DESENCARNAÇÃO

(Outras Reflexões)

 

O espírito, em geral, reencarna sem lucidez.

Esquece o passado.

Duvida da existência do Mundo Espiritual de que procedeu.

Ignora o seu transcendente destino.

Vive espiritualmente adormecido.

Confunde-se com o corpo físico.

Do berço ao túmulo, realiza quase insignificante progresso.

.........................................................................................................

O espírito, em geral, desencarna sem consciência do fenômeno.

Olvida o pretérito.

Na maioria das vezes, permanece dormindo.

Chega a duvidar de que tenha “morrido”.

Prossegue ignorando o seu glorioso futuro.

Continua a confundir-se, agora com o seu corpo espiritual.

Do túmulo a novo berço, a sua evolução é lenta.

.........................................................................................................

No livro “Os Mensageiros”, capítulo 22 – “Os Que Dormem” –, eis interessante elucidação de André Luiz, sobre a maioria dos espíritos que, pela desencarnação, deixam o corpo físico: “Muitos penetram nossas regiões de serviço, como embriões de vida, na câmara da Natureza sempre divina. Um amigo nosso costuma designá-los por fetos da espiritualidade...”

.........................................................................................................

“Embriões de vida”!...

“Fetos da espiritualidade”!...

Eles existem no corpo carnal e fora dele.

Ainda segundo André Luiz, que registrava explicações de Aniceto, eles “dormem, porque estão magnetizados pelas próprias concepções negativistas; permanecem paralíticos porque preferiram a rigidez ao entendimento...”

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Nem todo espírito encarnado crê na existência do Mundo Espiritual e nem todo espírito, mesmo estando desencarnado, acredita que a vida prossegue para além da Terra.

Muitos dos que não dormem, porém desencarnados, imaginam, ainda estar vivendo na Crosta.

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Concluímos que, para grande número de espíritos, os fenômenos da desencarnação e da reencarnação, a repetirem-se, em círculo vicioso, são meros episódios periféricos.

Não lhes alteram a realidade íntima substancial.

Daí o estranho fenômeno de o espírito encarnado recordar-se de uma existência pregressa vivida na Terra, e não recordar-se de seu tempo de permanência no Mundo, ou Planeta Espiritual.

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No livro “Nosso Lar”, no capítulo 1, André Luiz, descrevendo a sua própria experiência de espírito recém-desencarnado, afirma peremptório: “Enfim, como a flor de estufa, não suportava agora o clima das realidades eternas. Não desenvolvera os germes divinos que o Senhor da Vida colocara em minhalma. Sufocara-os, criminosamente, no desejo incontido de bem-estar. Não adestrara órgãos para a vida nova.”

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“Não adestrara órgãos para a vida nova.”!...

Que órgãos seriam tais?...

Principalmente o órgão cerebral, ou seja, a mente, que, ao ser desenvolvido, nos ensejará separar a ilusão da existência física da realidade da Vida Espiritual.

Assim como, na Terra, pouco se admitem na condição de espíritos reencarnados, poucos, no Mundo Espiritual, se reconhecem na condição de espíritos desencarnados.

 

INÁCIO FERREIRA

 

Uberaba – MG, 4 de julho de 2016.

 

 

 

 

 



Escrito por Dr. Inácio Ferreira às 05h25
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PROVA CONCRETA DA REENCARNAÇÃO

(A reencarnação anunciada de Allan Kardec como Chico Xavier)

 

A questão que, para alguns poucos, é controvertida, da anunciada reencarnação de Allan Kardec, trata-se, em verdade, de singular e concreta prova da Multiplicidade das Existências.

Enquanto pesquisadores sérios vivem, no mundo todo, coletando dados que atestem a realidade das Vidas Sucessivas, publicando, por vezes, volumosas monografias a respeito, os adeptos do Espiritismo foram agraciados pelo anúncio de que o Codificador, desencarnado a 31 de março de 1869, voltaria a Terra, em novo corpo, com a finalidade de dar complemento à Obra que iniciara.

O Professor Rivail que, através de segura informação espiritual, soubera de uma sua existência passada entre os druidas, nas Gálias, na tarefa que lhe coube de concorrer para a restauração do Cristianismo, recebeu de diversos Espíritos, e entre eles do Espírito Verdade, a revelação de que o seu regresso ao corpo já estava programada.

