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MEDIUNIDADE NA INTERNET
- Blog do Dr. Inácio Ferreira -
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ESPIRITISMO E ENTRESSAFRA
 
(Reflexões de 18 de Abril)
 
 
Não há negar que, após desencarnação de Chico Xavier, ocorrida a 30 de junho de 2002, o Espiritismo, quase em todos os seus aspectos, entrou num período de entressafra, que, infelizmente, ninguém sabe dizer quanto tempo há de durar. (Esse período de entressafra prolongadíssimo foi o que levou o Espiritismo a desaparecer quase que por completo em França!)
Durante, praticamente, todo o século XX, o trabalho de Chico impulsionou a Doutrina, seja no campo literário, com espantosa produção mediúnica, seja no campo do apostolado, levando adiante o labor vivencial de tantos outros notáveis pioneiros do Espiritismo no Brasil.
A verdade, porém, é que agora, infelizmente, com o desenlace de Chico, o seu líder natural, o Espiritismo empobreceu-se de valores espirituais encarnados, e, por que não dizer, igualmente, dos valores espirituais desencarnados que por ele se expressavam.
Médiuns, até imbuídos de certa boa vontade, porém extremamente faltos de idealismo superior, surgem aqui e ali, em labor personalista e interesseiro que, sinceramente, não se compreende.
Principiantes no afã da mediunidade, com, inclusive, escasso conhecimento da Doutrina, sedentos de holofote e promoção pessoal, em vez de somar em benefício da Fé, estão sendo utilizados como instrumentos de descrença pelos opositores invisíveis da Terceira Revelação.
Quase em toda a parte, despontam seareiros que, agindo inescrupulosamente, enganam aos mais incautos, propondo inovações ao corpo doutrinário, anunciando-se como missionários nas atividades-relâmpago que, felizmente, depois de não alcançarem a repercussão esperada, são abandonadas por eles, que se retiram de tais atividades alegando incompreensão e falta de receptividade – quando deveriam alegar falta de sucesso empresarial!
Raros são os que, perseverando em suas tarefas humildes, neste período de entressafra, mantém acesa a chama do Ideal, agregando alguns poucos em torno do suor que, anonimamente, derramam na sustentação da Fé Raciocinada, que, sem dúvida, vem sendo acuada pelos sistemáticos adversários do Cristo, que não desanimam de fazer eclipsar a luz que Ele representa e sempre há de representar para a Humanidade.
A fase atual que o Espiritismo vem atravessando é difícil e, infelizmente, promete ser uma longa e espessa noite, até que espíritos realmente sinceros e comprometidos com a Causa tomem corpo na Terra e deem à Doutrina o novo impulso que ela está a carecer, notadamente, no campo do apostolado do exemplo.
Não imaginemos que tudo, no entanto, deva correr por conta de uma planificação de Ordem Superior, e que, no momento certo, as coisas haverão de acontecer. De fato, nada sucede à revelia da Vontade do Criador, mas – que isto fique bem claro –, não nos esqueçamos de que, voluntariamente ao lhe aderir, é através da vontade da criatura que ela se executa.
O Cristo, em certa oportunidade, afirmou que o Pai trabalha e que Ele também trabalha, significando, em outras palavras, que Eles se esforçam, e esforçam-se diuturnamente, para que o Reino Divino se estabeleça entre os homens.
Uma série de fatores deve ser levada em conta, porque ao que se sabe a maioria dos espíritos que reencarnam com determinada tarefa a cumprir na Terra, desviando-se de suas finalidades, não a cumprem, e, quando logram cumpri-la, apenas o fazem de maneira parcial – e, não raro, comprometedora!
Que nós, portanto, espíritos encarnados e desencarnados, trabalhadores deste momento de entressafra espiritual, que, sem dúvida, começou exatamente com a desencarnação de Chico Xavier no início do Terceiro Milênio – entressafra que, na Doutrina, vem nos deixando quase que completamente sem parâmetros de ordem moral! –, procuremos permanecer, ao menos, na condição de guardiães da Luz que não pode se apagar, esperando e orando pela chegada daqueles que, espíritos de semelhante cepa a do Inolvidável Medianeiro, possam continuar fazendo com que a Luz brilhe em todo o seu esplendor, norteando a Humanidade que, em termos espirituais, presentemente, nos parece totalmente sem rumo, a caminho do abismo.
Não creiamos, pois, sem importância, a reunião semanal que, praticamente, a sós, estejamos sustentando na Casa Espírita que frequentamos, ou ainda, junto aos mais carentes, a singela atividade assistencial que mantenha tremulando a bandeira da Caridade, que, sem palavras, fala da excelência do Amor que se, um dia, viesse a desaparecer da face da Terra induziria a Humanidade a suicídio de ordem coletiva.
 
INÁCIO FERREIRA
 


Uberaba – MG, 18 de abril de 2016.
 
OBS: Página recebida pelo médium na data acima, porém, tão somente agora sendo publicada.



Escrito por Dr. Inácio Ferreira às 08h05
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RUMOS DO ESPIRITISMO

 

Sinceramente, eu não sei como interpretar os espíritas que, em termos de filosofia religiosa, acham que o Espiritismo seja a única Verdade existente no mundo, e, quiçá, no Universo.

Eu não sei como entender os que consideram que o que não esteja em Allan Kardec não possa ser Espiritismo, qual se o Espiritismo já estivesse todo na palavra do Codificador.

Eu não sei como compreender os adeptos da Doutrina que, até com certa agressividade, se atritam uns com os outros, discutindo sobre determinadas questiúnculas doutrinárias que o resto da Humanidade ignora completamente.

Eu não sei com que autoridade moral algum companheiro de Ideal possa levantar a voz e rotular a outro de desequilibrado, simplesmente porque ele não pensa pela sua cabeça.

Eu não sei como classificar a perturbação que acomete certos confrades que, investindo-se na condição de patrulheiros ideológicos da Causa, sumariamente, marginalizam o esforço de tanta gente que está procurando doar o melhor de si, nas singelas tarefas a que se consagram no anonimato.

Eu não sei o que se passa com meia dúzia, ou um pouco mais, de irmãos de fé espírita-cristã, que consideram que, no diz respeito Mediunidade, a última palavra sempre lhes pertence, no diagnóstico que fazem sobre o psiquismo alheio.

Eu não sei...

Eu só sei que nós, os espíritas, estamos precisando exercitar um pouco mais a humildade e o espírito de caridade com os semelhantes.

Eu só sei que, no que tange a mim, estou carecendo ouvir mais a voz de minha própria consciência, na corrigenda de meus defeitos, do que qualquer outra que esteja verberando aos meus ouvidos, com a eloquência que verbera na boca de um profeta enlouquecido.

Eu só sei que, por ser adepto do Espiritismo, eu não desfruto de privilégio algum e não sou melhor que nenhum de meus irmãos em Humanidade, que, por vezes, sequer já aprenderam a orar o “Pai Nosso”.

Eu só sei que, se não tomar cuidado, a vaidade e personalismo vão tomar conta de mim, como, infelizmente, já tomaram conta de muita gente boa, que imaginam que a luz da Terceira Revelação seja propriedade deles.

Eu só sei que se eu não correr léguas de distância de mim mesmo, se me colocarem um fósforo na mão e me derem alguns gravetos, eu vou acabar acendendo uma fogueira para queimar aqueles que ousam duvidar de meus pretensos conhecimentos.

Eu só sei que nós, os espíritas, precisamos orar muito uns pelos outros, principalmente por aqueles que se forçam na condição de líderes de não sei o quê, e, uma vez mais, alucinados pelo poder, supõem-se altos missionários que o Mundo Espiritual enviou a Terra.

Eu só sei que o Espiritismo, a conduzir-se por alguns espíritas, sob a assessoria das Trevas, está tomando um rumo que não lhe é nada alentador, e que, sinceramente, me deixa muito triste e preocupado.

E que, talvez, isso tudo esteja acontecendo porque anda sobrando espíritas no Espiritismo e faltando cristãos.

 

INÁCIO FERREIRA

 

Uberaba – MG, 13 de junho de 2016.

 

OBS: Sim, meu caro, eu estava lá, ao seu lado, observando aquele nosso companheiro de Doutrina que, tomando a palavra, não deixava ninguém falar – somente ele falava e entendia sobre todos os assuntos, sempre se colocando na condição de “personagem central” de todas as estórias que contava. Lamentável! Quanta inteligência desperdiçada por tanta vaidade! Eu fiquei, verdadeiramente, pasmo, com os muitos Jesus que ele conseguia identificar na História: o Jesus “joanino”, o Jesus “paulino”, o Jesus “judeu”, o Jesus “grego”, o Jesus “romano”... E eu, tolo que sou, sempre imaginei que Jesus do “amai-vos uns aos outros como eu vos amei” fosse um só!...

 

 

 

 

 



Escrito por Dr. Inácio Ferreira às 15h26
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NUDEZ NO ALÉM?!
 
Por vezes, imagino que os homens – mormente os espíritas, claro! – supõem na Vida além da morte um verdadeiro campo de nudismo.
Sim, porquanto, eu mesmo, quando encarnado, jamais ouvi de quem fosse a menor referência à vestimenta dos mortos – talvez até, quem sabe, fosse preconceito contra os estilistas e os costureiros, de ambos os sexos.
Assim que me iniciei na Doutrina, ficava pensando em que situação os espíritos haveriam de deixar o corpo carnal – com que roupa haveriam de se cobrir, de vez que até mesmo Adão e Eva, quando expulsos do Jardim do Éden, “percebendo que estavam nus, coseram folhas de figueira, e fizeram cintas para si.”
Os pobres defuntos, certamente, haveriam de se ver na mesma dúvida que assaltou o sambista Noel Rosa, que, em canção de grande sucesso, nos idos de 1929, ficava se perguntando, com insistência, “com que roupa eu vou”...
Recordo-me que, então, na minha insipiência, que, aliás, perdura até hoje, cheguei a indagar de um companheiro cujo nome, em respeito à sua venerável memória, prefiro não citar, sobre a situação vestimental dos espíritos no Mundo Espiritual. Ele, modulando o tom de voz, respondeu-me quase ao pé do ouvido: - Os espíritos usam uma espécie de roupão de americano cru que lhes desce até aos calcanhares, e os que não andam descalços, calçam sandálias... Que coisa mais sem gosto – pensei eu sem nada retrucar, pois, afinal, eu não passava de um neófito, que estimava envergar um terno de linho cento e vinte e de calçar um par de sapatos italianos, pois, neste sentido, a indústria brasileira ainda estava nos seus primórdios.
Todavia, assim que comecei a participar das sessões mediúnicas do Sanatório, através, principalmente, de Modesta, ouvia os desencarnados afirmarem que as suas roupas estavam estraçalhadas...
- Eureka! – exclamei. O rei, qual no conto de Hans Cristhian Andersen, pode estar nu, mas os mortos, não estão! Ainda, pois, há alguma esperança para mim, que, do Outro Lado, sentir-me-ei envergonhado de que alguém me veja despido, exibindo as partes mais íntimas aos olhos pouco misericordiosos de qualquer...
Logo em seguida, não me recordo quem me colocou nas mãos o livro recém-lançado de André Luiz, “Nosso Lar”, editado em 1944, quando, então, eu contava com 40 anos de idade. Folheando, numa primeira leitura, despretensiosamente, as suas páginas, chamou-me a atenção as seguintes palavras do ilustre defunto: “Crescera-me a barba, a roupa começava a romper-se com os esforços da resistência, na região desconhecida.” Sentindo-me salvo, com avidez, procurei em todos os demais capítulos da referida obra, algum outro subsídio que me livrasse do nudismo total ou, talvez, até o que fosse pior, daquele estranho roupão de americano cru... E, em seu capítulo 22 – “O Bônus-Hora” –, mais uma vez, eu me senti salvo, ante as explicações da senhora Laura, que dizia a André que, na cidade, além de produção de alimentos, havia produção de vestuário.
Ainda hoje eu não sei como é que anda a situação aí embaixo, na Crosta, em torno da controvertida questão do nudismo dos mortos, que muitos acreditam continuar deixando o corpo sem sequer uma folha de figueira para lhes cobrir o que a morte não faz com que nós, os desencarnados, percamos.
Com a palavra os mais eruditos em Doutrina que, certamente, tomando a sua própria transcendência por medida de todos os defuntos, haverão de dizer que os espíritos são lisinhos, e que, justamente, por tal motivo, não carecem eles de qualquer pedaço de pano para lhes ocultar as protuberâncias carnais, de tão falecidas que essas mesmas protuberâncias já se encontram.
 
INÁCIO FERREIRA
 
Uberaba – MG, 6 de junho de 2016.



Escrito por Dr. Inácio Ferreira às 08h02
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A PARÁBOLA DOS TRABALHADORES DA VINHA

 

Para se compreender a Justiça Divina, o estudo da Parábola dos Trabalhadores da Vinha é imprescindível.

Rapidamente, meditemos nela.

O “dono de casa” “saiu de madrugada para assalariar trabalhadores para a sua vinha”.

Com os primeiros trabalhadores, “ajustou a um denário por dia”.

“Saindo pela terceira hora” (9 da manhã), contratou para o mesmo trabalho alguns desocupados na praça.

“Tendo saído outra vez perto da hora sexta (12 horas) e da nona (3 da tarde), procedeu da mesma forma.” – ajustou trabalhadores para a sua vinha.

Finalmente, na hora undécima (5 horas da tarde, quase ao anoitecer), “encontrou outros que estavam desocupados e perguntou-lhes: Por que estivestes aqui desocupados o dia todo? Responderam-lhe: Porque ninguém nos contratou. Então lhe disse ele: Ide também vós para a vinha.”

A hora do acerto com os trabalhadores é de suma importância para que melhor possamos ajuizar em torno da Justiça Divina.

A todos eles, o senhor da vinha, chamando o administrador, mandou que se pagasse um denário, “começando pelos últimos, indo até os primeiros.”

Claro que os primeiros, os que foram contratados logo ao romper do dia, reclamaram, “dizendo: Estes últimos trabalharam apenas uma hora; contudo os igualaste a nós que suportamos a fadiga e o calor do dia.”

De fato, existe aí uma aparente injustiça, pois que, quantitativamente, os da undécima hora trabalharam muito menos que os demais.

Porém, a resposta do proprietário da vinha, que, na Parábola, simboliza o Criador, que se expressa através de Suas leis, nos induz a profundas reflexões:

- “Amigo, não te faço injustiça; não combinaste comigo um denário? Toma o que é teu, e vai-te; pois quero dar a este último, tanto quanto a ti.”

Vejamos que os trabalhadores estavam querendo interferir no senso de justiça do patrão (em relação a Deus, é o que sempre acontece com o homem) – estavam, noutras palavras, querendo dizer ao patrão o que fazer com o que era seu!...

- “Porventura não me é lícito fazer o que quero do que é meu? Ou são maus os teus olhos porque eu sou bom?”

Devido a sua não compreensão da Justiça Divina é que o homem coloca em dúvida a existência do Criador.

Para que o homem aceite a existência de Deus, ele necessita se exercitar na compreensão de Sua justiça, que, evidentemente, não se mede pela nossa visão estreita das coisas.