Não fosse Chico Xavier, apenas sob uma perspectiva moral e espiritual, pelo extraordinário conteúdo de sua Obra psicográfica, o legítimo continuador de Allan Kardec, no inegável desdobramento do chamado “Pentateuco”, por fatos históricos inequívocos, inclusive matemáticos, de absoluta precisão, a reencarnação do Codificador como Chico Xavier, o extraordinário medianeiro, fornece-nos uma prova cabal da tese reencarnacionista, que, sem dúvida, filosófica e cientificamente, constitui-se no cerne do Espiritismo.

As evidências são irrefutáveis:

- Allan Kardec previu o seu retorno ao corpo para o final do século XIX ou para o início do século XX. Chico Xavier nasceu no dia 10 de abril de 1910, no alvorecer do século XX.

- Entre a desencarnação de Allan Kardec e o nascimento de Chico Xavier, temos quase exatos quatro décadas – 1869-1910. Chico Xavier afirmava que, no Mundo Espiritual, ele se preparara durante quarenta anos para cumprir com a sua tarefa de Médium.

- Os Espíritos disseram a Allan Kardec que, em sua volta, ser-lhe-ia dado trabalhar desde cedo. Chico Xavier, oficialmente, começou a psicografar com 17 de idade, sendo, porém, que a sua “primeira psicografia” aconteceu, em sala de aula, quando contava com 12 de idade, cursando o 4º ano primário no Grupo Escolar “São José”, em Pedro Leopoldo.

- Acrescentaram os Espíritos que, quando voltasse a Terra, em novo corpo, o Codificador teria a “satisfação de ver em plena frutificação a semente” que ele espalhara. Chico Xavier, de fato, deparou-se, no Brasil, com a Doutrina em florescência, inclusive, com a “Federação Espírita Brasileira”, fundada em 1884, e com o Espiritismo já contando com vários vultos de escol, entre os quais o Dr. Bezerra de Menezes, desencarnado em 1900.

Allan Kardec, fazendo, no Espiritismo, tremular a bandeira de Reencarnação, terminou por ser, ele mesmo, ao longo da história de toda Humanidade, uma de suas provas mais concretas, comparável somente à reencarnação de Elias em João Batista, atestada pelas tácitas palavras do Cristo.

Curiosamente, nenhum Evangelista trata os assuntos da Reencarnação (diálogo com Nicodemos) e do Advento do Consolador, que é o
Espiritismo, com a propriedade com que eles são tratados no Evangelho de João, o “discípulo amado”, que foi uma das muitas vidas de Allan Kardec.

Pode-se ainda acrescentar aos estudiosos do fenômeno, o fato de Allan Kardec – o Professor Rivail – ter sido francês, nascido na cidade de Lion, e o prenome “Francisco”, de Francisco Cândido Xavier, significar, literalmente, “pequeno francês”. Allan Kardec era de “altura meã”, quanto Chico Xavier – em torno de 1,65 m.

Kardec, com 65 anos de idade, desencarna pelo rompimento de um aneurisma na aorta. Chico Xavier, praticamente com a mesma idade, começa a sofrer de angina pectoris, que lhe provocava constantes dores no tórax.

Embora muitos leitores dessas nossas publicações no Blog possam considerar recorrente o assunto da reencarnação Allan Kardec/Chico Xavier, nós pensamos que as reflexões em torno de tema tão importante estejam ainda muito longe de serem esgotadas, e sempre que oportuno quanto agora a elas haveremos de retornar.

 

INÁCIO FERREIRA

 

Uberaba – MG, 27 de junho de 2016.

 

 

 

 

 

 

 



Escrito por Dr. Inácio Ferreira às 05h26
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ESPIRITISMO E ENTRESSAFRA
 
(Reflexões de 18 de Abril)
 