A interpretação imediatista dos acontecimentos é causa de cepticismo.

O Dono da Vinha não fora injusto com ninguém – ele combinara com os que, de livre e espontânea vontade, aceitaram a Sua proposta de salário. E, depois, não significa que quem começa a trabalhar antes, trabalhe mais, ou seja, melhor trabalhador que quem começa por último.

Em “Nosso Lar”, segundo André Luiz, o “bônus hora” corresponde ao número de horas trabalhadas e, também, à qualidade do trabalho prestado – e, ainda, à importância dele.

Nem sempre quem trabalha mais, trabalha melhor.

Encerrando a Parábola, que, claro, comporta interpretações de mais ampla transcendência, o Senhor proclama:

- “Assim, os últimos serão primeiros, e os primeiros serão últimos [porque muitos são chamados, mas poucos escolhidos].”

Perante as Leis da Evolução, os últimos, ou seja, os que começaram por derradeiro poderão, pelo seu esforço, igualar-se, aos que começaram primeiro.

A Parábola dos Trabalhadores da Vinha, dita, de viva voz, aos judeus, os advertia por se acomodarem na condição de “povo escolhido”, e, previamente, “assalariado”.

Cremos, sinceramente, que o mesmo possa se aplicar aos espíritas, que se consideram “trabalhadores da última hora” – somente porque estejamos sendo chamados na “undécima” hora, não significa que venhamos a sermos “escolhidos” – tanto quanto aos demais trabalhadores da vinha, estamos apenas garantindo o nosso denário!...

A porção de água do rio que chega ao mar por último não se torna menos salgada do que a porção que chegou primeiro, e vice-versa.

O grande problema do homem é questionar a Justiça Divina e, por concluir pela sua aparente contradição, desistir de compreendê-la.

 

INÁCIO FERREIRA

 

Uberaba – MG, 30 de maio de 2016.

 

 



Escrito por Dr. Inácio Ferreira às 05h19
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A IGNORÂNCIA É “GENÉTICA”

 

- Doutor, dias atrás, conversando, eu não sei se em tom de algum desabafo, o senhor me disse que a ignorância é “genética”...

- Não, eu não o disse apenas em tom de desabafo. A ignorância, com base na lei “semelhante atrai semelhante”, é, de fato, genética, e, em determinados grupos familiares, chega a ser endêmica. (A obsessão, segundo palavras do Codificador na “Revue Spirite”, de janeiro de 1863, escrevendo sobre os possessos de Morzine) pode, igualmente, adquirir caráter epidêmico!)

 

- Existe uma base doutrinária para o que senhor afirma?...

 - “O Livro dos Espíritos” – Semelhanças Físicas e Morais –, questões 207 a 217. Vejamos, por exemplo, a questão 207-a: - “De onde vêm as semelhanças morais que existem às vezes entre os pais e os filhos?” Resposta: - “São espíritos simpáticos, atraídos pela afinidade de suas inclinações.”

 

- A ignorância, digamos, sendo uma doença, pode ser contagiosa?...

- Claro. Ela se transmite, assim como o fanatismo, o preconceito, etc. A convivência com determinados espíritos podem nos fazer semelhantes a eles – evidentemente, se não os fizermos semelhantes a nós! Porque a lucidez intelectual também é contagiosa. Os grandes mestres nos ensinam pelo que dizem, mas, principalmente, pelo seu exemplo. A bondade de Chico Xavier, por exemplo, contagiava a muitos.

 

- Como é que o círculo vicioso de ignorância pode se quebrar em um povo, ou em uma família?...

- Através da dor, ou, então, da reencarnação de espíritos que, de alguma sorte, conseguem lhes incutir novas ideias – pelo menos, levá-los a considerar a possibilidade de sua cegueira espiritual! Admitir a possibilidade da própria ignorância já é um grande progresso – mas é preciso admitir mesmo de fato, e não como quem esteja apenas querendo despertar sentimento de autopiedade nos outros.

 

- A ignorância é uma cegueira espiritual?...

- É treva pura! Conheço pessoas que argumentam sobre determinadas ideias que possuem com uma propriedade de fazer inveja aos doutores da lógica... Foi a respeito deles que disse Jesus: “... caso a luz que em ti há sejam trevas, que grandes trevas serão!”

 

- Quer dizer que a luz que muita gente imagina possuir?...

- É treva sem tamanho! E quase sempre é assim. Raro – muito raro – o espírito que se mantém de mente aberta, disposto a assimilar novos conhecimentos, ou, pelo menos, meditar no que ouve, sem, à primeira análise, rejeitar por absurdo ao seu entendimento.

 

- Talvez, por tal motivo, não seja fácil, não é, Doutor, ao espírito evoluir, porque, quase sempre, renasce no mesmo meio cultural?...

- Realmente. Por esta razão, muitas vezes, por acontecimentos os mais variados, os espíritos são levados a imigrarem, reencarnando no seio de outros povos, de outros grupos familiares, ou mesmo dentro de situações completamente antagônicas àquelas a que estão habituados.

 

- As desencarnações de filhos e netos que, de repente, se vêm impossibilitados de voltarem à Terra no seio da mesma família?...

- Vão ter que procurar outros pais e avós – com o fito de aprender, ou, quem sabe, de levar aprendizado a grupos que estejam marcando passo nas sendas da Evolução. O espírito, não raro, pode trocar de família, assim como troca de casa. Qual o problema?! A criança tornada adulta não sai de casa à procura do próprio caminho?! Indaga-nos o Senhor: “Quem é minha mãe e quem são meus irmãos?”

 

- Doutor, mas, literalmente, existe o gene da ignorância?...

- Meu caro, a genética é ditada pelo espírito e, naturalmente, se imprime ao corpo que ele ocupa, inclusive, e principalmente, ao corpo espiritual. O corpo é um arsenal de genes – nele, existem genes para tudo! A falta de sinapses entre os neurônios dificulta o aprendizado. As células da memória são mais ativas em uns cérebros que em outros. Predisposições ao alcoolismo são comuns nos descendentes de alcóolatras. Não é que a ignorância possa ser transmitida “geneticamente”, mas, sim, que geneticamente ela possa ser facilitada em sua manifestação.

 

 

INÁCIO FERREIRA

 

Uberaba – MG, 22 de maio de 2016. 

 

 



Escrito por Dr. Inácio Ferreira às 07h58
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CONVERSA DE OBSESSORES

 

Em torno de determinado companheiro de ideal espírita-cristã, tivemos oportunidade de registrar o diálogo que era entabulado por dois espíritos obsessores que tencionavam anulá-lo para o trabalho, que, há tempos, ele vinha desenvolvido em prol da Mensagem Espírita. E apenas com o propósito de fraterna advertência resolvemos reproduzi-la aqui, porque pode ser que o caso dele seja semelhante ao seu, ou, quem sabe, seja o seu mesmo.

 

- O que faremos?! – perguntou o primeiro ao segundo que lhe escutava atento, examinando a grave situação. – Ele parece resistente a todas nossas investidas?!...

- Sim, de fato – respondeu o parceiro das trevas. – Os nossos recursos para desanimá-lo estão se esgotando, ao ponto, confesso, de eu mesmo, estar quase desistindo...

- Não, não podemos! Carecemos de experimentar novos métodos, porque, afinal, não há quem não se mostre vulnerável em algum ponto de sua teimosia...

- Acontece, porém, que já tentamos quase tudo: dinheiro, lisonja, convites ao prazer... Ele parece obcecado pela ideia de trabalhar! Se, pelo menos, fosse menos disciplinado...,

- Maldito Chico Xavier! Aquele homem incutiu a ideia de trabalho exaustivo na cabeça de muita gente – na boca dele, a palavra “trabalho” era como se fosse mel!...

- Estando muito doente e sendo acossado pelos piores perseguidores espirituais, perto dos quais ambos não passamos de fichinhas, ele não desistia de trabalhar...

- É verdade! Eu soube que alguns ferrenhos perseguidores espirituais dele acabaram se convertendo pela força de seu exemplo e bondade... Embora de pé, ele vivia de joelhos, implorando misericórdia...

- Alguns, meu caro, foram exauridos por ele em décadas de resistência – não houve método que funcionasse contra! Praticamente tudo foi tentado, inclusive ingratidão de amigos que lhe eram mais próximos – os nossos pares chegavam aos amigos, mas não chegavam nele...

- Não, mas se tantos outros já caíram, porque este não pode cair?! Não vamos desistir, não! Reencarnar, eu não vou, eu não quero e não tem que me convença a voltar ao corpo para sofrer...

- Sim, mas nós dois também já estamos ficando “velhos” – a morte é algo de que nem aqui, deste Outro Lado, haveremos de escapar... Eu já não lhe observo no mesmo vigor de outrora! Você mesmo já foi muito mais determinado...

- Vamos continuar lhe enxovalhando o nome...

- Não adianta! Mais enxovalhado que já foi?! Para ele, a essas alturas do campeonato, tudo será elogio.

- Então, vamos utilizar a Internet contra ele... Não nos será difícil encontrar alguém que não saia do teclado de um computador! Continuemos na produção de lama, lama e mais lama...

- Se vamos prosseguir tentando, o ponto tem que ser ele – não adianta nada: críticas, humilhações, ataques frontais, ataques pela retaguarda... Ele precisa ser minado de dentro para fora, e não de fora para dentro...

E arrematou:

- Já que você insiste, temos que pensar em algo, mas, se não der certo, será a minha última cartada... Já perdi muito tempo com quem não quer perder tempo. A história da obsessão está se invertendo, pois, em minha opinião, ele é que passou a nos perturbar...

Depois de buscar profunda inspiração em suas próprias sombras, o mais renitente dos dois, exclamou a sorrir com sarcasmo:

- Já sei! Será a nossa última tentativa e, para tanto, não precisaremos utilizar instrumento algum – será ele contra ele!...

- O que vamos tentar?! – questionou o interlocutor, curioso.

- Vamos adulá-lo e convencê-lo de que ele está cansado, de que já trabalhou muito e que, agora, é mais do que justo que ele procure descansar!...

- Muito bem bolado! – aplaudiu o comparsa. – Esse método de incutir cansaço na cabeça de quem não está, embora muito antiga, sem dúvida, continua sendo uma das que apresenta os melhores resultados... Claro, não funcionou contra aquele tal de Chico Xavier, mas tem funcionado e dado certo contra muita gente boa, viu!...

 

INÁCIO FERREIRA

 

Uberaba – MG, 15 de maio de 2016.

 

 

 



Escrito por Dr. Inácio Ferreira às 06h29
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A TODAS AS MÃES, QUE SÃO MARIAS TAMBÉM!

 

Nunca me senti a altura de escrever qualquer texto em homenagem às Mães, por considerar que, com palavras, eu mesmo nunca consegui expressar por minha mãe todo o amor que sentia por ela.

Sempre tive a minha mãe como um anjo em minha vida e, sinceramente, quando dela me aproximava, quase não conseguia levantar os olhos para fitá-la...

Era tanta luz a irradiar-se de seu generoso espírito para que eu pudesse contemplá-lo, sem que os meus olhos se enchessem de lágrimas que procurava disfarçar.

Eu sei que as nossas Mães, sobretudo, são nossas irmãs, mas em toda mulher que se faz mãe, mesmo que apenas pelo coração, existe algo de divino que a palavra humana não pode definir.

Até mesmo Jesus, nos momentos mais cruciais de Sua vida, nos quais a sua Mãe estava presente, embora fosse Ele o Senhor, não deixava de tratá-la com sublime ternura e de preocupar-se com o seu futuro, confiando-a aos cuidados de João, o discípulo amado...

Afinal, ainda muito jovem, em constrangedora situação, fora ela que tivera a coragem de acolhê-Lo em seu abençoado ventre...

Fora ela que, tomando-O nos braços, empreendera corajosa fuja para o Egito, protegendo-O da sanha de seus perseguidores...

Fora ela que, preocupada com o seu desaparecimento, após procurá-Lo por toda a Jerusalém, na companhia de José, encontrara-O no templo ensinando aos doutores da lei...

Fora ela que, nas Bodas de Caná, na Galileia, recomendara aos serviçais que fizessem tudo o que Ele lhes ordenasse...

Fora ela que, sempre de mais perto ou de um pouco mais longe, Lhe acompanhara os passos na pregação do Evangelho, e se preocupara, diuturnamente, com o que os homens pudessem Lhe fazer...

Sim, fora ela, que, no momento do Calvário, prostrara-se de joelhos, aos pés da cruz, solidarizando-se com o sofrimento do Filho Amado crucificado entre dois malfeitores...

Embora, igualmente, sendo Maria, mas não fosse a de Nazaré, a minha mãe, ao que me recordo, também sempre esteve presente nos instantes mais difíceis de minha pobre vida.

Era ela que, estando eu já velho, todos os dias, ia à minha casa, para saber se eu havia almoçado...

Andando com dificuldade, nonagenária, a passos de anjo, era ela que se aproximava de minha sala, perguntando-me se eu havia melhorado do resfriado e se desejava que me fizesse um chá de folha de laranjeira com romã...

Era ela que, quando um de meus bichanos desaparecia, punha-se a perguntar nas vizinhanças por ele, não descansando enquanto não me trouxesse seguras notícias de seu paradeiro...

Era ela que, quase nada soubesse de Espiritismo, sentia-se feliz a cada novo livro que eu publicasse, e que, feito uma leoa protegendo a cria, erguia-se a me defender dos ataques dos inimigos que vinham apedrejar a porta de minha casa...

Era ela que, com a sua natural bondade, me inspirava a ser melhor do que sempre pude ser...

Era ela que, com o seu rosário nas mãos, orava por mim e me fortalecia na fé nos embates do cotidiano...

Confesso que quando, muitas vezes, claudicava na luta feroz, não era nos Espíritos Superiores que eu pensava, procurando força e coragem para não desanimar, mas, sim, nos silenciosos exemplos de minha mãe, que quase nunca se afastava da beirada do fogão à lenha, cozinhando para todos em nossa casa, ou do enorme tanque de roupas no qual fazia questão de continuar lavando as minhas “fraldas”...

Era ela que cuidava de minhas roseiras preferidas, contra as quais as saúvas estavam sempre a conspirar, e de meus vasos de samambaias e avencas e das jabuticabeiras em flor de meu pequeno pomar, nos fundos de casa...

Por este motivo, neste Domingo das Mães, com o propósito de homenagear a todas as Mães, de filhos seus ou de filhos alheios, eu não pude deixar de pensar em Maria de Nazaré e em Maria Lucas, porque sei que, pensando nelas duas, eu estaria pensando em todas as Mães, que, em seu coração, são Marias também!...

 

INÁCIO FERREIRA

 

Uberaba – MG, 6 de maio de 2016.

 

 



Escrito por Dr. Inácio Ferreira às 05h20
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PEDIDO DE PROVIDÊNCIA

 

Fui procurado por um amigo altamente preocupado com a questão mediúnica, que, com veemência, me abordou da seguinte maneira:

- Dr. Inácio, o senhor que vem escrevendo para a Terra, precisa tomar uma providência... Assim não dá! O bicho está pegando e a coisa está chegando ao cúmulo...

- ?...

- Estou me referindo à mediunidade... O pessoal anda extrapolando muito, Doutor?! Meu Deus do Céu! Que falta de senso, de discernimento, de sei lá o quê...