 
Não há negar que, após desencarnação de Chico Xavier, ocorrida a 30 de junho de 2002, o Espiritismo, quase em todos os seus aspectos, entrou num período de entressafra, que, infelizmente, ninguém sabe dizer quanto tempo há de durar. (Esse período de entressafra prolongadíssimo foi o que levou o Espiritismo a desaparecer quase que por completo em França!)
Durante, praticamente, todo o século XX, o trabalho de Chico impulsionou a Doutrina, seja no campo literário, com espantosa produção mediúnica, seja no campo do apostolado, levando adiante o labor vivencial de tantos outros notáveis pioneiros do Espiritismo no Brasil.
A verdade, porém, é que agora, infelizmente, com o desenlace de Chico, o seu líder natural, o Espiritismo empobreceu-se de valores espirituais encarnados, e, por que não dizer, igualmente, dos valores espirituais desencarnados que por ele se expressavam.
Médiuns, até imbuídos de certa boa vontade, porém extremamente faltos de idealismo superior, surgem aqui e ali, em labor personalista e interesseiro que, sinceramente, não se compreende.
Principiantes no afã da mediunidade, com, inclusive, escasso conhecimento da Doutrina, sedentos de holofote e promoção pessoal, em vez de somar em benefício da Fé, estão sendo utilizados como instrumentos de descrença pelos opositores invisíveis da Terceira Revelação.
Quase em toda a parte, despontam seareiros que, agindo inescrupulosamente, enganam aos mais incautos, propondo inovações ao corpo doutrinário, anunciando-se como missionários nas atividades-relâmpago que, felizmente, depois de não alcançarem a repercussão esperada, são abandonadas por eles, que se retiram de tais atividades alegando incompreensão e falta de receptividade – quando deveriam alegar falta de sucesso empresarial!
Raros são os que, perseverando em suas tarefas humildes, neste período de entressafra, mantém acesa a chama do Ideal, agregando alguns poucos em torno do suor que, anonimamente, derramam na sustentação da Fé Raciocinada, que, sem dúvida, vem sendo acuada pelos sistemáticos adversários do Cristo, que não desanimam de fazer eclipsar a luz que Ele representa e sempre há de representar para a Humanidade.
A fase atual que o Espiritismo vem atravessando é difícil e, infelizmente, promete ser uma longa e espessa noite, até que espíritos realmente sinceros e comprometidos com a Causa tomem corpo na Terra e deem à Doutrina o novo impulso que ela está a carecer, notadamente, no campo do apostolado do exemplo.
Não imaginemos que tudo, no entanto, deva correr por conta de uma planificação de Ordem Superior, e que, no momento certo, as coisas haverão de acontecer. De fato, nada sucede à revelia da Vontade do Criador, mas – que isto fique bem claro –, não nos esqueçamos de que, voluntariamente ao lhe aderir, é através da vontade da criatura que ela se executa.
O Cristo, em certa oportunidade, afirmou que o Pai trabalha e que Ele também trabalha, significando, em outras palavras, que Eles se esforçam, e esforçam-se diuturnamente, para que o Reino Divino se estabeleça entre os homens.
Uma série de fatores deve ser levada em conta, porque ao que se sabe a maioria dos espíritos que reencarnam com determinada tarefa a cumprir na Terra, desviando-se de suas finalidades, não a cumprem, e, quando logram cumpri-la, apenas o fazem de maneira parcial – e, não raro, comprometedora!
Que nós, portanto, espíritos encarnados e desencarnados, trabalhadores deste momento de entressafra espiritual, que, sem dúvida, começou exatamente com a desencarnação de Chico Xavier no início do Terceiro Milênio – entressafra que, na Doutrina, vem nos deixando quase que completamente sem parâmetros de ordem moral! –, procuremos permanecer, ao menos, na condição de guardiães da Luz que não pode se apagar, esperando e orando pela chegada daqueles que, espíritos de semelhante cepa a do Inolvidável Medianeiro, possam continuar fazendo com que a Luz brilhe em todo o seu esplendor, norteando a Humanidade que, em termos espirituais, presentemente, nos parece totalmente sem rumo, a caminho do abismo.
Não creiamos, pois, sem importância, a reunião semanal que, praticamente, a sós, estejamos sustentando na Casa Espírita que frequentamos, ou ainda, junto aos mais carentes, a singela atividade assistencial que mantenha tremulando a bandeira da Caridade, que, sem palavras, fala da excelência do Amor que se, um dia, viesse a desaparecer da face da Terra induziria a Humanidade a suicídio de ordem coletiva.
 
INÁCIO FERREIRA
 


Uberaba – MG, 18 de abril de 2016.
 
OBS: Página recebida pelo médium na data acima, porém, tão somente agora sendo publicada.