- ?...

- A Doutrina está sendo exposta ao ridículo – no Brasil e no Exterior! Foi só o Chico Xavier desencarnar, a turma está colocando as manguinhas de fora... Tenho acompanhado o assunto de perto e até eu, que sei que já estou morto, tenho começado a duvidar de minha própria imortalidade! O que muitos médiuns andam fazendo é um desserviço à Causa...

- ?...

- E todos estão usando o nome de Chico Xavier a valer – mentindo descaradamente! Estão dizendo que privaram com ele, que desenvolveram mediunidade com ele, que frequentaram a casa dele, que receberam “ordens” dele... O que se anda evocando o nome de Chico para endossar as suas loucuras na Doutrina é uma grandeza, ou melhor, uma safadeza! O senhor, ou alguém daqui de Cima, precisa tomar providência urgente...

- ?...

- Doutor, tem médium que não sabe se psicografa, se incorpora, se cura, se ouve, se vê... Tem médium “pintando e bordando o sete”! Como se não bastasse o contato com os humanos desencarnados, estão mantendo contato com extraterrestres – outro dia, eu soube de um médium que manteve relações sexuais com um extraterrestre! Doutor, onde é que nós vamos parar?!...

- ?...

- E o pior é que tem muita gente engolindo, Doutor! Gente boa, gente sincera, gente honesta... Os médiuns não andam se contentando com a mediunidade que tem!...

- ?...

- Eu soube de um médium que, antes de receber mensagens, está consultando o Google... A mensagem vem até com o número do CPF do morto! Meu Deus! Esse quer ser mais que Chico Xavier! Para mim, tinham que chamar o Sérgio Moro para esses médiuns...

- ?...

- O senhor não vai dizer nada – vai ficar o tempo todo calado?! Logo o senhor que é um homem tão positivo! Não, Doutor! A coisa anda feia: quem não quer dinheiro, quer fama; quem não quer fama, quer sexo; quem não quer sexo, quer viagem internacional...

- ?...

- Se não se colocar um basta nesses absurdos “mediúnicos”, a onda de descrença em torno da Doutrina irá se acentuar... Ninguém mais se contenta em ser mediumzinho – quer ser mediumzão! Poucos são os que querem dar passes nos doentes nos hospitais, receber os seus espíritos sofredores nas reuniões mediúnicas, exercitar a mediunidade por tempo longo no silêncio dos Centros Espíritas humildes... Agora é assim: psicografou, quer publicar livro! E é tal de se falar em “meu” Espírito Protetor disse isso, ou disse aquilo... Virou uma farra! Não é a “farra do boi”, mas é a do Belzebu!...

- ?...

- Afinal, o senhor vai tomar providência, ou não vai?!...

- Meu irmão – respondi –, para a gravidade do problema que você está expondo, a providência tem que ser de Ordem Divina, e não humana! Enquanto, porém, o Senhor não delibera empunhar o chicote e, de novo, expulsar os vendilhões do templo, só nos resta apelar para que ninguém consinta que os vendilhões transformem em mercado as nossas casas de oração!...

 

INÁCIO FERREIRA

 

Uberaba – MG, 2 de maio de 2016.

 

 



Escrito por Dr. Inácio Ferreira às 05h41
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“ESPÍRITOS NEUTROS”

 

“Não são bastante bons para fazerem o bem, nem bastante maus para fazerem o mal; tendem tanto para um como para outro, e não se elevam sobre a condição vulgar da Humanidade, quer pela moral ou pela inteligência. Apegam-se às coisas deste mundo, saudosos de suas grosseiras alegrias.” – “O Livro dos Espíritos”, item 105.

 

Existe uma crença generalizada entre os adeptos do Espiritismo, de que, habitualmente, aquele/a que se devota ao Bem em sua atual encarnação, é um espírito missionário, com tarefa definida, que já efetuou muitas conquistas em suas vidas anteriores.

Todavia, não se pode generalizar tal concepção.

Espíritos existem, talvez em maioria, que, permanecendo, durante séculos, em estado de neutralidade, começam a despertar para a necessidade de desenvolverem-se no campo da bondade.

Em determinado momento evolutivo, fruto de certo amadurecimento psíquico, na esfera intelecto-moral, e, com certeza, deixando-se influenciar por ideias positivas à sua volta, compreendem que, afinal, precisam abandonar a situação de milenar comodismo e se entregaram à ação construtiva.

Não se trata, portanto, de espíritos cujas virtudes já logrem superar as suas imperfeições, ao ponto de se fazerem admirados pelo seu desprendimento e renúncia, nos quais, simplesmente, não passam de meros iniciantes.

Claro que todos eles devem merecer o nosso respeito pelo esforço de autossuperação que começam a empreender, esforço, no entanto, ainda muito sujeito a retrocessos em face dos obstáculos com que venham a se deparar no tentame.

Todavia, como os Espíritos Superiores disseram a Kardec, os espíritos em condição “neutra”, assim como eles podem se inclinarem para o Bem, igualmente, podem se inclinarem para o mal – o que, inclusive, acontece quando lhes falte suficiente determinação para concretizarem os seus novos propósitos, dando-nos, então, a impressão de que tais espíritos falharam em sua missão.

Não, eles não falharam em missão, pois que apenas e tão somente ainda não conseguiram se distanciarem o suficiente da influência negativa das próprias deficiências.

Daí estarrecerem-se, muitas vezes, os que anotam certos desvios morais em companheiros que tomavam por exemplos de conduta retilínea, e que, de um instante para outro, os decepcionaram.

Não subvalorizemos a quem seja, mas, por outro lado, no intuito de preservar-nos na crença dos valores espirituais na criatura, passíveis de serem alcançados, após laboriosa luta, por todos os espíritos, no corpo e fora dele, não supervalorizemos a ninguém.

Em geral, o espírito encarnado que se devota ao Bem dos semelhantes e que procura agir de maneira coerente, no respeito às leis, primando pela justiça e pela honestidade, está ensaiando os seus primeiros passos na direção da luz, e, por isto, é natural que ainda traga consigo muitos traços de treva, que podem suscitar-lhe recaída.

Entendendo que é assim, procuremos nos ater à recomendação do Apóstolo quando nos diz que carecemos de incentivar-nos, uns aos outros, às boas obras, de vez que, de vontade ainda extremamente débil, a qualquer momento poderemos sucumbir ao “homem velho” que nos impede de ser uma nova criatura.

 

INÁCIO FERREIRA

 

Uberaba – MG, 25 de abril de 2016.

 

 

 

 



Escrito por Dr. Inácio Ferreira às 05h16
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SEI QUE É LOUCURA!

 

Talvez, eu não saiba, realmente, identificar um comunista.

Tampouco definir um fascista.

Mas sei diagnosticar um louco.

Quer dizer, acho que sei, porquanto, hoje em dia, eles passam por criaturas tão normais...

Mas sei, por exemplo, que é loucura arruinar a geração inteira de um País, tão promissor quanto o Brasil!

Sei que é loucura a sangria que se faz aos cofres públicos de uma Nação, mergulhando quase todo o seu povo na desesperança!

Sei que é loucura trair o voto de confiança de milhões de pais brasileiros que estão vendo os seus filhos sem futuro!

Sim, vocês têm razão: eu pouco, ou nada, entendo de Marx, ou Engels, de Hitler, ou Mussolini, de Mao Tse Tung, ou Fidel, de Kim Il Sung, ou Hoxha, de Chaves, ou...

Espanta-me, no entanto, o direito que vocês me querem negar de emitir a minha própria opinião sobre a situação social de um País que reúne as expectativas do Mundo Espiritual quanto à sua possível condição de Pátria do Evangelho...

Espanta-me o seu total desconhecimento do Cristianismo, em seus primórdios, e na atualidade, no esforço que a Doutrina Espírita empreende para restaurá-lo...

Posso ser completamente ignorante na política rasteira do mundo, da qual sempre andei muito distante, mas algo eu julgo saber quanto à essência da Mensagem do Cristo, que, infelizmente, não se identifica com nenhum sistema de governo que aí estamos vendo...

Vocês estão enganados se, com a suas opiniões truculentas, indignas de um espírita-cristão, pensam em me fazer calar!

Vocês precisam deixar de ser pigmeus no entendimento...

Sim, os nossos irmãos muçulmanos não são comunistas, consoante a definição de nosso velho “pai dos burros”, contudo, tentem vocês não aprenderem a rezar pela sua cartilha – o venerável “Corão”, cujo transcendente significado vem sendo distorcido por quase todos os Aiatolás! – tentem residir na Europa e, numa brincadeira de extremo mau gosto, estamparem uma charge nas páginas de um tablóide...

Vocês sabem que eu não tenho grandes afinidades com a Igreja Católica, não obstante, neste universo de escândalos de todos os tamanhos, que, profundamente, lamento, quero reconhecer a nobre atitude do Papa Bento XVI – sinceramente, eu não esperava que, um dia, eu ainda tivesse que aplaudir um homem que usasse mitra...

Com certeza, não foi o mais santo, mas Bento XVI, até agora, foi o mais “macho” dos Papas!

É isto aí.

Agora, antes de terminar esse arrazoado de espírito “trevoso”, permitam-me pequena observação: vocês que se apressaram em revelar o seu conhecimento sobre os sistemas políticos do mundo, com sua nomenclatura sofista – neofascismo, neonazismo, neoliberalismo, etc. –, demonstraram nada saber da obra “Nosso Lar”, com as suas revelações de um “neomundo”!!!

Vocês, que querem citar Kardec com tanta propriedade nada demonstraram saber de “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, e duvido que sequer tenham lido uma só página da coleção, em doze volumes, da “Revue Spirite”!

Olhem: eu tenho mais o que fazer.

De fato, é melhor que eu continue a tratar apenas dos loucos desencarnados, porque, sinceramente, para certos casos de loucura que estou tendo oportunidade de registar entre os encarnados, o processo de cura é para muitas existências!...

Quem sou eu?!...

Se os Apóstolos não puderam curar aquele menino lunático, que um espírito ora atirava na água, ora atirava no fogo – por que para lidar com aquela classe de obsessores, segundo Jesus, era preciso muito jejum! –, eu, que nunca nada postulei, e nem apostolei, é que vou dar conta desses petizes com a suas sandices?!...

 

INÁCIO FERREIRA

 

Uberaba – MG, 18 de Abril de 2016.

 

(Dia do Livro Espírita)



Escrito por Dr. Inácio Ferreira às 05h08
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A SUÁSTICA E A CRUZ

 
Dias atrás, um amigo, comentando a matéria que publicamos sobre “A Política em ‘Nosso Lar’”, disse que a Obra, da lavra mediúnica de Chico Xavier, é comunista – não pudemos apanhar bem se, de fato, ele estivesse querendo se referir à Obra em si ou, então, à cidade de “Nosso Lar”, em sua organização político-administrativa.
Esperando que ele entenda que respeitamos a sua opinião, precisamos dizer que, mesmo sem ser um expert em Política, existe fundamental diferença entre Comunismo e Socialismo.
Em palavras simples, sem tantos aprofundamentos teóricos, dos quais eu não seria capaz, o Comunismo, de Karl Marx e Friedrich Engels, foi, e continua sendo, a perversão do Socialismo, de Jesus Cristo.
O Comunismo é a suástica, o Socialismo é a cruz.
A suástica é a cruz gamada, voltada para dentro de si mesmo, na representação do egoísmo, inclusive racial, que culminou com o desastre do Nazismo.
A cruz é composta por duas traves que se abraçam, uma na horizontal, estendendo-se a toda Humanidade, e outra na vertical, apontando para o Alto, inclusive, unindo o Visível ao Invisível. 
Representado no mundo atual, principalmente, pela Rússia (comunismo disfarçado), China, Coréia do Norte, e, porque não dizer, pelo Estado Islâmico, nos extremos do fanatismo religioso, o Comunismo é uma farsa, dentro da qual, os seus líderes mantêm o povo em regime de escravidão, cerceando o que o homem possui de mais sagrado que é a liberdade de pensamento e de expressão.
No Comunismo, a foice e o martelo como símbolo das trevas, opõem-se ao pão e ao peixe, que o Cristo multiplicou e, igualmente, dividiu entre a multidão faminta, fazendo com que lhe sobrasse doze cestos, como a dizer aos homens que não precisavam ter receio de dividir entre si, porque, em essência, o que se divide é o que se multiplica.
De fato, “Nosso Lar”, esta obra fantástica, psicografada em 1943, no auge da Segunda Grande Guerra, demonstra como deverá ser a Humanidade do futuro, sem o cabresto moral dessa ou dessa daquela concepção religiosa, porque, em nenhum de seus cinquenta magníficos capítulos há sequer a menor alusão de que a referida cidade espiritual seja espírita – nela impera o “amai-vos uns aos outros como eu vos amei.”
Não há, em “Nosso Lar”, outra preocupação com capital que não seja o do moral elevado, porque o dinheiro, pertencente a César, foi completamente banido, utilizando-se os seus moradores de uma revolucionária moeda de troca denominada “bônus hora”, que se caracteriza pelo número de horas de trabalho dedicadas à coletividade, com ênfase para a qualidade dessas mesmas horas de trabalho – curiosamente, quem trabalha em “Nosso Lar” com crianças, sempre recebe em dobro!
Em “Nosso Lar”, por exemplo, não há latifundiários, porque a terra, sendo patrimônio comum, pode ser usufruída por todos, e, portanto, toda e qualquer especulação financeira, que sempre infelicitou o mundo, se encontra banida – em “Nosso Lar”, ninguém pode possuir mais que uma propriedade, ou seja, uma casa de morada.
Precisamos, ainda, dizer que, “Nosso Lar”, fundada em meados do século XVI, por distintos portugueses desencarnados no Brasil, é a revivescência da “Casa do Caminho”, fundada pelos Apóstolos, em Jerusalém, porquanto todos os que se faziam seguidores do “Caminho”, conforme Lucas registra em “Atos dos Apóstolos”, doavam todos os seus bens para a comunidade, que, qual em “Nosso Lar”, se supria a partir de um “celeiro central” – Ananias e Safira, que haviam tentado burlar a Pedro, ou seja, inaugurar o ilícito na “Casa do Caminho”, por tamanho drama de consciência, a si mesmos se puniram, caindo mortos aos pés do Apóstolo!...
Portanto, não há que tapar-se o Sol com a peneira: o Cristianismo é socialista, e, em sua revivescência, igualmente o Espiritismo o é, em sua transcendente Filosofia, embora muitos de seus adeptos ainda não o logrem ser, apegados que, relativamente, se encontram aos bens transitórios da existência humana. (porque era dono de muitas propriedades, o jovem rico não quis seguir a Jesus– ele retirou-se muito triste)
Em “O Livro dos Espíritos”, na questão 808, quando trata do assunto de uma possível divisão igualitária dos bens materiais, os Espíritos disseram a Kardec que, infelizmente, na atualidade, se tal viesse a acontecer, devido às naturais diferenças intelecto-morais entre os homens, logo tudo voltaria a ser como antes, com os aproveitadores (os velhacos e os ladrões) submetendo os menos aptos.
Nada, porém, pior que o Comunismo declarado, praticado às claras, do que um Socialismo mentiroso – este é um dos piores sofismas que, no mundo contemporâneo, as trevas lograram forjar, para continuar iludindo o povo, que, contentando-se com migalhas, deixa de reivindicar o que lhe é de direito: Escola, Saúde e Trabalho! E o pior é que o Socialismo mentiroso, apoiado pelo interesse de seitas religiosas oportunistas, traveste-se de Cristianismo, mas, não obstante, está muito longe de Jesus Cristo – as igrejas, em maioria, são comunistas, e não socialistas! – A Igreja Católica é comunista – acumula, e não divide bens!)
Portanto, meu amigo, “Nosso Lar”, esta Obra futurista da lavra mediúnica de Chico Xavier, que, aliás, era o sonho de Platão, o eminente discípulo de Sócrates, em “A República”, não tem nada a ver com o Comunismo, e, você me perdoe, mas, neste sentido, você e a quem como você pensa estão precisando estudar um pouco mais.
A foice e o martelo, meu caro, é a suástica estilizada!
E doe isso a quem doer!...
O meu compromisso de espírito é com a Verdade e não com quem quer comprar ou deixar de comprar os meus livros, que, ainda, talvez atirados dentro de um vaso sanitário fiquem bem melhor do que nas mãos de falsos moralistas.
 