Escrito por Dr. Inácio Ferreira às 08h05
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RUMOS DO ESPIRITISMO

 

Sinceramente, eu não sei como interpretar os espíritas que, em termos de filosofia religiosa, acham que o Espiritismo seja a única Verdade existente no mundo, e, quiçá, no Universo.

Eu não sei como entender os que consideram que o que não esteja em Allan Kardec não possa ser Espiritismo, qual se o Espiritismo já estivesse todo na palavra do Codificador.

Eu não sei como compreender os adeptos da Doutrina que, até com certa agressividade, se atritam uns com os outros, discutindo sobre determinadas questiúnculas doutrinárias que o resto da Humanidade ignora completamente.

Eu não sei com que autoridade moral algum companheiro de Ideal possa levantar a voz e rotular a outro de desequilibrado, simplesmente porque ele não pensa pela sua cabeça.

Eu não sei como classificar a perturbação que acomete certos confrades que, investindo-se na condição de patrulheiros ideológicos da Causa, sumariamente, marginalizam o esforço de tanta gente que está procurando doar o melhor de si, nas singelas tarefas a que se consagram no anonimato.

Eu não sei o que se passa com meia dúzia, ou um pouco mais, de irmãos de fé espírita-cristã, que consideram que, no diz respeito Mediunidade, a última palavra sempre lhes pertence, no diagnóstico que fazem sobre o psiquismo alheio.

Eu não sei...

Eu só sei que nós, os espíritas, estamos precisando exercitar um pouco mais a humildade e o espírito de caridade com os semelhantes.

Eu só sei que, no que tange a mim, estou carecendo ouvir mais a voz de minha própria consciência, na corrigenda de meus defeitos, do que qualquer outra que esteja verberando aos meus ouvidos, com a eloquência que verbera na boca de um profeta enlouquecido.

Eu só sei que, por ser adepto do Espiritismo, eu não desfruto de privilégio algum e não sou melhor que nenhum de meus irmãos em Humanidade, que, por vezes, sequer já aprenderam a orar o “Pai Nosso”.

Eu só sei que, se não tomar cuidado, a vaidade e personalismo vão tomar conta de mim, como, infelizmente, já tomaram conta de muita gente boa, que imaginam que a luz da Terceira Revelação seja propriedade deles.

Eu só sei que se eu não correr léguas de distância de mim mesmo, se me colocarem um fósforo na mão e me derem alguns gravetos, eu vou acabar acendendo uma fogueira para queimar aqueles que ousam duvidar de meus pretensos conhecimentos.

Eu só sei que nós, os espíritas, precisamos orar muito uns pelos outros, principalmente por aqueles que se forçam na condição de líderes de não sei o quê, e, uma vez mais, alucinados pelo poder, supõem-se altos missionários que o Mundo Espiritual enviou a Terra.

Eu só sei que o Espiritismo, a conduzir-se por alguns espíritas, sob a assessoria das Trevas, está tomando um rumo que não lhe é nada alentador, e que, sinceramente, me deixa muito triste e preocupado.

E que, talvez, isso tudo esteja acontecendo porque anda sobrando espíritas no Espiritismo e faltando cristãos.

 

INÁCIO FERREIRA

 

Uberaba – MG, 13 de junho de 2016.

 

OBS: Sim, meu caro, eu estava lá, ao seu lado, observando aquele nosso companheiro de Doutrina que, tomando a palavra, não deixava ninguém falar – somente ele falava e entendia sobre todos os assuntos, sempre se colocando na condição de “personagem central” de todas as estórias que contava. Lamentável! Quanta inteligência desperdiçada por tanta vaidade! Eu fiquei, verdadeiramente, pasmo, com os muitos Jesus que ele conseguia identificar na História: o Jesus “joanino”, o Jesus “paulino”, o Jesus “judeu”, o Jesus “grego”, o Jesus “romano”... E eu, tolo que sou, sempre imaginei que Jesus do “amai-vos uns aos outros como eu vos amei” fosse um só!...

 

 

 

 

 



Escrito por Dr. Inácio Ferreira às 15h26
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NUDEZ NO ALÉM?!
 
Por vezes, imagino que os homens – mormente os espíritas, claro! – supõem na Vida além da morte um verdadeiro campo de nudismo.
Sim, porquanto, eu mesmo, quando encarnado, jamais ouvi de quem fosse a menor referência à vestimenta dos mortos – talvez até, quem sabe, fosse preconceito contra os estilistas e os costureiros, de ambos os sexos.
Assim que me iniciei na Doutrina, ficava pensando em que situação os espíritos haveriam de deixar o corpo carnal – com que roupa haveriam de se cobrir, de vez que até mesmo Adão e Eva, quando expulsos do Jardim do Éden, “percebendo que estavam nus, coseram folhas de figueira, e fizeram cintas para si.”
Os pobres defuntos, certamente, haveriam de se ver na mesma dúvida que assaltou o sambista Noel Rosa, que, em canção de grande sucesso, nos idos de 1929, ficava se perguntando, com insistência, “com que roupa eu vou”...
Recordo-me que, então, na minha insipiência, que, aliás, perdura até hoje, cheguei a indagar de um companheiro cujo nome, em respeito à sua venerável memória, prefiro não citar, sobre a situação vestimental dos espíritos no Mundo Espiritual. Ele, modulando o tom de voz, respondeu-me quase ao pé do ouvido: - Os espíritos usam uma espécie de roupão de americano cru que lhes desce até aos calcanhares, e os que não andam descalços, calçam sandálias... Que coisa mais sem gosto – pensei eu sem nada retrucar, pois, afinal, eu não passava de um neófito, que estimava envergar um terno de linho cento e vinte e de calçar um par de sapatos italianos, pois, neste sentido, a indústria brasileira ainda estava nos seus primórdios.
Todavia, assim que comecei a participar das sessões mediúnicas do Sanatório, através, principalmente, de Modesta, ouvia os desencarnados afirmarem que as suas roupas estavam estraçalhadas...
- Eureka! – exclamei. O rei, qual no conto de Hans Cristhian Andersen, pode estar nu, mas os mortos, não estão! Ainda, pois, há alguma esperança para mim, que, do Outro Lado, sentir-me-ei envergonhado de que alguém me veja despido, exibindo as partes mais íntimas aos olhos pouco misericordiosos de qualquer...
Logo em seguida, não me recordo quem me colocou nas mãos o livro recém-lançado de André Luiz, “Nosso Lar”, editado em 1944, quando, então, eu contava com 40 anos de idade. Folheando, numa primeira leitura, despretensiosamente, as suas páginas, chamou-me a atenção as seguintes palavras do ilustre defunto: “Crescera-me a barba, a roupa começava a romper-se com os esforços da resistência, na região desconhecida.” Sentindo-me salvo, com avidez, procurei em todos os demais capítulos da referida obra, algum outro subsídio que me livrasse do nudismo total ou, talvez, até o que fosse pior, daquele estranho roupão de americano cru... E, em seu capítulo 22 – “O Bônus-Hora” –, mais uma vez, eu me senti salvo, ante as explicações da senhora Laura, que dizia a André que, na cidade, além de produção de alimentos, havia produção de vestuário.
Ainda hoje eu não sei como é que anda a situação aí embaixo, na Crosta, em torno da controvertida questão do nudismo dos mortos, que muitos acreditam continuar deixando o corpo sem sequer uma folha de figueira para lhes cobrir o que a morte não faz com que nós, os desencarnados, percamos.
Com a palavra os mais eruditos em Doutrina que, certamente, tomando a sua própria transcendência por medida de todos os defuntos, haverão de dizer que os espíritos são lisinhos, e que, justamente, por tal motivo, não carecem eles de qualquer pedaço de pano para lhes ocultar as protuberâncias carnais, de tão falecidas que essas mesmas protuberâncias já se encontram.
 
INÁCIO FERREIRA
 
Uberaba – MG, 6 de junho de 2016.



Escrito por Dr. Inácio Ferreira às 08h02
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A PARÁBOLA DOS TRABALHADORES DA VINHA

 

Para se compreender a Justiça Divina, o estudo da Parábola dos Trabalhadores da Vinha é imprescindível.

Rapidamente, meditemos nela.

O “dono de casa” “saiu de madrugada para assalariar trabalhadores para a sua vinha”.

Com os primeiros trabalhadores, “ajustou a um denário por dia”.