 
INÁCIO FERREIRA
 
Uberaba – MG, 10 de abril de 2016
 
 
 
 
 

 

 



Escrito por Dr. Inácio Ferreira às 09h17
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A POLÍTICA EM “NOSSO LAR”

 

Uma leitura mais atenta do livro “Nosso Lar”, por sinal, uma obra revolucionária sob todos os aspectos, em nossos arraiais doutrinários, poderá modificar, substancialmente, a nossa visão sobre a Vida no Mundo Espiritual.

No capítulo 9, intitulado “Problema de Alimentação”, as revelações são, então, surpreendentes, de deixar basbaque aquele que ainda não conseguiu libertar-se do dogmatismo que a religião, de maneira geral, há séculos impõe à Humanidade.

Em precioso diálogo com Lísias, André Luiz fica sabendo que, por exemplo, segundo os anais da cidade, há um século, ela “lutava com extremas dificuldades para adaptar os habitantes às leis da simplicidade”, porque “muitos chegados ao ‘Nosso Lar’ duplicavam exigências”, evidenciando, pois, a sua condição meramente humana.

Acrescenta Lísias que, os recém-chegados, “queriam mesas lautas, bebidas excitantes, dilatando velhos vícios terrenos”, com certeza, sem maior consciência de sua própria condição de desencarnados, que, por suas exigências, não possuíam qualquer pensamento de ordem mais solidária, que envolvesse a carência do próximo.

Destaca o amigo de André – pasmemos! –, “que apenas o Ministério da União Divina ficou imune de tais abusos” (de tais corrupções, que chegavam, inclusive, a envolver tráfico de alimentos, ou, mais especificamente, de carne).

Uma situação que, convenha-se, é muito parecida com a situação política vivenciada na atualidade brasileira, que não se sabe de um único Ministério que não esteja envolvido em questões de propina, sob o beneplácito do Governo.

Mas a questão política de “Nosso Lar”, cidade fundada por distintos portugueses, desencarnados no Brasil no século XVI, não para aí.

O novo Governador, que assumira o lugar do anterior – que não se sabe se renunciou ou recebeu o impeachment –, com o intuito de preservar a ordem, solicitou intervenção externa: “... a pedido da Governadoria, vieram duzentos instrutores de uma esfera muito elevada, e a fim de espalharam novos conhecimentos, relativos à ciência da respiração e da absorção de princípios vitais da atmosfera.”

Ainda tem mais: “Algumas entidades eminentes (falsos intelectuais) chegaram a formular protestos de caráter público” – ou seja, foram para a Avenida Paulista de “Nosso Lar”, promovendo passeatas, com bandeiras desfraldadas certamente, reclamando das novas medidas implementadas pelo Governador, que tentava evitar com que a cidade caísse, de vez, sob o domínio das trevas.

A situação, então, segundo Lísias, chegou a tal ponto, que o Governador, ipsis literis, “determinou funcionassem todos os calabouços da Regeneração, para isolamento dos recalcitrantes”, sendo que, em outras palavras, mandou para cadeia os que estavam acostumados a usufruir das facilidades de um Governo que se corrompera.

Bom que se frise, uma vez mais, que estamos nos referindo ao que é descrito por André Luiz, em “Nosso Lar”, e, os inconformados com semelhante realidade, são livres para protocolarem em qualquer tribunal de justiça os seus pedidos de liminar, que, naturalmente, envolverão o autor espiritual da Obra e o seu médium Chico Xavier.

Claro, não houve conflito armado na cidade espiritual, não obstante, ainda segundo André Luiz, o Governador, com a finalidade de preservar a ordem pública, recorreu às Forças Armadas “e pela primeira vez na sua administração, mandou ligar as baterias elétricas da cidade, para emissão de dardos magnéticos a serviço da defesa comum.”

Acrescenta Lísias em sua narrativa, que “a colônia ficou, então, sabendo o que vem a ser a indignação do espírito manso e justo”, que, talvez, tenha se inspirado na atitude do Cristo quando, munido de uma vergasta, expulsou os vendilhões do Palácio (ops), do Templo.

Num parágrafo anterior, do referido capítulo, a fim de não ficarmos devendo citações aos nossos atentos leitores, Lísias disse a André Luiz que, no Ministério da Regeneração, grande número de colaboradores – gente do terceiro e do quarto e do quinto e, quiçá, do sexto escalão – “entretinha certa intercâmbio clandestino em virtude dos vícios de alimentação.”

Igualmente, não queremos polemizar. Apenas desejamos deixar registrado que o ser humano, na Terra ou no Mais Além, enquanto não logra transcender-se em sua humanidade, é sempre o mesmo na defesa de seus mesquinhos interesses, apoiando-se em inúmeros sofismas para que prossiga defendendo a sua cômoda posição em detrimento dos interesses da coletividade.

 

INÁCIO FERREIRA

 

Uberaba – MG, 3 de abril de 2016.

 

 

 

 

 



Escrito por Dr. Inácio Ferreira às 05h36
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BRASIL HOJE

 

Em poucas palavras, a verdade é a seguinte:

O Brasil está sem governo.

Do que jeito que está não pode ficar.

O país agoniza.

Não é questão de partido político, nem de ideologia.

Está faltando patriotismo.

E mais do que patriotismo, amor ao próximo ou, se preferirem, humanidade mesmo.

Uma geração inteira está sendo comprometida.

Desemprego crescendo.

Saúde a zero.

Educação aos cacos.

Desencanto nas almas.

Falta de otimismo em relação ao futuro.

A Pátria do Evangelho cada vez mais distante.

Um sonho que, infelizmente, está nos escapando.

Corrupção em quase todos os setores da vida comunitária.

A religião em falência.

Pastores vendilhões.

Mesmo os espíritas, com sua vaidade e personalismo, deixando muito a desejar.

Falta de credibilidade interna e externa.

Instituições falidas.

Apego exacerbado ao poder.

Disputa pelo ter, e não pelo ser.

Descalabros administrativos sem precedentes.

Pior do que a “derrama” nos tempos da Inconfidência.

Estradas em ruína.

Cidades abandonadas.

Discursos mentirosos.

Reivindicações ignoradas.

Falsos intelectuais defendendo o establishment.

Decepções com promissoras lideranças.

Esquerda prostituída.

Falta de luz no fim do túnel.

Com urgência, procura-se um homem.

Ou uma mulher.

Enfim, um estadista, de calças ou de saias.

Não obstante, a maioridade do Brasil está às portas.

É agora ou tarde demais.

Por que os mortos se intrometem nisto?! Porque os vivos, por si sós, não estão dando conta do recado.

O assunto preocupa as Altas Esferas.

Se o Cristo não se preocupasse com a Humanidade, Ele não teria vindo a Terra, e passado pelo que passou.

Então, calem-se os argumentos tolos.

O brasileiro precisa aprender a escolher melhor os seus governantes.

Alfabetizar-se politicamente.

Não trocar voto por favores pessoais.

A situação é grave.

A renúncia num simples conflito, por vezes, evita muito derramamento de sangue.

Que o Cristo nos livre de embates violentos.

Ainda resta um fio de esperança na paz.

Os próximos dias, que precisam ser rápidos, serão decisivos.

Porque, de fato, como disse Chico Xavier, “o Brasil será a grandeza ou a decadência que os homens públicos dele vierem a fazer.”

 

INÁCIO FERREIRA

 

Uberaba – MG, 28 de março de 2016.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 



Escrito por Dr. Inácio Ferreira às 05h14
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NO ATACADO E NO VAREJO

 

Uma amiga nossa, de nome Dinorah, que nos auxilia em nossas atividades no Hospital dos Médiuns, supervisionando o serviço de limpeza, veio, há três dias, conversar conosco, quase apavorada.

- Dr. Inácio – disse-me –, fui a uma palestra de um orador espírita, na semana passada, e fiquei, deveras, desanimada – uma colega me convidou e eu fui, toda esperançosa, mas...

- O que aconteceu, Dinorah?! – perguntei na sequência da conversa. – Ele falou muitas asneiras?! Mexeu com vocês?!...

- Não, Doutor, ele até que é um homem sério, fala com muita calma e simplicidade – ele não complica, não! Entendi tudo, e a minha colega também – acredito que, enfim, todos os que estavam lá entenderam...

- De quê, então, você está se queixando?! Hoje em dia, quando a gente encontra um orador que fala e a gente entende, a gente precisa se tornar macaco de auditório dele! Por que o que tem de gente falando sem real conhecimento de causa, e mais, imaginando que faz parte de algum show desses programas de auditório na TV norte-americana...

- O senhor sabe: a gente deve ter muitas dívidas relacionadas às vidas passadas – talvez, não o senhor, mas eu tenho!...

- De minha parte – respondi –, sinceramente, não conheço espírito que, de alguma forma, não seja espírito devedor... Todos, ou quase todos, têm dívida no Cartório... Eu, por enquanto, sem querer saber o quanto devo, vou pagando – não está na hora de efetuar um balanço, não, pois a consciência do tamanho da dívida é mais terrível que a própria dívida!...

- Pois é, mas o orador começou a falar de umas miuçalhas, que, sinceramente, eu não imaginava que a Lei pudesse levar em conta umas quirelas...

- Deus é sovina, Dinorah! – exclamei.

- Sovina?! Como assim?!...

- Jesus falou que a gente, enquanto não pagar o último ceitil, não sai da cadeia – demorei a entender que Deus faz contas de “centavos”... O “Homem” é mão aberta para emprestar, mas, na hora de receber, não faz abatimento, não! Eu nunca vi infinita generosidade e sovinice infinita, de uma só vez, reunidas numa “Pessoa” só!...

- Pois é, Doutor! Eu pensava: graças a Deus, não tenho tão grandes dívidas assim para quitar, pois, a minha consciência não me diz que eu já tenha matado, ou que já atentando contra a própria vida, ou que, ainda, tenha sido uma pessoa deliberadamente má, prejudicando comunidades inteiras...

- Que maravilha, Dinorah! Você é uma felizarda, quase uma bem-aventurada!...

- Ah, não brinca, Doutor! O conferencista disse que, depois de a gente saldar as nossas maiores dívidas para com a Lei Divina, vamos ter que começar a quitar as dívidas menores...

- E ele, que deve ser a reencarnação de algum publicano, está certíssimo – repliquei. – É assim mesmo... Primeiro, a gente paga no atacado, e depois no varejo!...

- Mas, quais são essas dívidas que vamos ter que pagar no varejo?! – inquiriu-me. – Por que eu não sou uma pequena grande devedora, mas reconheço que sou uma grande pequena devedora...

- São justamente, Dinorah, as miuçalhas morais: falar mal de uma pessoa aqui, de outra ali; uma mentira aqui, outra ali; uma desonestidade aqui, outra ali; um escorregão aqui, outro ali... A coisa vai longe!...

- Ai, meu Senhor!...

- O “Homem” é meticuloso! – prossegui. – Você não vê que Jesus pregou o Evangelho falando de miudezas: um óbolo, uma dracma, um punhado de fermento, uma pérola, uma semente de mostarda...

- Sim!...

- Então?!...

- Doutor, mas eu pensei que Ele podia...

- Não pode! Ele quer receber tudo... E tem mais: tem juros em cima disso... O “Homem” quer receber, multiplicados, os talentos que empresta!...

Silenciei por instantes e arrematei:

- Então, minha cara, vai cuidando aí do seu serviço, que eu vou cuidar do meu, porque Ele é severo, ceifa onde não semeou e ajunta onde não espalhou!...

 

INÁCIO FERREIRA

 

Uberaba – MG, 21 de março de 2016.

 

 

 



Escrito por Dr. Inácio Ferreira às 05h19
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15 MITOS “ESPIRITAS”

 
Listaremos abaixo 15 mitos “espíritas”, ou seja, 15 mitos que, infelizmente, ainda são sustentados no Espiritismo por alguns de seus adeptos, em defesa de seus interesses e pontos de vista pessoais, ou resumindo, em defesa de sua falta de Conhecimento.
Com base em tais mitos que, repetimos, não pertencem à Doutrina, mas aos espíritas que os defendem, o Espiritismo corre o risco de se tornar uma crença fundamentalista, na qual meia dúzia de pessoas pretende controlar a liberdade de pensamento de milhares de outras, em tirânica ditadura de natureza doutrinária – com “saudades” do poder de outrora!...
 
1 – O espírito é um ser assexuado.
2 – O perispírito é destituído de órgãos sexuais.
3 – O perispírito não pode se reproduzir.
4 – O Mundo dos Espíritos é o teto do Universo.
5 – O Mundo Espiritual é espírita.
6 – Toda pessoa anda com um Protetor Espiritual a tiracolo.
7 – Toda reencarnação é “programada”.
8 – Todo homossexual foi um espírito, sexualmente, pervertido em sua existência passada.
9 – Em todos os mundos, a reencarnação acontece segundo os mesmos padrões estabelecidos na Terra.
10 – Tudo o que acontece ao homem é consequência do carma adquirido em sua vida anterior.
11 – Em mediunidade, o espírito comunicante faz tudo, inclusive suprir a ignorância do médium.
12 – O médium mecânico, ou inconsciente, é o que merece maior credibilidade.
13 – Em mediunidade, o animismo é sempre contraproducente.
14 – O Espiritismo é uma doutrina pronta e, portanto, nada mais se lhe pode acrescentar aos postulados.
15 – Na transmissão do passe, uma técnica de movimentação das mãos é mais eficiente que outra.
 
Claro e evidente que outros mitos podem ser acrescentados à nossa lista, todavia, acreditamos que somente estes 15 já sejam mais que suficientes para menoscabar a Doutrina da Fé Raciocinada e conspirar contra a sua característica progressiva, fazendo-a perfilar entre as crenças religiosas que se apoiam no maravilhoso e no sobrenatural.
 
INÁCIO FERREIRA
 
Uberaba – MG, 13 de fevereiro de 2016.

 

 



Escrito por Dr. Inácio Ferreira às 15h43
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