“Saindo pela terceira hora” (9 da manhã), contratou para o mesmo trabalho alguns desocupados na praça.

“Tendo saído outra vez perto da hora sexta (12 horas) e da nona (3 da tarde), procedeu da mesma forma.” – ajustou trabalhadores para a sua vinha.

Finalmente, na hora undécima (5 horas da tarde, quase ao anoitecer), “encontrou outros que estavam desocupados e perguntou-lhes: Por que estivestes aqui desocupados o dia todo? Responderam-lhe: Porque ninguém nos contratou. Então lhe disse ele: Ide também vós para a vinha.”

A hora do acerto com os trabalhadores é de suma importância para que melhor possamos ajuizar em torno da Justiça Divina.

A todos eles, o senhor da vinha, chamando o administrador, mandou que se pagasse um denário, “começando pelos últimos, indo até os primeiros.”

Claro que os primeiros, os que foram contratados logo ao romper do dia, reclamaram, “dizendo: Estes últimos trabalharam apenas uma hora; contudo os igualaste a nós que suportamos a fadiga e o calor do dia.”

De fato, existe aí uma aparente injustiça, pois que, quantitativamente, os da undécima hora trabalharam muito menos que os demais.

Porém, a resposta do proprietário da vinha, que, na Parábola, simboliza o Criador, que se expressa através de Suas leis, nos induz a profundas reflexões:

- “Amigo, não te faço injustiça; não combinaste comigo um denário? Toma o que é teu, e vai-te; pois quero dar a este último, tanto quanto a ti.”

Vejamos que os trabalhadores estavam querendo interferir no senso de justiça do patrão (em relação a Deus, é o que sempre acontece com o homem) – estavam, noutras palavras, querendo dizer ao patrão o que fazer com o que era seu!...

- “Porventura não me é lícito fazer o que quero do que é meu? Ou são maus os teus olhos porque eu sou bom?”

Devido a sua não compreensão da Justiça Divina é que o homem coloca em dúvida a existência do Criador.

Para que o homem aceite a existência de Deus, ele necessita se exercitar na compreensão de Sua justiça, que, evidentemente, não se mede pela nossa visão estreita das coisas.

A interpretação imediatista dos acontecimentos é causa de cepticismo.

O Dono da Vinha não fora injusto com ninguém – ele combinara com os que, de livre e espontânea vontade, aceitaram a Sua proposta de salário. E, depois, não significa que quem começa a trabalhar antes, trabalhe mais, ou seja, melhor trabalhador que quem começa por último.

Em “Nosso Lar”, segundo André Luiz, o “bônus hora” corresponde ao número de horas trabalhadas e, também, à qualidade do trabalho prestado – e, ainda, à importância dele.

Nem sempre quem trabalha mais, trabalha melhor.

Encerrando a Parábola, que, claro, comporta interpretações de mais ampla transcendência, o Senhor proclama:

- “Assim, os últimos serão primeiros, e os primeiros serão últimos [porque muitos são chamados, mas poucos escolhidos].”

Perante as Leis da Evolução, os últimos, ou seja, os que começaram por derradeiro poderão, pelo seu esforço, igualar-se, aos que começaram primeiro.

A Parábola dos Trabalhadores da Vinha, dita, de viva voz, aos judeus, os advertia por se acomodarem na condição de “povo escolhido”, e, previamente, “assalariado”.

Cremos, sinceramente, que o mesmo possa se aplicar aos espíritas, que se consideram “trabalhadores da última hora” – somente porque estejamos sendo chamados na “undécima” hora, não significa que venhamos a sermos “escolhidos” – tanto quanto aos demais trabalhadores da vinha, estamos apenas garantindo o nosso denário!...

A porção de água do rio que chega ao mar por último não se torna menos salgada do que a porção que chegou primeiro, e vice-versa.

O grande problema do homem é questionar a Justiça Divina e, por concluir pela sua aparente contradição, desistir de compreendê-la.

 

INÁCIO FERREIRA

 

Uberaba – MG, 30 de maio de 2016.

 

 



Escrito por Dr. Inácio Ferreira às 05h19
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A IGNORÂNCIA É “GENÉTICA”

 

- Doutor, dias atrás, conversando, eu não sei se em tom de algum desabafo, o senhor me disse que a ignorância é “genética”...

- Não, eu não o disse apenas em tom de desabafo. A ignorância, com base na lei “semelhante atrai semelhante”, é, de fato, genética, e, em determinados grupos familiares, chega a ser endêmica. (A obsessão, segundo palavras do Codificador na “Revue Spirite”, de janeiro de 1863, escrevendo sobre os possessos de Morzine) pode, igualmente, adquirir caráter epidêmico!)

 

- Existe uma base doutrinária para o que senhor afirma?...

 - “O Livro dos Espíritos” – Semelhanças Físicas e Morais –, questões 207 a 217. Vejamos, por exemplo, a questão 207-a: - “De onde vêm as semelhanças morais que existem às vezes entre os pais e os filhos?” Resposta: - “São espíritos simpáticos, atraídos pela afinidade de suas inclinações.”

 

- A ignorância, digamos, sendo uma doença, pode ser contagiosa?...

- Claro. Ela se transmite, assim como o fanatismo, o preconceito, etc. A convivência com determinados espíritos podem nos fazer semelhantes a eles – evidentemente, se não os fizermos semelhantes a nós! Porque a lucidez intelectual também é contagiosa. Os grandes mestres nos ensinam pelo que dizem, mas, principalmente, pelo seu exemplo. A bondade de Chico Xavier, por exemplo, contagiava a muitos.

 

- Como é que o círculo vicioso de ignorância pode se quebrar em um povo, ou em uma família?...

- Através da dor, ou, então, da reencarnação de espíritos que, de alguma sorte, conseguem lhes incutir novas ideias – pelo menos, levá-los a considerar a possibilidade de sua cegueira espiritual! Admitir a possibilidade da própria ignorância já é um grande progresso – mas é preciso admitir mesmo de fato, e não como quem esteja apenas querendo despertar sentimento de autopiedade nos outros.

 

- A ignorância é uma cegueira espiritual?...

- É treva pura! Conheço pessoas que argumentam sobre determinadas ideias que possuem com uma propriedade de fazer inveja aos doutores da lógica... Foi a respeito deles que disse Jesus: “... caso a luz que em ti há sejam trevas, que grandes trevas serão!”

 

- Quer dizer que a luz que muita gente imagina possuir?...

- É treva sem tamanho! E quase sempre é assim. Raro – muito raro – o espírito que se mantém de mente aberta, disposto a assimilar novos conhecimentos, ou, pelo menos, meditar no que ouve, sem, à primeira análise, rejeitar por absurdo ao seu entendimento.

 

- Talvez, por tal motivo, não seja fácil, não é, Doutor, ao espírito evoluir, porque, quase sempre, renasce no mesmo meio cultural?...

- Realmente. Por esta razão, muitas vezes, por acontecimentos os mais variados, os espíritos são levados a imigrarem, reencarnando no seio de outros povos, de outros grupos familiares, ou mesmo dentro de situações completamente antagônicas àquelas a que estão habituados.

 

- As desencarnações de filhos e netos que, de repente, se vêm impossibilitados de voltarem à Terra no seio da mesma família?...

- Vão ter que procurar outros pais e avós – com o fito de aprender, ou, quem sabe, de levar aprendizado a grupos que estejam marcando passo nas sendas da Evolução. O espírito, não raro, pode trocar de família, assim como troca de casa. Qual o problema?! A criança tornada adulta não sai de casa à procura do próprio caminho?! Indaga-nos o Senhor: “Quem é minha mãe e quem são meus irmãos?”

 

- Doutor, mas, literalmente, existe o gene da ignorância?...

- Meu caro, a genética é ditada pelo espírito e, naturalmente, se imprime ao corpo que ele ocupa, inclusive, e principalmente, ao corpo espiritual. O corpo é um arsenal de genes – nele, existem genes para tudo! A falta de sinapses entre os neurônios dificulta o aprendizado. As células da memória são mais ativas em uns cérebros que em outros. Predisposições ao alcoolismo são comuns nos descendentes de alcóolatras. Não é que a ignorância possa ser transmitida “geneticamente”, mas, sim, que geneticamente ela possa ser facilitada em sua manifestação.

 

 

INÁCIO FERREIRA

 

Uberaba – MG, 22 de maio de 2016. 

 

 



Escrito por Dr. Inácio Ferreira às 07h58
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